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Para catástrofe já basta a realidade

por João Távora, em 13.08.11

 

O frenesi dos jornais à volta das declarações de rendimentos dos ministros e gastos na organização dos seus gabinetes, sem enquadramento ou critério editorial que não seja o sensacionalismo que sempre resulta da coscuvilhice parece-me lamentável. A evidente coresponsabilização do 5º poder na situação a que chegámos e consequentemente quanto aos desafios que nos esperam, exigiriam também ao jornalismo, no meu entender, uma séria reflexão e reformulação dos seus processos e valores. Por exemplo, num artigo de hoje do Jornal i, “Gabinetes do governo já custam mais de um milhão de euros por mês”, não encontramos uma linha, um quadro que compare, coloque sob perspetiva, os recursos despendidos pelos últimos executivos na sua organização. Isso sim seria uma investigação de interesse público que ajudaria a entender da “bondade” da atual gestão dos ministérios, e quem sabe no final talvez… se revelasse uma verdadeira “notícia”! De resto face à impopularidade das fatais medidas para a redução do deficit e controlo da dívida pública (a começar pelos tão reclamados cortes nas gorduras do Estado que inevitavelmente importunarão o “Monstro” com consequências fáceis de adivinhar), a exorbitação das mais básicas pulsões de inveja e ressabiamento no pagode afigura-se-me uma estratégia totalmente redundante. Para catástrofe já basta o que basta.

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4 comentários

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De Há mais a 13.08.2011 às 18:19

E no i não vem também uma peça sobre como era esbanjado o nosso no tempo do licenciado a um Domingo?

http://www.ionline.pt/conteudo/142987-como-o-governo-socrates-gastou-em-viagens-carros-e-telemoveis (http://www.ionline.pt/conteudo/142987-como-o-governo-socrates-gastou-em-viagens-carros-e-telemoveis)

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De Vasco M. Rosa a 13.08.2011 às 19:35

Concordo globalmente contigo: os nossos jornais perdem qualidade a olhos vistos numa época que é de grande exigência.Trabalho de fundo, que exige recursos e documentação acumulada, é muito raro.


Claro, podemos indignar-nos quando sabemos que um motorista dos tempos socráticos ganhava 1800 euros e mais 500 por lavar o carro, como se isso não fosse parte do seu trabalho, onde certamente terá muitos momentos de ócio. Mas tudo isso é demasiado residual para merecer destaque. 


Mesmo assim podems ter curiosidade. Pessoalmente, gostava de saber quanto nos custou aquela estapafúrdia viagem de Sócrates e comitiva a uma feira de cadeiras em Milão, na qual exibiu uma vez mais a sua petulância — e a televisão foi atrás, a serviço. A serviço, de quem ou de quê?
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De Concordo a 13.08.2011 às 20:20

O jornalismo televisivo, então, já muitas vezes me tem feito desligar o aparelho.

Por exemplo (propositadamente "neutro"), se há uma onda de calor ou de tempo invernoso em pleno Verão, não passa pela cabeça dos coitados outra coisa que não seja ir para a rua ou para as praias perguntar às pessoas se estão a sofrer com o calor/frio/vento.

Ouvir alguém entendido no assunto que explique em termos científicos (e acessíveis) o que está a acontecer, e que evolução esperar, passou completamente de moda (dantes, era presença assídua Anthímio de Azevedo - ou outros, recordo-me por exemplo de Costa Alves - e sempre se aprendia alguma coisa).
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De João Sousa a 14.08.2011 às 09:20

Uma coisa Teixeira dos Santos previu correctamente: que este Governo não teria tempo para estados de graça.


Eu não tenho problemas com escrutínios do exercício político. Gostaria era que o consulado de Sócrates tivesse tido este mesmo escrutínio desde o início - talvez tivéssemos evitado o resultado de 2009. 


Cada vez mais me parece que os editores de jornais deixam de procurar vender para quem os lê calmamente, com tempo, no café ou ao almoço. O objectivo hoje é captar cliques para os websites, e isso obtém-se com títulos chamativos e textos curtos - porque o internauta comum não perde muito tempo no mesmo local.

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