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O problema é outro

por Vasco M. Rosa, em 02.08.11

 

A grande questão dos transportes públicos (em Lisboa, que conheço) não é tanto o aumento das tarifas, mas a baixa qualidade do serviço. Claro, ninguém gosta de pagar de repente mais 10-15 por cento em algo que não melhorou na correspondente proporção, mas o valor dos aumentos hoje implementados não é, como se diz, brutal e vai afectar as pessoas. Menos dois ou três cafés ou imperiais por semana, que a ninguém fará falta, equilibram, resolvem isso.

 

O problema da Carris, ou seja, o problema que a Carris quotidianamente nos coloca, é o tempo de espera nas paragens: quinze minutos oficiais em linhas dorsais na cidade, como o 758, que uso muito. Tempo precioso, que cada qual vê esboroar-se numa espera sem sentido e a cada qual deveria pertencer…

 

No Cais do Sodré, no fim dum trajecto, o motorista permite-se uma pausa de alguns minutos enquanto por vezes dezenas aguardam de pé, metros adiante, ao sol ou à chuva, a chegada e marcha do seu… transporte público.

 

Também já pude perceber que o ar condicionado em certos dias de maior calor funciona moderadamente para poupança de combustível ou por desatenção do motorista, cujo código de conduta todavia parece bem rígido a ponto de impedir, por «razões de segurança», a entrada dum passageiro manifestamente apressado e implorante a escassosdois metros da paragem, diante dum semáforo fechado... Isso sim, é indignante e brutal.

 

E claro, também podíamos referir o abandono pela Carris da opção por combustíveis dito verdes — e uma vez mais, se nota nesta reclamação de hoje como em Portugal a consciência dos assuntos pela larga maioria da população é primária e egoísta. E é essa precaridade popularucha que as televisões buscam e destacam, para infortúnio nosso sem fim à vista.

 

 



12 comentários

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De Mas há mais a 02.08.2011 às 09:05

Recordo-me  de, não há muito tempo, Marques Mendes ter referido com detalhe várias mordomias espantosas a que o pessoal das empresas públicas de transportes tem direito. Quanto a alguma moralização por essa via, é que não ouvi nada, agora que os aumentos foram granjolas.
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De AV a 02.08.2011 às 10:36

O buraco operacional da Carris é de tal maneira preocupante que não chega reduzir custos, leia-se eliminação de carreiras, redução de distâncias de carreiras, número de carreiras por rota, também tem que haver contrapartida do lado da receita com aumentos sucessivos (no início de 2012 haverá outro). Estamos perante mais um problema do nosso estado socialista, que o é!
Os transportes urbanos deveriam ser obviamente privatizados, garantindo o estado uma tarifa regulada pelo próprio e caso seja necessário, mantendo um subsídio (social) a quem gerir os transportes. Seria uma comparticipação praticamente fixa, ou pelo menos controlada, evitando sucessivas injecções de financiamento ou garantias a financiamentos que na prática, neste caso, é o mesmo.
Há vários países onde os transportes funcionam assim. Chamam-se transportes colectivos e o serviço é manifestamente melhor que o que a Carris presta, o que, diga-se, não é difícil.
Bem haja.
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De carneiro a 02.08.2011 às 11:03


"por «razões de segurança», a entrada dum passageiro manifestamente apressado e implorante a escassosdois metros da paragem, diante dum semáforo fechado..."

A razão do motorista é apenas a de não perder o emprego. Está proibido pela Empresa e pelo Código da Estrada.

No resto estou plenamente de acordo. 
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De Vasco M. Rosa a 02.08.2011 às 15:01

Nesse caso o CE é estúpido: naquelas circunstâncias — tânsito parado, abrir e fechar de porta equivalente a um minuto, ou menos, e impossibilidade de atropelamento pela direita (isso pelo CE) — o motivo é apenas a má vontade. Como o cliente geralmente tem passe, ele que espere. Ora é isso que me indigna: a vontade clara de nos fazer esperar.
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De Reis a 03.08.2011 às 01:43

Não sabes do que falas. Se tens algum problema por os motoristas serem responsáveis e respeitarem o CE, então, queixa-te a quem de direito e não digas mal apenas por dizer.

Se numa dessas ocaisões de que falas, o motorista abre a porta e o passageiro cai a entrar, quem paga os "estragos"? A seguradora? Não me parece, uma vez que o motorista estava a cometer uma ingração. Já nem falo da multa que o motorista e o passageiro teriam de pagar, caso a polícia visse.

E tu achas que os motoristas não podem levantar o rabo da cadeira e esticar as pernas, nem ir à casa de banho? Deves estar o dia todo alapado na cadeira, nem comer deves comer, certo? És um super-homem. Os outros são todos estúpidos e cheios de má vontade.

O motorista tem horários a cumprir. Se achas que não cumprem, apresenta queixa na respectiva empresa. Se chega ao fim do percurso atrasado(a) e ainda vai dar um passeio, tens toda a razão em reclamar, se chegou adiantado ele só tem de estar pronto na hora e minutos que o patrão lhe impõe.

Sobre o ar condicionado; deves andar pouco de autocarro, só pode! São os velhos que pedem constantemente para colocar o ar condicionado "mais baixo" ou desligar. Apsoto contigo que só tens carros com ar condicionado e em todas as divisões das tuas casas também.
Falas do abandono dos combustíveis verdes, mas queres ar condicionado. Pois, pois. Verde, mas só para o que te dá jeito.

Por fim, quem não bebe cafe, nem imperiais e não alimenta nenhum vício, que aconselhas a fazer? Não seria antes, poupar nos administradores, que são cinco, e nas mordomias que todos eles têm (carro, cartão, combustível, etc, etc)?

Sugestão: compra uma bicicleta, vais ver que nem pecisas de ar condicionado e nem ficas à espera de ninguém. Quanto à chuva, assim como assim, já deves estar habituado.
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De Vasco M. Rosa a 03.08.2011 às 07:45

Algumas observações apenas:


A probabilidade do passageiro cair na entrada do autocarro nessas circunstâncias é tão absurdamente ínfima, estatisticamente visto, que nem sei como se pode argumentar com isso. 


Claro que os motoristas podem e devem esticar as pernas, ir ao WC etc. Mas não é o que fazem. Ficam sentados ao volante e nada mais.


Não tenho carro nem nunca tive, e muito menos vários. Isso já não é discutir ideias, é outra coisa, que não vale o tempo que se perde com ela. Por isso este comentário fica por aqui. Passe bem!
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De Vasco M. Rosa a 03.08.2011 às 09:24

O motorista tem horários a cumprir. Se achas que não cumprem, apresenta queixa na respectiva empresa.


— Era o que faltava. E o tempo perdido com isso? E que resultado teria? Quando o autocarro não cumpre o horário, já de si insuficiente, simplesmente reservo-me o direito de fazer a viagem sem bilhete. Já aconteceu muitas vezes ter de apanhar um táxi para não me atrasar por causa do atraso dum autocarro.
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De besouro a 02.08.2011 às 15:27


Não é estúpido. O semáforo fechado, é cumprir a lei...o passageiro é que chegou atrasado. FALTA neste país PONTUALIDADE e VERDADE.
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De Francisco Crispim a 02.08.2011 às 20:45

Se todas as carreiras fossem como a 758, de que sou passageiro frequente, do mal o menos... O pior são as outras, isto é, quase todas...
Quanto às birras dos motoristas, a palma vai para os cromos que, no Largo do Rato (onde há um espaço exclusivo para os autocarros...), se recusam a abrir a porta a alguns passageiros "atrasados", apesar de o veículo estar parado no sinal vermelho. Não raro ouvem das boas, como merecem, mas fazem de conta que não têm ouvidos...
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De Vasco M. Rosa a 02.08.2011 às 21:58

Faz falta esse protesto. Fingem que não ouvem mas ouvem.
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De Reis a 03.08.2011 às 01:52

No sinal vermelho o CE diz que não sai, nem entra passageiro, incluindo dos veículos particulares!
Mas será que todos vão insentivar o não cumprimento do código da estrada?!? É um espectáculo! Deve ser por estas e por outras, por gente com a  vossa mentalidade, que estamos à frente nas estatísticas dos acidentes rodoviários.

Nunca peço para abrirem a porta. Não está na paragem, não está. Tanto é ladão o que rouba, como o que fica à porta e eu, como cidadã, não deve pressionar a que o(a) motorista me abra a porta. É capaz de ser qualquer coisa de moral, não sei, por saber que é uma infracção abrir a porta fora das paragens. Ainda para mais agora que o passageiro também paga multa!
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De Francisco Crispim a 03.08.2011 às 09:36

A senhora conhece bem o local a que concretamente me refiro? Bem me parece que não.

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