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A ignorância instrumental

por João Távora, em 26.07.11

 

Não é propriamente inédito, broncos com uma licenciatura sempre os houve. Como dizia o meu sogro, médico pneumologista em Sintra, foi com incredulidade que no seu tempo testemunhou alguns terem terminado cursos superiores.
O fenómeno da massificação artificial da instrução implementada nas últimas décadas acabou por ser a forma mais eficaz de acabar definitivamente com qualquer veleidade sobre o mérito ou nobreza da academia.
Definitivamente não era este o sonho daqueles nossos antepassados que idealizaram uma sociedade mais equitativa e livre, justamente porque moldada pela democratização do conhecimento e da erudição. Acontece que o capricho igualitário produziu hordas de inscientes e inúteis licenciados em cursos que sabe Deus para que servem. Revoltados, alguns serão sempre úteis para aderirem a demagógicas quimeras revolucionárias. Sem as mais básicas noções da História do seu país, aritmética ou ortografia. Mas o que me parece mais grave nem é isso: é a constatação de que esta ludibriada geração, através dos modelos de mediocridade pop que lhe são fornecidos pelos Media, jamais terá oportunidade de reconhecer essa sua fatídica circunstância.



11 comentários

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De Fortuna a 26.07.2011 às 23:07

Se reconhece que no tempo do Salazar o mérito é que contava, porque diz que não tem qualquer simpatia por ele? Foi o grande mérito desses grandes homens (dele próprio, acima de todos) que tornou Portugal um país grande e próspero, como nunca mais veio a ser. Só de homens grandes, como esses, nasce uma grande nação. Ou é da opinião dos esquerdalhos de que nesse tempo não havia liberdade? Todos os que tinham mérito eram livres para criar. Os que não tinham mérito, obviamente, só iriam estragar. Não lhe parece?
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De Fortuna a 26.07.2011 às 23:42

Porque "que disparate"? Não entendo. É, ou não, verdade, que nessa altura eram escolhidos os melhores para as funções públicas (desde os cargos de governação à função pública, propriamente dita), ao contrário de agora? E queriam ou não os mediocres boicotar esse trabalho? Quem era bom, obviamente, servia o País. Esses eram os escolhidos. Os que restavam eram os mediocres. Tem ou não razão nisso o respúbica?
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De António M P a 27.07.2011 às 07:49


"Todos os que tinham mérito eram livres para criar". Você é mesmo cómico. Só que a história de que fala não é tanto comédia quanto tragédia! Você nunca ouviu falar de censura, prisões e tortura por "delito de opinião", Mocidade Portuguesa, Legião... Coitado!

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