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A ignorância instrumental

por João Távora, em 26.07.11

 

Não é propriamente inédito, broncos com uma licenciatura sempre os houve. Como dizia o meu sogro, médico pneumologista em Sintra, foi com incredulidade que no seu tempo testemunhou alguns terem terminado cursos superiores.
O fenómeno da massificação artificial da instrução implementada nas últimas décadas acabou por ser a forma mais eficaz de acabar definitivamente com qualquer veleidade sobre o mérito ou nobreza da academia.
Definitivamente não era este o sonho daqueles nossos antepassados que idealizaram uma sociedade mais equitativa e livre, justamente porque moldada pela democratização do conhecimento e da erudição. Acontece que o capricho igualitário produziu hordas de inscientes e inúteis licenciados em cursos que sabe Deus para que servem. Revoltados, alguns serão sempre úteis para aderirem a demagógicas quimeras revolucionárias. Sem as mais básicas noções da História do seu país, aritmética ou ortografia. Mas o que me parece mais grave nem é isso: é a constatação de que esta ludibriada geração, através dos modelos de mediocridade pop que lhe são fornecidos pelos Media, jamais terá oportunidade de reconhecer essa sua fatídica circunstância.



4 comentários

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De Réspublica a 26.07.2011 às 12:56

Caro João, discordo, a liberdade de aprender e ensinar é um direito inato de cada ser humano, não resulta de uma qualquer sorte, pelo que devem ser dadas iguais oportunidades a todos para estudar.
Agora aqueles que apresentarem melhores qualidades e capacidades devem poder progredir na via académica, por via dos numerus clausus ou do acesso a certos graus académicos apenas a quem tiver mais de 15 valores na licenciatura, etc.
A qualidade começa nas Universidades, essas devem filtrar os bons alunos e afastar os maus, não me repugna, como vi acontecer, que alguns alunos de direito chumbassem várias vezes em cadeira dos primeiro ano (alguns a terem 0 e 1), de forma a afastar os que não tinham queda para o Direito!
No fundo devemos procurar uma meritocracia, como havia (e digo-o sem ter qualquer simpatia por Salazar) na II República, em que apenas chegavam aos cargos cimeiros quem tinha capacidade intelectual, independentemente de nome, origem ou fortuna familiar.
Hoje o factor "cunha" é o mais importante, mas grave que o número de licenciados, é o clientelismo (mas esse, felizmente, o actual governo tratará dele definitivamente).
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De Fortuna a 26.07.2011 às 23:07

Se reconhece que no tempo do Salazar o mérito é que contava, porque diz que não tem qualquer simpatia por ele? Foi o grande mérito desses grandes homens (dele próprio, acima de todos) que tornou Portugal um país grande e próspero, como nunca mais veio a ser. Só de homens grandes, como esses, nasce uma grande nação. Ou é da opinião dos esquerdalhos de que nesse tempo não havia liberdade? Todos os que tinham mérito eram livres para criar. Os que não tinham mérito, obviamente, só iriam estragar. Não lhe parece?
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De João Távora a 26.07.2011 às 23:32

Que disparate!
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De Fortuna a 26.07.2011 às 23:42

Porque "que disparate"? Não entendo. É, ou não, verdade, que nessa altura eram escolhidos os melhores para as funções públicas (desde os cargos de governação à função pública, propriamente dita), ao contrário de agora? E queriam ou não os mediocres boicotar esse trabalho? Quem era bom, obviamente, servia o País. Esses eram os escolhidos. Os que restavam eram os mediocres. Tem ou não razão nisso o respúbica?

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