Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O digno sucessor

por José Mendonça da Cruz, em 08.06.11

 

O facto de António Costa não ter querido ser, agora, secretário-geral do PS confirma-me que António Costa quer ser secretário-geral do PS. Sê-lo-á quando interessar. E será quem melhor encarna o partido.

Porquê? Porque António Costa acaba de provar que é um socialista verdadeiro. Foi no Intendente que o provou.

O Intendente é um bairro degradado em termos sociais e imobiliários. Gente com vidas normais vive refém de traficantes, drogados e marginais, em prédios degradados em que ninguém quer investir.

Há, é claro, uma maneira de combater este estado de coisas, que é a maneira do estado de Direito e das Câmaras competentes: uma política de rendas moderna, uma política anti-droga firme, uma política anti-prostituição integradora, uma política de segurança consistente. Giuliani mudou Nova Iorque assim. Mas é difícil e dá trabalho.

Há outra maneira, a socialista.

Começa, é claro, por gastar. E assim fez António Costa.

Havendo dezenas de prédios do património da Câmara de Lisboa devolutos (até do outro lado da rua), preferiu arrendar e remodelar um edifício histórico, a cerâmica Viúva Lamego, para lá se instalar. Saem, então, 670 mil euros de dinheiro dos contribuintes para pagar adiantado 10 anos de renda da sede provisória em que Costa ficará apenas 2 anos. Some-se-lhe os custos de ter duas sedes de Câmara abertas.

Continua com equívocos sobre símbolo e privilégio. 

Havendo Polícia, e cabendo-lhe uma missão de segurança pública, no entanto a Polícia não acudiu ao Intendente. Mas agora, com o Presidente da Câmara lá (ao menos de dia) a Polícia vai ter que acudir. António Costa defende que a sua mudança para o Intendente é simbólica e dignificadora. Mas é exactamente o contrário: é a confissão de que não se pede à Polícia que cumpra rotineiramente a sua missão, bastando que a cumpra quando está «uma alta individualidade» presente. A Polícia é para defender a Câmara e a Câmara só defende os cidadãos quando estão ao pé.

Termina com aquela visão especial que os socialistas têm da economia.

Como abominam (ou fingem que abominam) o mercado, os socialistas vêem sempre (ou fingem que vêem) os negócios como situações de excepção. Escapa-lhes (ou fingem que lhes escapa) que aquilo que os negócios realmente exigem é a previsibilidade dos factores. No Intendente, António Costa acredita no efeito milagroso do seu gesto de excepção: em vez de lei e ordem, o que oferece é o temor reverencial perante a sua alta presença. Tem-na em tão boa conta que julga que, só por isso, os proprietários investirão, os comerciantes e as empresas acorrerão, a prosperidade florirá.

E se, daqui a 2 anos, gasto mais um rio de dinheiro, não investirem? E se não acorrerem? E se não florir?

Não faz mal. Daqui a 2 anos o mandato chega ao fim, Costa já terá extraido todo o benefício noticioso desta acção, e o PS deverá estar a precisar de um novo secretário-geral. Um novo Sócrates, na verdade. António Costa, muito prazer.



7 comentários

Sem imagem de perfil

De carneiro a 08.06.2011 às 11:16


Excelente.
Sem imagem de perfil

De martins dos santos a 08.06.2011 às 11:47

uma política anti-droga firme, para além de ser uma medida estatizante e socialista, não resolve o problema. 


querem acabar com o tráfico? legalizem e regulem, deixem o toxicodependente comprar o que precisa na farmácia em vez de ter de comprar num beco escuro do intendente um produto totalmente adulterado com gesso ou outras substâncias nocivas.


a ideia de que uma política mais branda sobre o consumo leva a mais toxicodependência, como dizia o Dr. Portas há uns anos, está ultrapassada, Portugal é um caso de sucesso citado a nível mundial pela sua lei de descriminalização do consumo de drogas que contribuiu para reduzir não só a toxicodependência como a taxa de infectados com HIV. 
Sem imagem de perfil

De Costa fora a 08.06.2011 às 11:53

E se ao menos o Intendente ficasse longe da CML, mas a distância dá para ser perfeitamente percorrida a pé, em menos de 30 min... ainda por cima por uma cambada que passa a vida a falar no excesso de trânsito na Baixa e na necessidade de se andar a pé/bicicleta/transportes públicos...

É mesmo o típico e asqueroso faz-de-conta chuchialista.
Sem imagem de perfil

De ze luis a 08.06.2011 às 11:58

Independentemente de ser ou não de Lisboa, muito boa caracterização.
Sem imagem de perfil

De nuno granja a 08.06.2011 às 13:56

Exelente post, acresento...


Outra perola Socialista na CML. a interdicção de circulação de carros poluentes na baixa....


Uma lei feita em cima do joelho para aparecer nos média sem dar muito trabalho nem incomodar muita gente, com efeitos mediáticos à custa dos mais desvaforecidos que usam Fiat Uno. Moro no Areeiro e  qualquer um dos meus veiculos é passivel de ser considerado de interesse histórico que como tal estão imunes a esta proibição, mas não é isso que está em causa. 
O que está em causa é esta lei está tão mal feita que nem sei por onde começar. Qual a base legal para os sinais de transito, multas e para a própria lei? O controlo como vai ser feito? pelas matriculas? Tenho um amigo em Belem que tem um VW Type 1 Karmman de 1979 importado em 1995 com matricula desse ano, será que passa no controlo? Se eu tiver os meu carros certificados como veiculos de interesse histórico vou ser mandado parar por cada policia na zona do Chiado para mostrar os documentos?. Depois vem os absurdos, um Fiat 500 original não pode circular mas um Hummer pode e por ai fora. Depois vem egoismo ecologico mais atroz, que consiste em mandar a poluição para o quintal dos outros, pois se eu me desfizer dos meus carros para abate e comprar um carro novo, o desgaste nos recursos globlais e poluição inerentres ao processo de produção de um veiculo novo, terão um impacto negativo no ambiente nivel global muito superior a eu fazer várias centenas de milhar de kms nos meus carros no centro de Lisboa. Esta lei foi feita sem saberem quantos veiculos "poluidores" circulam em Lisboa, quantos kms fazem, qual o impacto que produzem em termos percentuais qualidade de ar em Lisboa nem o impacto a nivel global se todos os propriétários de carros "poluidores" desatarem a comprar carros novos. Presumo que as diferenças na qualidade de ar em Lisboa antes e no depois da entrada da lei em vigor também não vão ser analisadas. Depois vem o facilitismo deste tipo de leis só para aparecerem nos média enquanto no dia-a-dia alguem como eu que separa o lixo em casa por método, quando se dirige a um ecoponto encontra um camada de sacos de lixo (quando o lixo está em sacos o que nem sempre acontece) que tem de atravessar para atingir o ecoponto. Ninguem é multado por esse tipo de acções, mas claro isso daria trabalho e causaria muita contestação. No mesmo dia-a-dia alguem que como eu utiliza a bicicleta nas deslocações dentro da cidade, tem de partilhar ruas esburacadas, com um transito cáotico, sem uma unica bike line (corredor de bus para bicicletas) decente e com uma ou duas ciclovias sem nexo e com interrupções que exigem um trabalho de detective para descobrir o troço seguinte. Nesta matérias não vejo empenho da CML, provavelmente porque não basta legislar para as parangonas dos média, exigindo trabalho planeamento e controlo efectivo e chatices com os prevaricadores que neste caso não seriam um quandos propriétarios de Super 5's e Unos. (Recentemente quando ainda estava em Bruxelas a minha mulher colocou o lixo no local errado e recebeu um carta da Policia, Como era a primeira vez ficaram pela advertência)
Sem imagem de perfil

De Nuno granja a 08.06.2011 às 20:03

"Exelente post, acresento..."
"Outra perola Socialista na CML. a interdicção de circulação de carros poluentes na baixa...."



Peço desculpa por não ter corrigido o que escrevi um pouco à pressa.
Sem imagem de perfil

De Krasnodemskyi a 09.06.2011 às 13:51

Parabéns! O texto está F-A-B-U-L-O-S-O.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Isabel

    Um orçamento é, sempre, a quantificação de um plan...

  • Anónimo

    A minha crença é que um povo analfabruto só pode e...

  • Anónimo

    João Távora, o ponto mais importante, conforme apr...

  • Anónimo

    Quem distinto... disbranco.Ao menos poderia ter sa...

  • Anónimo

    Reparai que o olho direito não está 'alinhado' com...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2008
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2007
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2006
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D