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Tinha prometido a mim mesmo esperar pela divulgação do programa do CDS para decidir se votaria neles ou no PSD, mas foi difícil adiar a resolução quando vi Paulo Portas, no debate com Passos Coelho, usar da mesma demagogia de que se acusa Sócrates a propósito da Taxa Social Única (TSU). Afinal, o PSD, o único partido que teve a decência de tentar levar a sério o compromisso que assinou com a “troika”, estava a ser atacado pelos dois outros partidos que também se tinham comprometido a descer a TSU por não “explicar” bem onde ia buscar os recursos para tal, mas eles (PS e CDS) nem se dão ao trabalho de o fazer, com medo de desagradar e perder votos. Aqui está uma maneira de fazer política que me repugna, ainda mais na situação em que o país está.
Por isso (e por outras atitudes de Portas no debate que agora não vale a pena abordar), não foi de forma isenta que ouvi no dia seguinte a divulgação do “manifesto” do CDS, mas acho que mesmo que fosse a decepção dificilmente seria menor. Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve particularmente brilhante no seu comentário da TVI no domingo passado, definiu aquilo como um conjunto de slogans e eu não poderia estar mais de acordo. Só me espanta que o CDS, com a reconhecida qualidade dos seus quadros dirigentes, não se envergonhe de apresentar medidas avulsas (muitas das quais até correctas, não é isso que está em causa) quando precisamos em Portugal de aproveitar esta crise para renascer e mudar as políticas que nos trouxeram até este triste estado. Parece-me que o CDS, partido pelo qual tenho apreço, faz mal em estar dimensionado à figura de uma só pessoa, no caso Paulo Portas, que tem certamente muitas qualidades, inclusive a de ser “combativo”, mas que tem também muitos defeitos, nomeadamente o de não saber resistir ao apelo do populismo. Além disso, mil vezes a “barafunda” do PSD, o confronto de personalidades, os “tiros no pé”, o questionamento permanente, do que ver, como no CDS e no PS, gente adulta a obedecer cegamente ao “chefe”….
Não sou liberal, nunca fui, mas reconheço que o programa do PSD não só está muito bem feito, como faz o tal aproveitamento da crise para tentar alterar os caminhos que nos conduziram ao desastre actual. Confesso que fiquei surpreendido com a qualidade deste programa, assim como com o modo como Passos Coelho tem agido, sobretudo conseguindo atrair pessoas como Eduardo Catroga, Carlos Moedas, Rui Ramos ou Francisco José Viegas para essa mudança de que Portugal tanto precisa. Mesmo que os políticos que as propõem corram o risco de perder votos, admiro muito mais esta atitude do que a dos políticos “habilidosos” e “maquiavélicos” a que os jornalistas se submetem (toda a gente fala da “máquina de comunicação” do PS, mas ninguém refere que ela só funciona com a cumplicidade, consciente ou não, de quem seria responsável por dar a verdade a conhecer ao público) e que até enaltecem.
Não tenho simpatia pela actual direcção do PSD, foi por ela ter ganho as eleições internas que saí do partido, continuo a recear que Passos Coelho, quando for chamado a formar Governo, não consiga resistir às pressões do tenebroso “aparelho” laranja, acho que fizeram muito mal em não aceitar a coligação pré-eleitoral proposta por Portas, mas é para o PSD que vai o meu voto, não apenas para ser “útil”, mas sim porque considero que é o partido que o merece.
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