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Passos Coelho propõe «mudança de regime económico»

por José Mendonça da Cruz, em 16.05.11

 

 «O PSD precisa de mobilizar o país para as mudanças que são precisas (...) que não são apenas o que foi acordado» com a missão FMI/UE/BCE, disse Passos Coelho, ontem, numa reunião com responsáveis de vários blogs, entre eles este Corta-Fitas.

Na presença de representantes de blogs como O Cachimbo de Magritte, Albergue Espanhol, Diplomata, Portugal dos Pequeninos, entre outros, Passos Coelho explicou vários pontos do seu programa eleitoral (o único conhecido até agora) que, segundo disse em resposta a uma pergunta nossa, «é ousado, mas não teria sido muito diferente» mesmo se não houvesse um plano acordado com a missão tripartida que veio negociar a ajuda externa.

Depois de insistir na necessidade de um governo mais pequeno, mais enxuto, e mais operacional, o líder do PSD abordou cada sector da vida política e económica nacional, citando dados da crise (os 2 milhões de pendências na Justiça, os 500 mil Portugueses sem médico de família, a recessão) e propôs soluções. «Se o Estado não está em condições de garantir cuidados de saúde a custo controlado», então deve procurar soluções a custo controlado com os privados. Se o Estado não garante a Justiça, então é preciso mudar, por exemplo, dando maior agilidade às decisões dos tribunais (eliminando a necessidade de interpor acção executiva, quando pre-existe sentença em acção declarativa), dando-lhes uma gestão profissional, com um administrador, à semelhança do que acontece com os hospitais; abrindo a carreira de juíz além dos estreitos limites actuais de recrutamento, por exemplo, a magistrados públicos.

Sobre a situação de falência a que o governo Sócrates trouxe Portugal, e a pergunta do Corta-Fitas, Passos Coelho defendeu a necessidade de «uma mudança de regime económico», sob o lema «desgovernamentalizar, desestatizar», com acento tónico na concorrência, no crescimento, na competitividade.

Durante 1 hora, o candidato explicou o seu programa, respondeu a perguntas e propôs medidas de governo. Um privilégio para quem ouviu? Sem dúvida! Neste sentido: nada das medidas programáticas, nada dos problemas concretos e quantificados, nada das soluções críveis, tem passado (excepto como eco da voz do dono) nas televisões  mais ocupadas, como diz justamente o outro, com pintelhos e propaganda. 

  



6 comentários

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De Jorge Sousa a 16.05.2011 às 14:48

Passos Coelho continua com problemas graves de comunicação.  Sabe ele o alcance da afirmação "eliminando a necessidade de interpor acção executiva, quando pre-existe sentença em acção declarativa"? Sem mais nenhuma explicação, significa, muito simplesmente, que vai abolir a possibilidade de cumprimento voluntário das sentenças. É isso que que ele quer? Provavelmente não, mas ninguém fica a saber o que ele quer.


É pena, por outro lado, que as medidas que propõe para a justiça tenham um efeito tão negligente. Não existe dificuldade em executar uma sentença. A administração dos tribunais liberta apenas os juízes-presidentes. A formação de juízes, qualquer que seja o seu background, demora anos.


Há medidas já na lei que não são executadas, como os assessores dos juízes, para efectuar grande parte do trabalho de "mero expediente", para dactilografar decisões. Afinal, formar um juíz fica caro (não muito para o Estado) e demora pelo menos 7 ou 8 anos. Tenho fé numa ou outra pessoa que o Passos Coelho pode levar para a Justiça, como o Diogo Leite de Campos, mas o Passos Coelho só revela insipiência no que toca à Justiça. Percebe-se que ouviu uma coisa sobre o assunto, aqui e ali, mas não ouviu sequer metade.
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De José Mendonça da Cruz a 16.05.2011 às 15:30

Concordo, há um problema de comunicação, mas não me parece que seja do Passos Coelho, parece-me que é da comunicação social que (não) temos e, portanto, nosso. O meu ponto é, precisamente, que é tornado aritificalmente difícil saber em pormenor o que ele quer porque o que ele propõe com seriedade nunca é referido, e, se referido, nunca é debatido com ele. As televisões preferem os sound-bytes tremendistas, as arengas do do Sócrates e a negação dos problemas.
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De Daniel João Santos a 16.05.2011 às 22:55

pena que a blogosfera presente não fosse mais larga.
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De JASPC a 17.05.2011 às 09:54

Mais larga? Foram os que, de uma maneira ou outra, irão ter lugar mais ou menos garantido à volta do pote.

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