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O nosso futuro albanês - III

por José Mendonça da Cruz, em 27.04.11

 

O Financial Times foi mais grave, mais cínico, e mais céptico. Num artigo intitulado Backward Portugal`s Freak Economics, depois de falar com Medeiros, da economia, com o ministro das finanças, Rui Pedro Soares, e com o primeiro-ministro, Francisco Assis, o artigo insistia na deslocalização das empresas mais emblemáticas (citava a Sonae, Soares dos Santos e Amorim, entre outras), na preocupante migração de população jovem empresarial ou trabalhadora (nos últimos 3 anos, 14733 micro-empresas tecnológicas tinham-se mudado para a conservadora Espanha, e, com o êxodo de cerca de 1 milhão de jovens, a média etária nacional subira 5 pontos). Rui Soares regozijava-se com o claro aumento das remessas de emigrantes, com efeito muito positivo na balança de pagamentos. Já Assis manifestava alguma preocupação com a sustentabilidade delas, depois de morrerem os parentes dos emigrados que enviavam remessas. Mas, num tom determinado e optimista, o primeiro-ministro não deixava de sublinhar os efeitos reanimadores esperados da construção da 7ª auto-estrada Lisboa-Porto, do terminal de traineiras de Leixões - adjudicado à antiga empresa do saudoso Jorge Coelho (RIP) e em sua memória -, e dos 4 aerodromos em construção junto à fronteira espanhola. E, mais entusiasmado, anunciou ainda, para breve, a revisão da lei do arrendamento, que iria possibilitar, nas suas palavras, «fazer das cidades portuguesas o destino preferencial do investimento imobiliário global».

Em termos sociais, o FT - depois de ser levado a visitar 3 escolas secundárias, onde a ministra da educação, Sónia Fertuzinhos, lhe sublinhou que, no 9º ano, todos os alunos eram proficientes na tabuada dos dois, e 4 hospitais onde, segundo informação do ministro da saúde, Candal Jr., os utentes obtinham atendimento inteiramente gratuito após espera de 6 anos -, exprimia algumas dúvidas sobre a sustentabilidade do último reduto do Estado Social no Mundo. Admitia, porém, que o salário mínimo de 13 milhões de escudos-república e as pensões de 7 milhões homónimos poderiam acalentar ilusões, o que era, rematava desagradavelmente, o «único factor de consolação possível». Com subterrânea ironia, o jornalista ainda se espantava por alguns socialistas mais fanáticos chamarem à nova moeda «euros-república».

Como os outros jornais e revistas, o FT abordava também o esqueleto fundamental da economia portuguesa: as remessas de emigrantes, as toalhas, as sandálias de couro, Palmela, o BES, as obras públicas, e a venda dos monumentos públicos mais isolados e acessíveis por ar para centros internacionais de congressos. António Costa, presidente da recentemente criada Administração e Coordenação Geral das Empresas Públicas, Intervencionadas e Afins seria citado dizendo: «O facto de a carteira desta Administração e Coordenação a que presido representar 93% das decisões e iniciativas empresariais em Portugal, infelizmente nem todas nacionalizadas e nossas, diz bem do nível económico a que foi levado o povo português.»



2 comentários

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De Oxidado a 27.04.2011 às 19:52

Naquela parte das remessas dos emigrantes é que não acredito. Basta chegarem lá fora e ficam logo espertinhos... aliás, só terem emigrado já mostra esperteza...
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De Herr Frederick a 27.04.2011 às 20:30


90% das empresas nacionalizadas, participadas e afins desde o 25-A foram sempre geridas por «gestores» públicos ligados ao PSD.
E já não falo das empresas municipais e câmaras completamente falidas.
Nessa narrativa onde é que V. Exª.s encaixam o PPD/PSD, herdeiro dilecto dos partidos sociais-democratas antecâmaras do comunismo??????

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