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Basta!

por Rui Crull Tabosa, em 01.04.11

O malogrado Sousa Franco disse, certa vez, que o governo de António Guterres era o pior desde o tempo de D. Maria. Não podia imaginar os governos de José Sócrates…

De facto, quanto aos executivos liderados nos últimos seis anos pelo ainda primeiro-ministro, não será exagerado afirmar que não haverá, porventura, na História de Portugal, Governos que mentiram tanto aos Portugueses, Vasco Gonçalves incluído.

O anterior mentiu despudoradamente, iludindo e convencendo os eleitores de que não havia crise ou que esta estava em vias de ser solucionada.

O actual Governo, então, mente quase todos os dias.

Mentiu no défice de 2009, dizendo que andaria pelos 3%, para, a seguir às eleições, vir a reconhecer que atingiu os 9,3% (défice que, agora, o INE corrigiu para 10%!). Quanto a este ano, o Governo assegurava que o défice seria de 6,8% do PIB, valor que foi, agora, corrigido para 8,6%.

Mente quando sustenta que a oposição não quis negociar o PEC IV, quando é certo que se comprometeu com esse pacote no Conselho Europeu antes de, sequer, o enviar ao parlamento para a dita negociação.

Mente quando diz defender o ‘Estado social’, quando a realidade é que se preparava para congelar todas as pensões a partir dos 187 euros e cortar nas reformas a partir dos 1500 euros, isto para já não referir o fim das deduções fiscais nas despesas das famílias em saúde e educação.

Mente quando quer fazer acreditar que está a reduzir a despesa pública, quando é certo que não deu um passo no sentido de cortar a gordura no Estado, isto é, o despesismo e as mordomias.

Mente quando diz que Portugal não precisa nem recorre a ajuda externa, quando é certo que, só o BCE, já emprestou ao País mais de 60 mil milhões de euros.

Mente ainda quando diz que um governo de gestão não pode recorrer a ajuda financeira da União Europeia, quando esta já fez saber que aceitaria esse pedido caso lhe fosse apresentado e todos os constitucionalistas de nomeada já esclareceram, e bem, que, sendo necessário e indispensável, esse pedido pode ser apresentado por um governo de gestão. Neste âmbito, a entrevista de Teixeira dos Santos, atirando para o Presidente da República uma responsabilidade que, obviamente, apenas cabe ao governo, constituiu uma dos mais baixos exemplos de politiquice de que há memória.

Mente quando garante que está a reavaliar as mega obras públicas (TGV, novo aeroporto, parcerias público-privadas, etc.), quando a verdade é que essas obras vão avançando à socapa, aumentando ainda mais o endividamento nacional.

Mas, mais grave do que todas as mentiras do Governo, é a criminosa evolução da dívida pública que se verifica desde 2005. Em menos de seis anos, a dívida pública passou de cerca de 80 mil milhões de euros para 159,5 mil milhões, no final de 2010 (92,4% do PIB), prevendo-se que, em 2011, atinja os 168,7 mil milhões de euros, ou seja, 97,3% do PIB! Quer isto dizer que, desde que Sócrates é primeiro-ministro, os Portugueses ficaram a dever mais 90 mil milhões de euros ao estrangeiro, ou seja, em média, cada cidadão nacional deve mais 9 mil euros do que quando estes vigaristas se alçaram ao poder.

Muito se tem escrito sobre não valer a pena falar, neste período pré-eleitoral, das culpas pela situação em que Portugal presentemente se encontra. Discordo radicalmente dessas teses desresponsabilizadoras. Sei que convém ao cábula relapso. Mas a verdade é que como pode alguém acreditar nas soluções que, agora, pressurosa e desavergonhadamente, o Partido Socialista nos virá propor, quando é certo que, nos últimos 16 anos, governou mais de 12 e nos atirou para o buraco em que nos encontramos?

Seja como for, daqui a pouco mais de dois meses vamos ver, finalmente, se os Portugueses correm com esta bandidagem que arruinou o País e que, em seis anos, provou ter falhado rotundamente nas ilusões de desenvolvimento e de progresso com que defraudou os eleitores. Ou se, pelo contrário, estes cairão, pela terceira vez, nas tretas e lérias do político mais incompetente, demagogo e irresponsável que alguma vez ocupou, entre nós, as funções de primeiro-ministro.



18 comentários

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De João Mateus a 01.04.2011 às 23:03

Pois é, chamo no entanto a atenção para este artigo que parece ter sido escrito agora, mas não. Tem quase seis anos e, se bem me lembro, tinha sido demitido à pouco o Governo de Santana Lopes.

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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 00:13

Pois é, mas como sabe, a dívida pública entretanto mais do que duplicou...
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De João Mateus a 02.04.2011 às 00:33

Ahhhhh era uma questão de volume!

Pensei que era uma questão de seriedade!
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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 00:39

Só pode estar a brincar. O problema é que o faz com coisas muito sérias, como é o caso do que nós e, o que é ainda mais grave, as gerações futuras, vão ter de pagar por conta da criminosa irresponsabilidade deste Governo.
Portugal está à beira da bancarrota, ou ainda não percebeu?
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De Anónimo a 02.04.2011 às 13:03

Sim. Isso tornou-se claro depois do nossso ilustre parlamento nao ter deixado os tecnicos fazerem o minimo indispensavel para o momento - o PEC IV.  Agora vai ficar muito mais caro. Ja se fala num juro medio de 6.3, quando o PEC IV permitiria uma ajuda com juros abaixo de 5%.
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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 14:56

A ver se percebi: o sr. acha que as pensões de 187 euros e duzentos e pouco deviam continuar congeladas por mais 2 anos.
era esse o caminho, claro. Reduzir as mordomias, cortar nos carrinhos e cartões do estado, extinguir serviços dispensáveis, etc. nada, vamos é roubar o povinho. Ok, percebi o seu ponto de vista.
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De João Mateus a 01.04.2011 às 23:14


Ahhhh, e já agora também talvez não
seja má ideia ver também este
(se bem que já digam por aí que o PSD diz que é a mentira do dia 1de Abril).

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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 00:17

uestão curiosa: então os gastos públicos com o BPN, o BPP e as empresas de transportes não deviam estar incluídas no défice?
A verdade é que nos últimos anos, por causa das eleições e das vistas curtas do governo, o Estado andou a gastar milhares de milhões a encher o olho por causa das eleições (aumentos salarias, medicamentos à borla, etc.) em vez de apoiar a economia e promover as exportações.
Se não se percebe isto, estamos irremediavelmente tramados.
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De João Mateus a 02.04.2011 às 00:28

Nessa altura ainda não havia BPN e BPP, os malandros ainda não tinham sido descobertos (preciso dizer os nomes?)
Quanto às empresas públicas já davam de certeza prejuízos, mas tal como agora, também deviam estar fora do orçamento (se trata de uma adaptação às normas!)
Medicamentos à borla, sendo para quem eram? Sem dúvida nenhuma!
Etc, Etc
Não vamos, concerteza, ter aqui uma discussão ideológica, pois não?

Até porque o objectivo nem era esse, era só demonstrar que entre uns e outros "venha o diabo e escolha"!
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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 00:34

Reparei que preferiu nada dizer sobre à duplicação da dívida pública, para 170 mil milhões de euros. Uma 'insignificância', sem dúvida...
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De João Mateus a 02.04.2011 às 00:56

Pensei que tinha respondido:

"Ahhhhh era uma questão de volume!

Pensei que era uma questão de seriedade!"







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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 10:20

E isso é resposta... Uma questão de volume, como se se tratasse de um quilo de batatas, suponho. Compreendi bem a sua perspectiva sobre os problemas do País e a seriedade da sua preocupação.  
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De Anónimo a 02.04.2011 às 10:29


Já não sei quem´são os maiores bandidos, se os que causaram o buraco do BPN ou se os que taparam o buraco do BPN com o nosso dinheiro. De qualquer forma, graças à justiça que temos nem uns nem outros vão ser alguma vez condenados.
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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 10:55

Tem razão. Deviam estar todos presos.
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De André Miguel a 02.04.2011 às 13:24

Se estes tipos forem releitos não teremos perdido só uma década, perderemos uma geração inteira! Serão 20 anos de poder socialista...! É impossível o país resistir a isso e as consequências ainda serão sentidas pelos meus netos.
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De Rui Crull Tabosa a 02.04.2011 às 14:59

É isso mesmo e temos a obrigação de o fazer ver a todos aqueles com quem falamos. O exemplo da dívida pública (cada Português, mesmo um miúdo de 6 anos, deve em média ao estrangeiro mais 9 mil euros do que em 2005, se alguém não percebe isto é um imbecil) parece-me eloquente.
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De João das Regras a 02.04.2011 às 17:27

É absolutamente chocante, que à medida que se vão conhecendo cada vez mais, os horrores do descalabro politico financeiro dos governos deste primeiro ministro, ainda existam pessoas que o defendam e se preparem para votar no PS nas próximas eleições.
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De Sondagens a 02.04.2011 às 17:30

Se as sondagens estiverem correctas, também já se sabe qual é o volume do clientelismo do PS, qualquer coisa a rondar os 30%, manter isto com efeito requer mesmo muito dinheiro.

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