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Abertas as portas da Índia por Vasco da Gama, Portugal realizou, na Era de Quinhentos, o inexplicável milagre de se expandir e instalar por todo o Oceano Índico, desde a Ilha de Moçambique à longinqua Malaca das especiarias, passando pela opulenta Ormuz e a forte Diu. No meio brilhava Goa, a pérola do Oriente, lindíssima cabeça do Estado Português da Índia que o grande Albuquerque conquistara.

Um dos mais marcantes episódios que evidenciou as virtudes da raça deu-se em Damão, mais precisamente no seu enclave de Dadrá, invadido, com o de Nagar Aveli, em 1954, pela falsamente pacífica União Indiana, sete anos antes do fim da presença portuguesa nessas longínquas paragens da península indostânica.

Aquele distrito, situado na costa de Cambaia, integrava, desde o século XVIII, os domínios da Coroa Portuguesa, mercê de um conjunto de tratados de cessão celebrados com o Império Marata (Tratado de Raia, de 1793, e Tratados de Punem, de 1740 e 1779, este último o que integrou os enclaves de Dadrá e Nagar Aveli).

No dia 20 de Julho de 1954, culminando meses de hostilização contra Damão, o Governador desse distrito foi impedido pelo Governo indiano de se dirigir ao enclave de Dadrá, o qual se situava a alguns quilómetros do litoral.

Perante a ameaça iminente, o subchefe da Polícia Aniceto Rosário, natural de Diu, enviaria, ainda nesse dia, a seguinte patriótica mensagem ao Governador: “Parta V.ª Ex.ª descansado que eu não deixarei ficar mal a bandeira portuguesa!

No dia seguinte, bandos armados, oriundos da União Indiana, invadiram o enclave de Dadrá (o de Nagar Aveli seria atacado dias depois), intimando os seus defensores a render-se. A ameaça não surtiu efeito sobre a pequeníssima força policial portuguesa, apenas constituída por sete elementos.

Aniceto Rosário  resistiu bravamente contra a ocupação. Ferido com gravidade,  continuou a lutar até ser morto à facada e a tiro pelos atacantes, cujo número atingia uma superioridade avassaladora.

Aniceto Rosário caiu no campo de Honra.

Outros valentes, como o subchefe António Fernandes, o acompanharam na eternidade.

Principal bibliografia:

- "A anexação do Estado Português da Índia pela União Indiana face ao Direito Internacional", in estudos de Direito, Silva Cunha, ed. Universidade livre, Porto, 1986.

- "Em nome da Pátria", Tenente Coronel Brandão Ferreira, Livros d’Hoje, 2009.

- "O problema da Índia Portuguesa", Major Hermes de Araújo Oliveira, Mnistério do Exército, 1958.

- "Obras de Nehru", in "Pequenas Histórias da Grande História", Alves de Moura, Lisboa, 1964.

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1 comentário

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De Réspublica a 20.03.2011 às 12:07

Caro Crull, os textos que tem publicado recentemente devem orgulhar todos os verdadeiros portugueses, pois um português luta pelo seu país e defende a sua Nação se necessário com a vida, independentemente do regime político que governa.

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