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O medo é que nos tolhe

por João Távora, em 06.12.10

 

Os portugueses dizem à boca cheia que a culpa do seu atávico conformismo e da sua proverbial mediocridade é a inveja (dos outros), sentimento a que, pelos vistos, os outros são especialmente atreitos. Quanto mais ambicioso é um desempenho, maior será a “reacção” alheia (inveja) e essa coisa até poderá causar incómodo ou inquietação. Como profilaxia ao conflito, o português prefere nada fazer: é usual escutarmos lamentos dos derrotados, vítimas da inveja. O fenómeno, que actua nos portugueses como se de uma praga se tratasse, amputa-lhes pela raiz quaisquer laivos de criatividade e ambição. O sentido de responsabilidade é a cedência final da vítima, derrotada pelos envenenados olhares de colegas, adversários e concorrentes.

Sendo “a inveja”, como “o ódio” ou “o amor”, um inevitável sentimento humano, transversal a todas as raças e credos, pergunto: afinal como agem os indivíduos de outros povos mais bem sucedidos, para quem a iniciativa, o empreendedorismo e a excelência são propósitos comuns, tantas vezes compensadores? Presumo que o que os distingue é o pragmatismo e a coragem com que se aplicam nos projectos, em contraste com a nossa proverbial pieguice e... o nosso medo, o mais perverso dos sentimentos. É o medo que nos tolhe: somos uma cambada de medricas.

 

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10 comentários

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De Réspublica a 06.12.2010 às 17:05

Estrabão, na sua Geographia, fez uma excelente discrição dos Lusitanos, não se governa nem se deixam governar (citando Cipião), com mais uma série de adjectivos muito interessantes, em particular dedicarem-se ao banditismo e ao ócio!
Sim, referia-se aos Lusitanos, não aos portugueses... mas a referência é tão actual, não é medo, é falta de vergonha e malandrice que nos colhe!
Até o fado, canção dita nacional, se centra nesse aspecto, a canção do bandido e da mulher da vida dos bares de Lisboa, onde se relevam o aspecto decadente de um povo.
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De Anónimo a 06.12.2010 às 23:17

A sua discrição também é excelente. Só com os israelistas é que a sua discrição se torna indiscreta e se vai um pouco abaixo.
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De Anónimo a 06.12.2010 às 17:10

Verdade pura! Eu, por exemplo, tenho uma imensa inveja de SAR o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança Gelada.
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De Anónimo a 07.12.2010 às 10:00

Esqueci-me de dizer que é por não ter sangue azul.

 
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De Luís Serpa a 06.12.2010 às 20:56

Inteiramente de acordo, caro João. E feliz por ver alguém dizê-lo, finalmente. 


Como ciscunstância atenuante só vejo a pobreza: os pobres não são corajosos. 


Ou será ao contrário?
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De Anónimo a 07.12.2010 às 22:35

Somos uma cambada de medricas? Caro João Távora, não! Eu não sou. Partilho do dito segundo o qual as verdades se devem dizer por inteiro...quem tem medo, fica em casa.
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De Anónimo a 08.12.2010 às 01:18

Não sou valente. Mas falo e documento. Coisas da profissão. Acampo onde tiver que acampar e quanto mais me vejo com razão, mais me fortaleço e avanço. Creia-o, sinceramente e sem qualquer tipo de pretensão.
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De Anónimo valentaço a 11.12.2010 às 00:55

É por isso que é anónimo?
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De Anónimo a 11.12.2010 às 01:06

Naturalmente, meu Chico - esperto, no espaço em que escrevo. Ora debite aí o seu nome. Quer ver que ambos não o fazemos por razões consideráveis?

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