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O Expresso lava mais branco?

por José Mendonça da Cruz, em 30.10.10

Esse monstro de conformismo socialista que é o Expresso já cheirou no ar a mudança e procede na edição de hoje às medidas de higiene da ordem: remendar a imagem do PS, lavar as culpas socialistas e distribui-las equitativamente por toda a gente, sobretudo pelos que lhes são estranhos.

Vasco Pulido Valente lamentou, certo dia, a indigência intelectual de uma classe média que tem este como um jornal de referência. Lamentável e triste, sem dúvida. Mas, às vezes, pode ser cómico. O Expresso de hoje é cómico nas facécias descaradas e nos malabarismos patéticos em que se excede para lavar mais branco.

Logo na página 9, Miguel Sousa Tavares culpa Cavaco pela situação económica e pela ruína financeira. Ainda admite que ele tenha feito sérias advertências (como poderia negá-lo?), mas logo insiste que ele esteve calado. Sócrates nunca existiu, nem foi reeleito. Foi Cavaco, portanto.

Na página 11, Fernando Madrinha sentencia que Governo e PSD representam um país onde a irresponsabilidade campeia mesmo nos momentos mais críticos. E desarrinca mesmo esta pérola: «Que a intransigência não é exclusiva do PSD e que as culpas estão bem repartidas.» Palavras para quê? O artista é socialista.

Na página 36, o director cessante, Henrique Monteiro, diz que «Portugal viveu 24 anos sem fazer as reformas necessárias» (o que nos leva a 1986, ou seja, Sócrates igual a Cavaco, compreenderam?).

E na página ao lado, o director indigitado, Ricardo Costa, chama psicodrama às negociações e decreta que elas só serviram as birras políticas de Sócrates e Passos Coelho. «Mas serviu alguém além deles? Não», diz ele. Esqueceu-se das PPPs que deixam de pesar-nos com alguns milhares de milhões sobre os ombros, e do cabaz de produtos de primeira necessidade que serão taxados a 6 e não a 23%, e da tomada de consciência do descontrolo e irresponsabilidade em curso, e do debate relançado sobre o peso sufocante do Estado, esqueceu-se, por fim, de que o fim das deduções fiscais afinal passa a afectar apenas os dois escalões de rendimentos mais altos, poupando 1 milhão e 600 mil famílias. Coisas de somenos. Exactamente como a oposição ou os debates na Assembleia da República.

Bem pode, na página 37, Rui Ramos defender que há caminhos diferentes para sair da crise - mais dinheiro ainda para as mãos do Estado, segundo o PS; mais dinheiro devolvido à iniciativa privada, segundo o PSD. E bem pode constatar que Portugal vive em democracia ,mas não pensa em democracia, como aliás, o pessoal e os comentadores do Expresso acabavam de demonstrar quase em uníssono. Ao pregar tais coisas no Expresso, Rui Ramos prega propriamente no deserto. O Expresso já aponta culpas iguais a todos, à saída do PS; até poder aplaudir de novo o PS, quando regresse.



5 comentários

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De Anónimo a 30.10.2010 às 17:53

Em Portugal, parece que se lava muito e muito bem. Até os neófitos que se querem partidirizar se fazem acompanhar de «tal filosofia».Image
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De Anónimo a 30.10.2010 às 20:52

Mais! A marca está publicitada numa famosa montra em Beverly Hills. Por enquanto.
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De Mário Cruz a 31.10.2010 às 02:59

Meu Deus que exagero sr. Mendonça!!

Leio o Expresso desde 1972 (custava na altura 6 escudos) e nunca o achei socialista.

Acho-o ligeiramente do contra, qualquer que seja o governo. Gosto mais dele quando o PS está no governo.

Sim sr. Mendonça, tem razão num ponto, o Expresso já percebeu para onde as águas estão a virar e começou a posicionar-se contra o novo poder que aí vem, ligeiramente, como é de norma. Fazem bem, o poder seja ele qual for deve sentir-se controlado pelos media. Pena haver poucos órgãos de informação capazes de fazer este controlo de forma profissional e competente.

Cumprimentos,
Mário Cruz
(economista licenciado no ISE, naturalmente da tal classe média...)
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De José Mendonça da Cruz a 31.10.2010 às 22:31


Meu caro Mário Cruz,
Também eu, enquanto era leitor do Expresso, apreciava esse suave movimento do jornal, de se pôr mais crítico de quem aí vinha. Mas deixou de ser assim, ainda antes da mudança de director. Eu apenas li esta edição, e não inventei nada do que citei. É apenas informação parcial e muito má informação.
Cumprimentos
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De Nuno a 31.10.2010 às 09:12

O Expresso tem que fazer pela vida. Se a maioria dos portugueses são de esquerda (e muitos da esquerda mais reaccionária e conservadora) e querem vender jornais, têm que adaptar o produto áquilo que as pessoas querem ler.

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