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Um outro centenário

por João Távora, em 08.10.10

 

João António Gomes de Castro, meu avô e padrinho, nasceu faz hoje cem anos. Filho único de famílias com tradição burguesa e liberal, cedo ficou órfão do pai, tendo crescido no Portugal conturbado do princípio do século. Bancário de profissão e monárquico militante, foi um cidadão do seu tempo: fundou a editora Gama para publicação dos grandes doutrinários da monarquia, foi um dos primeiros portugueses com brevet de aviação civil, e acompanhou S.A.R. no exílio D. Duarte Nuno de Bragança na viagem ao Brasil em que se celebraria o noivado com D. Maria Francisca de Orleães e Bragança. Casou com Maria da Assunção Daun e Lorena, uma mulher fascinate de quem teve sete filhos. Na Avenida da Liberdade em que crescera, no coração do império como alguém chamara, constituiu uma das casas mais luminosas de Lisboa dessa época: muito ouvi eu falar os amigos dos meus tios e avós dos saudosos serões bem-humorados de conversa fácil e erudita, um mundo encantado que eu ainda vislumbrei em pequeno. O 25 de Abril apanhou o meu avô João numa acelerada decadência física causada por uma doença incurável. A revolução ainda teve o condão de lhe avivar a ingénua esperança no restabelecimento da monarquia, por via do sufrágio universal.

Hoje lembro com saudade o Avô João de fato elegante, lenço branco no bolso do casaco, cabelo com gel e cheiro a lavanda.


2 comentários

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De Luísa Correia a 08.10.2010 às 19:55

Gosto imenso de ouvir contar as histórias dos nossos avós e do seu tempo, João. Havia, então, um sentido de honra e um espírito de aventura, que acho um pouco perdidos nos tempos actuais. O espírito de aventura, talvez as próximas gerações o recuperem, por força das circunstâncias. Não estou tão certa quanto ao sentido de honra…
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De João Távora a 09.10.2010 às 20:19

Acho que a passagem do tempo clarifica-nos o olhar, no sentido em que, com a distância ficam os traços principais, sem as mesquinhices. De resto, cara Luísa, entender-mo-nos a nós como elos duma corrente entre o passado e o futuro é a essência do sentimento monárquico. :-)

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