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A promovida

por José Mendonça da Cruz, em 07.10.10

Esta senhora está a ser promovida.

Está a ser promovida pelo próprio PS, de cujo grupo parlamentar é vice-presidente, e que delega nela a responsabilidade de discursar na Assembleia da República durante as comemorações parlamentares do 5 de Outubro. Está a ser promovida como lídima mandatária do discurso sonoro e vazio de Manuel Alegre. E está a ser promovida pela comunicação social, a maior parte da qual está sempre desejosa de inventar uma alternativa desde que seja socialista.

E como se promove a senhora Maria de Belém Roseira Pina?

Promove-se apoiando «pessoas extraordinárias» que fazem «coisas extraordinárias», que foi como ontem referiu a Fundação Champallimaud, no Frente a Frente da SicNotícias.

Promove-se falando da necessidade de um «sobressalto patriótico», a que apelou na AR e que recordou na mesma Sic.

Promove-se espalhando a tinta da culpa que é sua e dos seus por, afinal, todos. Porque - diz ela - «todos somos responsáveis».

E depois - ecoando talvez a sua condição de mandatária de Manuel Alegre - juntando um protesto contra os dissabores a que «os mercados» nos submetem por causa da dívida.

Mas não só não somos todos reponsáveis (antes, são-no os socialistas e as suas políticas) como as dívidas que pagamos foram geradas pelos socialistas (contra e apesar de alertas variados e a tempo acerca de obras megalómanas, gastos desmesurados, Scut, PPP, irresponsabilidade criminosa, em suma).

A timidez de Guilherme Silva, ontem, no mesmo debate, perante este sorridente descaramento espelha bem as dificuldades do PSD na batalha das ideias e da cultura.

À ministra da saúde e da «Igualdade» (palavra, era assim mesmo) do governo socialista de António Guterres, reiteradamente membro do governo mais perdulário logo após o de Sócrates, não podem ser toleradas estas lavagens de responsabilidades e hipotecas.

À vice-presidente do grupo parlamentar do PS, promotor como não há memória desde o PREC dos negócios de bastidores e da manietação da inciativa privada, não se pode admitir - sem gritar por um mínimo de pudor e silêncio - que pretenda colar-se às pessoas extraordinárias do mundo económico, como António Champallimaud, criadores de riqueza e de emprego criticados, perseguidos e expulsos pela esquerda, ou à sua extraordinária Fundação dirigida por uma pessoa extraordinária como é a adversária de Maria Belém, Leonor Beleza.

À dirigente socialista, defensora em todas as horas das políticas pantanosas de Guterres e da bancarrota de Sócrates, não se tolera a desvergonha de vir recomendar «sobressaltos patrióticos», para cuja convocação lhe falta toda a pinga de autoridade moral.

Quanto à «razão, emoção e sentimento» a que a mesma Maria apelava ontem, ibidem (vejam que bem dissimulado, o discurso: nem sequer falou de «afectos»), conhecemo-los demasiado bem. São passagens daquele discurso encantatório, pretensioso e oco com o qual a esquerda engana os ignorantes e faz da cultura uma arma de arremesso. Vimo-lo, exactamente, quando - governava Cavaco, - a esquerda tresleu e falsificou um livro de António Damásio, para (no que seria a visão científica de Damásio segundo a esquerda) apresentar o então primeiro-ministro como um tecnocrata sem alma.

O PSD precisa de encarar estas batalhas a sério, sempre, consistentemente, sem trégua. Precisa de parar a meio quem, como Maria de Belém, tenta passar contrafacção sua por ideias e obras de marca. Precisa de recordar-lhes insistentemente (já que tentam esquecê-lo) o seu próprio passado, as suas posições, as suas políticas, e as consequências à mostra. Precisa de descompor-se um pouco, ser menos elegante na sala, se verificar - como neste caso gritantemente se verifica - que o oponente não tem vergonha nem memória.

Nisso teria contra si, receará algum PSD, a Comunicação Social? Mas que Comunicação Social? A Comunicação Social dos ex-assesores socialistas que retomaram lugares nas chefias, dos ex-deputados socialistas que regressaram ao comentário, dos destinatários de favores e cargos e dinheiros, dos militantes e simpatizantes socialistas obsequiados com progressos de carreira ... essa Comunicação Social, o PSD tê-la-á contra si exaltada e permanentemente, tente o que tente e faça o que faça. Mas quando se fala da importância e necessidade de uma batalha de ideias e cultura, é também disso que se fala.



14 comentários

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De Eduardo F. a 07.10.2010 às 01:37

Há uma outra senhora, esta (http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQFj-WKJf1PlY02lLgUxoKsmFzNJKaUN_1dQCZw9LQA6HyJ8io&t=1&usg=__Su8x2WP260uKBkqK9G_ONTAuET0=), que, tudo o  indica, acompanha a senhora mencionada no post na renovada importância que o PS lhes pretende atribuir. Radica esta observação na relevância da não aplicação do adágio popular muito conhecido e normalmente aplicado aos homens de baixa estatura.
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De Acho eu a 07.10.2010 às 16:41

Essa, então, é o fim da macacada. Um verdadeiro calhau.
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De Nuno Castelo-Branco a 07.10.2010 às 03:28

Caramba, cada vez mais parece uma peruca lacada e ambulante!
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De Anónimo a 07.10.2010 às 12:07

discursou na AR por ocasião das comemorações do 5 de Outubro! logo está a ser promovida. tá bem visto, sim senhor!
olha, o PSD está a promover o Pacheco Pereira!... também vi bem, não vi?!
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De Um nome a 07.10.2010 às 12:53

um postzinho terrorista
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De Francescocc a 07.10.2010 às 14:40



Palavras, muitas…Sem as medidas impopulares de austeridade, a substância do problema surgirá com mais força, depois da "poda" já anunciada…


"todos somos responsáveis". Cada um fale por si. Os discursos andam ao nível dos clérigos, o que não é mau…sabem gerir um país quando há "farturas" emprestadas. Agora lamentam as dores de barriga vindas dos "desgraçados" que mal se alimentam…

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De O teu papá a 07.10.2010 às 16:17


Não deves estar bem da cabecinha para escrever o que escreveste.
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De na cê qué iste qué tenhe a 07.10.2010 às 18:44

Que horror!!
Valha-me deus! Santíssimo Sacramento!!
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De river a 07.10.2010 às 19:38


Qual o problema em ser promovida? Por acaso trabalha? E se trabalha não aspira a ser promovido?
A dor de corno como a inveja anda de mão dada a infestar a mioleira de muita gente neste País.
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De Kruzes Kanhoto a 07.10.2010 às 23:23

Oh,,,,mas é uma senhora tão jeitosa...Pequenina mas com muita arrumação!
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De Marquesa de Carabás a 08.10.2010 às 08:34


Não comento normalmente politica. Neste caso, estrictamente para dizer que o facto da Drª Maria de Belém ter discursado na AR no 5 de Outubro, não se prende com o acima descrito. É normal  e legitimo, que o Senhor Mendonça da Cruz tenha tirado as suas ilações. Mas neste caso, não se aplicam.



Cumprimentos,



Marquesa de Carabás






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