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Agostinho da Silva - vascomrosa

por Vasco M. Rosa, em 11.09.10

 

 

«O que interessa na vida não é prever os perigos das viagens, é tê-las feito», disse ou escreveu Agostinho da Silva, citado pelo Público na legenda Escrito na Pedra.

 

Reconheço a minha desatenção ao filosófo e exilado português no Brasil (onde fez obra memorável), sobretudo depois de, num dado momento, certas figuras de que não gosto nada se terem colocado destemidamente às cavalitas deste gigante com o seu consentimento. Mas a volta dum exilado presta-se a esses equívocos, o que eu não podia então entender.

Depois, em muitas ocasiões, fui confrontado com o prestígio e o trabalho de AS no Brasil, sendo talvez, depois de Fernando Pessoa (e mais que muitos outros nesses anos que o poderiam ter sido considerados justamente, como Adolfo Casais Monteiro ou Jorge de Sena), o português pensante mais instigante. Caetano Veloso, que é muito atento e inteligente, fala dele de vez em quando. Mas há outros, bahianos ou não.

Sei que há um grupo de amigos de Agostinho de Silva, e os seus livros e livros sobre ele têm sido publicados com rigor sob a batuta de Paulo Borges, mas a sua obra aparece pouco nas livrarias, apesar dos cuidados dos seus admiradores.

Não é de estranhar — é de entranhar mesmo…

Ontem, amiga minha em férias nos Açores, avisou que estava chocada por na ilha Terceira, berço de Vitorino Nemésio, não ter encontrado um único exemplar das obras dele (100 títulos?) nas livrarias locais. Isso é simplesmente horroroso!

A actual ministra da cultura foi secretária cultural dos Açores. Que terá ela a dizer sobre isso? Talvez nada. Afinal,  há-de passar… A  torrente mediática vai a favor dos políticos medíocres.

Sem o respeito e a presença estimulante dos nosso Grandes, definhamos ainda mais. O aviso é claro. A lição, aprende-se?



3 comentários

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De Anónimo a 11.09.2010 às 17:09

A lição é passível de ser aprendida. Depende do professor. Os génios são reconhecidos por poucos e estudados muito depois. Se o homem tivesse cantado, teria tantas ou mais homenagens como a Amália Rodrigues.

Post interessantissimo. A sabedoria vem sempre ao de cima. Nunca morre.

Os guardiãoes dos Açores, aqueles que dizem defender a cultura portuguesa...sabe, esses não aprendem. Sossegue, mandei uma rabecada em tempos, ao Mayor lá do sítio, num certo outro sítio e que bem que me soube.
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De Vasco M. Rosa a 12.09.2010 às 08:06

Acompanhando as livrarias e o trabalho das editoras fica-se com uma nítida percepção da loucura actual.


E é curioso que, num país afinal pequeno, as regiões lutem  em bem pela afrmação da sua posição turística mas desdenhem a cultural e literária. É um tremendo contrasenso.


Sou contra a regionalização administrativa, mas defendo essa afirmação das identidades locais que tanto nos enriquecem afinal.
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De Anónimo a 12.09.2010 às 14:28

Desdenham a cultura, a história, a língua. O «Senhor dos Açores» que gosta de discursar enfocando na defesa da mesma história, cultura e língua, não passa, na prática, de mais um teórico que passa «déjá-vus» em jeito de gira-disco.
Com a cumplicidade das autoridades locais...somos uma raça em vias de extinção, em todos os aspectos.

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