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A primeira desde a última

por Rui Crull Tabosa, em 01.09.10

Leio na revista Ípsilon uma interessante entrevista ao historiador Filipe Ribeiro de Menezes, autor de uma nova biografia sobre Salazar.
A jornalista Maria José Oliveira garante que «Esperámos 40 anos por este Salazar», «a biografia mais óbvia» que «até 2009 ninguém ousou» (sic) escrever. «Foi preciso esperar por Filipe Ribeiro de Meneses, um jovem historiador nascido um ano antes da morte do ditador, para finalmente ler "Salazar"».
Talvez a jornalista não saiba, mas nos anos 80 do século passado, já lá vão mais de duas décadas, Franco Nogueira escreveu uma notável biografia sobre esse governante, cuja razão de ser não deixou de justificar também do seguinte modo: "E alem do mais, em qualquer caso, haverá de publicar-se uma primeira biografia sobre Salazar: terá a obra o mérito de desbravar caminho a cronistas futuros: e esses outros, mais frios pela passagem do tempo, melhor documentados pela abertura de novas fontes, menos travados pelo melindre, poderão preencher lacunas, sanar omissões, aclarar o que é obscuro, decifrar problemas."  
Já que a jornalista atribui relevância à extensão da obra de Ribeiro de Menezes, destacando as suas “quase 700 páginas”, sempre cumpre recordar-lhe que o “Salazar” de Franco Nogueira compreende 2902 páginas, distribuídas por seis volumes.
Quanto ao mérito desta nova biografia sobre o antigo presidente do conselho, se ainda é cedo para formular um juízo fundamentado, confesso aguardar a sua publicação com elevada expectativa. É que, tal como sucedeu com a recente "História de Portugal", do historiador Rui Ramos, as respostas de Ribeiro de Menezes, agora prestadas à Ípsilon, evidenciam objectividade, rigor e uma adequada compreensão do Estado Novo, em claro contraste com o serôdio e descredibilizado historicismo neo-marxista, que teima em dominar uma certa historiografia oficial, de cunho marcadamente ideológico e de facção, como à saciedade o demonstra o patético programa comemorativo do centenário da República.



20 comentários

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De Está visto a 01.09.2010 às 13:05

A monarquia constitucional foi bestial.

Salazar bestial foi.

Quando ele caíu da cadeira, Portugal estava, em todos os aspectos, na cauda da Europa por causa do período de 1910 a 1926.

Pois.
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De Anónimo a 01.09.2010 às 14:00

Pois é Salazar foi bestial. Poupadinho...
Lá nos deixou umas barritas de ouro, para os democratas posteriores consumirem... e então, após a revolução dos cravos, de tal forma, que havia gente que não se apercebia que estava a haver uma revolução...depois dessa tirada inteligente e combinada «vamos cantar a Grândola Vila Morena e dar o sinal», Portugal entrou no caminho. Um caminho glorioso, onde pescou as comunidades europeias, e porque Portugal gosta tanto de ser europeu, de estar integrado, de ser moderno, assinou um tratado de doação da sua soberania - temporária- à Europa. Sim, porque Portugal só está na UE porque quer, ele pode sair.

Agora, actualmente, estamos à frente da Europa, em escândalos, em défices, em vergonhas legislativas. Nunca percebi, foi tão célere a aprovação da lei gay e esta coisa da harmonização fiscal (com a Europa), tarda, tarda, tarda, muito.Acho mesmo que nem vai chegar aqui, porque Portugal está muito à frente disso.Penso até que ninguém vai apanhar Portugal, e com Sócrates a correr em todas as cidades do mundo, com o conveniente agraciamento papal e a amizade com o Chavez, duvido que alguém nos apanhe.
Além de que, não nos esqueçamos, o PGR, homem que não liga a bagatelas judiciais, não perde tempo com escutas telefónicas, porque é homem de fino trato jurídico, gosta de ficar sentado ao lado de Sócrates. Portanto, não, nós não estamos na cauda da Europa. Salazar aí fica atras de Socrates.
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De Revisto a 01.09.2010 às 16:33


O PREC saído do 25/4/1974 foi bestial
Com a descolonização exemplar, ainda mais
A democracia saída do 25/11/1975 continua bestial
A CEE e depois a UE, somando o EURO foi tudo bestial
Quando os dirigentes poliicos responsáveis por isto tudo se reformarem (ainda vai demorar, pois há que acumular mais um pouco), Portugal ficará, ainda, na cauda da Europa, ou do que dela restar, se ele ainda houver.
Posso dizer: pois ?

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De Anónimo a 01.09.2010 às 17:45


Á vontade. O «pois» até já é uma expressão dos costumes portugueses. Na verdade, somos todos «pois».
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De Rui Crull Tabosa a 01.09.2010 às 17:50

Informe-se um pouco melhor sobre o crescimento económico entre 1910 e 1926 e sobre o crescimento económico dos anos 60 e primeira metade dos 70, antes de escrever disparates que, de resto, nada tinham a ver com o Post.
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De Disparates? a 01.09.2010 às 18:38

Disparates é vir reescrever a história das décadas em que Salazar mandou.

Não é preciso ir informar-me.

Infelizmente para mim, eu já cá andava, embora rapazito, no final do tempo de Salazar, início do de Marcello Caetano.

Não só ainda me recordo de como era a vida em Portugal, como me recordo, muito bem, por sinal, da primeira vez que fui a Londres e a Paris, com os meus catorze, quinze anos, e a enorme estupefacção e admiração que me causou a profundíssima diferença que constatei entre o que por lá vi e aquilo a que estava habituado aqui na terrinha, onde era patente uma enorme miséria e nenhuma qualidade de vida (não admito que me digam que era mentira, são coisas que vi com os meus próprios olhos).

Isso nada tem a ver com o estado a que isto chegou, 36 anos depois.


 
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De E para acabar, se me dão licença a 01.09.2010 às 20:34

Ainda me recordo também de que no Liceu, numa turma de à volta de 40 (eu era o 36, 38, 39, por aí, por ter nome começado por R) só eu  e um colega de turma termos pais que possuiam automóvel.

Mais me recordo de ir a casa de colegas e ficar admirado com o que via: casas de banho a fingir, comiam pessimamente, para não dizer que passavam fome, não tinham brinquedos praticamente nenhuns, vestiam roupa remendada... e por aqui me fico.


 
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De Anónimo a 01.09.2010 às 22:39

 E quando casou? Escolheu uma menina filha de pais com pópó ou uma daquelas de casa mais pobre?
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De Anónimo a 02.09.2010 às 09:25

Não entende a preocupação. E repare que Salazar, por sinal, nunca casou.
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De Anónimo a 02.09.2010 às 14:13

Claro que entendo a preocupação e concordo com o que diz. Só brinquei consigo.
Quanto a Salazar, nunca casou? Bem, parece que não, mas também parece que ele ia casando e olhe que as bonecas eram muito bem «apessoadas». Porquê? O homem não era nada engraçado, mas tinha certamente qualquer coisa.
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De Concluindo (I promise...) a 02.09.2010 às 18:41

Queria eu dizer «não entendo a preocupação», o «entende» foi gralha.

Mas, acredite ou não, casei com uma menina mais pobre e até hoje a coisa tem corrido menos mal.

Sublinho que no que disse em anteriores comentários não se deve vislumbrar qualquer mania de superioridade, eu simplesmente tinha pai e mãe (já falecidos) que trabalhavam, ao contrário do que na altura era regra, não sou descendente de nenhuma família ricaça. Nada de vivenda no Restelo, casa de férias em Cascais (a Cascais da época) ou propriedades no Alentejo. A casa onde morávamos era até arrendada.

Já quanto ao que Salazar tinha, uma série há tempos passada na SIC pareceu-me muito a puxar ao que eles entendem ser os actuais gostos, mais não sei.
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De Anónimo a 02.09.2010 às 19:45

Aprecio a sua humildade e gentileza na resposta.


 
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De João das Regras a 01.09.2010 às 21:15

Se hoje voltar a Paris e a Londres verificará que a diferença para com Lisboa, deve ser igual ou superior aquela que encontrou na época que refere. Se entende que a evolução encetada nos finais dos anos cinquenta e acelerada nos finais dos anos sessenta com Marcelo, não iria conduzir Portugal a médio prazo para uma aproximação dos níveis da Europa ocidental, então sim digo que a sua visão está tingida pela facciosidade , pois eu também já cá andava e também ia a essas cidades e outras, mas conseguia discernir a diferença de meios existente e a capacidade para desenvolvimento que o governo português conseguia imprimir à sociedade.
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De Todos facciosos a 02.09.2010 às 09:24

Ó sr., se há coisa que não sou é faccioso.

O que digo e afinal Francisco Menezes também diz vem até transcito nos exerctos da entrevista dele ao Público publicados mais abaixo.

Nesse caso, ele também é um faccioso.
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De Em tempo a 02.09.2010 às 11:53

Correcção: "transcrito",  "excertos"
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De Velho da floresta a 01.09.2010 às 15:46

Conheço a biografia escrita por Franco Nogueira, que considero interessante apesar de alguma parcialidade na análise, mesmo assim não é uma obra encomiástica, todas as obras que entretanto saíram sobre aspectos da vida politica e privada de Salazar, nunca tentaram ser biografias mas sim análises da vida de Salazar maioritariamente sensacionalistas e profundamente parciais em termos políticos O aparecimento de uma obra de grande fôlego , independente e equilibrada na sua análise de Salazar é algo que se saúda e recomenda.  
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De Excerto da entrevista de F.Menezes a 01.09.2010 às 19:09

Muitas coisas falharam. Por um lado, o mundo estava em plena transformação, a começar pelo resto da Europa ocidental, cuja recuperação económica após a guerra foi fulminante. O Portugal descrito por Garnier - a última Arcádia - era uma fantasia. A pobreza, por vezes extrema, era uma realidade à qual Salazar era insensível. A modernização em curso tinha de ser controlada pelo Estado, de forma a minimizar as consequências sociais e políticas; tinha de haver progresso, mas não se queria pagar o preço da incerteza por ele causada. E tudo tinha de ser feito de acordo com a ortodoxia financeira ditada por Salazar. Quem viajasse, como Delgado fazia constantemente, quem pudesse comparar friamente Portugal ao resto do mundo ocidental, entenderia que a distância que os separava estava a aumentar por causa da lentidão do crescimento. Entenderia também que os custos humanos desta lentidão eram elevadíssimos. E porquê? Seria mesmo verdade que só Salazar era capaz de manter a paz social? Que Portugal não podia pagar a educação e alimentação de todas as suas crianças? Treze anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, e mais de 30 anos depois do 28 de Maio, era preciso ainda suportar a PIDE, a censura e uma máquina administrativa insensível às necessidades da população e aberta a todos os tipos de abusos? Eram os portugueses assim tão ingovernáveis?
Delgado conseguiu levar estas questões ao eleitorado. Era o seu nacionalismo que o forçava a agir antes de o país se perder. Apresentou-se como um homem que tinha vencido o medo de dizer o que muitos pensavam. E conseguiu unificar as várias oposições, simplificando a escolha que se punha aos eleitores: ou ele ou Salazar. Não sabemos, pura e simplesmente, quem de facto eles escolheram.
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De Idem a 01.09.2010 às 19:11

O Portugal de Salazar herdou da República e da Monarquia Constitucional um colonialismo totalmente irrealista. As colónias pareciam garantir a prosperidade e mesmo o futuro, mas eram, na realidade, um fardo. Estávamos em África desde o século XV, mas as campanhas de "pacificação" arrastavam-se ainda no século XX. Angola e Moçambique eram potencialmente riquíssimas, mas Portugal não tinha capital financeiro e humano. Éramos todos portugueses, mas havia portugueses de primeira e de segunda. A empresa colonialista dos séculos XIX e XX continha contradições que, com o passar dos anos, se foram tornando evidentes, levando a que países como a França e a Grã-Bretanha aceitassem a inevitabilidade da descolonização
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De Anónimo a 01.09.2010 às 21:18

Eh, pá, isso é uma análise um bocado esquerdista, carago! Descolonização inevitável?! Onde já se viu!
 
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De Anónimo a 04.09.2010 às 14:40

Este post é importante porque revela uma estratégia desde há muito seguida pela esquerda em Portugal - nada existe e nada pode existir que não tenha a sua caução. É este terrorismo cultural que se torna indispensável combater. Quanto ao livro de Ribeiro Menezes, que já consultou vários capítulos, parece-me importante pelo rigor e pela isenção e instrumento adequado para fazer cair os mitos e fantasmas tecidos pela esquerda sobre Salazar. Em especial, o seu "fascismo". Salazar foi um conservador - nunca foi um revolucionário (no sentido fascista do termo).
A fada madrinha

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