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A cara do grau zero da política

por José Mendonça da Cruz, em 13.07.10

 

A compra pelo governo de 922 automóveis para seu uso entre 2008 e 2010, os piores anos da crise gerada pelos socialistas e agravada pela crise internacional;

 

A miseravelmente enganadora e profundamente triste explicação do governo de que se trata, não da compra de carros, mas de «actualização do inventário»;

A ideia profundamente socialista de que na compra de 922 automóveis de luxo novos para uso dos governantes não se gastaram dezenas de milhões de euros, mas antes se «pouparam» 3 milhões (em relação ao gasto maior que poderia ter acontecido, reparem), porque a compra foi feita centralizadamente;

Aquela fundação, como  noticiava ontem o Público, que nunca funcionou durante anos, nem ameaça funcionar em breve, mas que, no entanto, tem um conselho de administração;

A ideia de que as viagens aéreas de deputados devem ser feitas em 1.ª classe, sob pena de serem humilhantes em turística (suponho que como os socialistas consideram ser todas as viagens oficiais feitas por todo o pessoal administrativo dos EUA);

O défice de tesouraria (de tesouraria) da Estradas de Portugal, que foi em tempos uma instituição séria sob o nome de Junta Autónoma das Estradas, e anda hoje embrulhada no monumental embuste socialista das estradas anunciadas como «gratuitas»...

... são apenas sinais daquilo que muitos sabem há bastante tempo. Que temos enquistada no aparelho do poder, com tentáculos bem firmados e sôfregos, uma clique cujo único propósito é perdurar, para vantagem e conforto seus e dos seus amigos, e que não conhece na prossecução desse desejo quaisquer limites de ordem política, nem económica, nem financeira, nem ética.

Um povo que reeleje para o governar quem desbaratou dinheiros públicos, sufocou a economia e destruiu o emprego, quem mentiu durante o processo eleitoral mentiras que só um imbecil não identificaria, é um povo que confirma a sua sujeição - mesmo tendo em conta que parte dos eleitores socialistas serão interessados directos e outra parte simplesmente idiotas.

Mas o povo que não reelegeu esta gente ávida e incompetente, mais o povo que se arrependeu tardiamente, está, ainda assim, refém.

Está refém deste governo indigno.

Está refém de um Presidente da República que põe as suas contas eleitorais próprias acima da correcção do descalabro.

Está refém de uma oposição medrosa e sem alma de estadista, que vai subscrevendo o aumento da canga e a pontua com protestos sem consequência.

E está refém de uma comunicação social sem brio nem honra, que vai proclamando grandes feitos como a criação de mais vagas no ensino superior (resultantes sobretudo do crescimento dos cursos nocturnos), e se refugia no futebol, em polvos, e em parvoíces, para se abster do seu dever informativo e de controle.

É o grau zero do serviço público, o grau zero da sociedade civil.

Nós, merecemos a crise.

E é justo que o nome de Sócrates fique perenemente ligado ao que Ernâni Lopes chamou, ontem, o pior dos últimos 50 anos, o irrealismo, a fantasia, a irresponsabilidade, o engano, o grau zero da política, da economia e da ética. 



7 comentários

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De Maluqueira generalizada a 13.07.2010 às 12:24

A ideia de Ernâni Lopes de levar tudo a eito, cortando indiscriminadamente 15% ou 20% (provavelmente 20%) dos salários aos funcionários públicos também me parece um desarrincanço daqueles que até eu tinha sem sair de casa e fazendo umas contas às três pancadas em cima do joelho.


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De Anónimo a 13.07.2010 às 12:36


Eu não sabia o que era um «provinciano deslumbrado». Mas deve haver engano, caro José Mendonça, pois parece-me que só foram nomeados treze chauffeurs...922 carros...é muito carro para guiar e puxar lustro, não acha?Image
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De Aires Vilela a 13.07.2010 às 14:34

Excelente texto!
Deveria ser impresso aos milhões e distribuído por todo o País, a ver se esta gente finalmente acorda.
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De Velho da floresta a 13.07.2010 às 16:05

Há umas semanas atrás com um grupo de amigos, assisti ao programa plano inclinado em que o convidado foi Vitor Bento. Fizemos umas contas rápidas, com base nos numeros lançados por Vitor Bento, de uma divida real total de mais de 240% do PIB e na taxa de juro da divida a partir de 2014, tendo chegado à triste conclusão de que este ou o próximo governo, terá que obrigatóriamente reduzir os salários de toda a função publica, desde o poder central ao local mais os institutos publicos e organismos equiparados, e a titulo de exemplo os de toda a classe politica, exceptuando os salários abaixo de 800,00 euros, todos os salários até 1.500,00 com um corte de 10% e os superiores a este valor até  3.000,00 euros com um corte de 15%, todos os superiores a 3.000,00 euros com um corte de 20%, todos os superiores a 5.000,00 euros com um corte de 25%. Apenas com este corte radical na parte da despesa respeitante a salários e com a imediata entrada em vigor, de medidas de contenção também radicais nas aquisições de material e equipamento, só se compra novo o que for absolutamente esssencial, e apenas para substituir o irremediavelmente estragado e sem hipótese de recuperação ou arranjo.
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De Zé da Burra o Alentejano a 14.07.2010 às 10:51

Como medida higiénica quanto a sacrifícios dos portugueses punha um tecto de 5000 euros para o valor das reformas ou outras regalias do género como as que certas empresas pagam a antigos gestores. A diferença ia directamente para os cofres do Estado. Quanto aos bónus dados por certas empresas a alguns dos seus executivos seriam taxados às empresas com um valor igual para o Estado. 
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De Zé da Burra o Alentejano a 14.07.2010 às 10:53

IMPORTANTE: Como factor de não discriminação o tecto de 5000 euros de que falei seria aplicado às reformas e beneficios já conseguidos.
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De Zé da Burra o Alentejano a 14.07.2010 às 10:58


Quando digo "já conseguidos" excluo o que já foi pago e que poderá ter sido até gasto. Tal seria injusto e ilegal. Seria aplicado, portanto, aplicado aos pagamentos posteriores à saída da tal lei. Há que aperfeiçoar mas o princípio é este...

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