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O cavalo de Tróia

por Pedro Quartin Graça, em 30.05.10

Prometeram-se mundos e fundos mas, essencialmente, que a paisagem daquela importante zona dos arredores de Lisboa melhoraria. Já sabíamos que a decisão de demolir o velho hotel Estoril Sol tinha partido dos proprietários dado que vinham acumulando prejuízo atrás de prejuízo, ano após ano. A ideia de demolir o Hotel Estoril Sol trazia pois "água no bico" porque de uma decisão deste género por parte de promotores nada de bom se pode, infelizmente, esperar... Mas o resultado foi pior, muito pior do que alguém pudesse sequer imaginar. O que nunca pensei é que o novo projecto fosse tão mau, tão mau, que me faria pedir, de imediato, o regresso do anterior hotel. É uma verdadeira vergonha aquilo que se construiu no Estoril com o beneplácito da Câmara Municipal de Cascais. Um projecto sem qualidade arquitectónica ainda que assinado por um arquitecto de renome. assemelhando-se verdadeiramente a um "cavalo de Tróia" que tomou de assalto aquela zona nobre da Costa do Estoril. Um verdadeiro crime de lesa paisagem. Como bem refere Sejo Vieira no "Causa Nostra", as torres da Vergonha erguem-se imponentes, arrogantes e esmagadoras, como esmagador e arrogante é o seu desprezo pela magnífica costa do Estoril, que sempre soube, ao longo da marginal que vem de Lisboa até Cascais, presentear os portugueses e os visitantes estrangeiros com uma equilibrada e requintada arquitectura e uma edificação urbanística exemplar, raramente observadas em outros litorais nacionais e europeus. (...) Hoje, a primeira região oficial de turismo do País, sendo conhecida internacionalmente como a Riviera Portuguesa está ferida de morte. Foi cometido um crime contra a sua silhueta urbanística e natural, autêntico património mundial, contra o ambiente, contra o desenvolvimento turístico nacional e contra os portugueses. Este crime revoltante, destruidor da magnífica paisagem natural e urbanística da Costa do Estoril, tem como principais autores o Presidente da Câmara de Cascais, a empresa Estoril-Sol e o autor deste lamentável aborto arquitectónico, o sr. Gonçalo Byrne. Sobre este último personagem podemos dizer que merece o prémio da mediocridade e da pirosisse arquitectural. Em substituição do anterior mamarracho, não soube imaginar um edifício capaz de se inserir harmoniosamente na vila de Cascais e na linha da costa. Desde a Azarujinha até Cascais, o nosso olhar é agredido pela desconfortante visão dos caixotes envidraçados. É uma obra grotesca, um insulto à inteligência de qualquer pessoa, e é, sobretudo, o símbolo das nossas elites parolas. As torres Byrneanas mesmo em zonas modernas de uma qualquer cidade europeia, seriam vistas como uma aberração do ponto de vista estético. Do alto da sua compactada imponência, elas brilham, no reflexo das suas ridículas carapaças esmaltadas, pela simplicidade parola de um estilo pomposo a cheirar ao minimalismo cá da terra.(...)
É confrangedor que ninguém, nas altas esferas do Estado, tenha criticado, protestado, combatido esta ignomínia. É revoltante que os nossos políticos, os nossos intelectuais, os nossos artistas sempre prontos para defender as mais esdrúxulas causas, se tenham abstido de defender um património tão significativo.
As torres da Vergonha erguer-se-ão como a face visível da Vergonha que alastra por este país fora.(...)"

 

Que vergonha Dr. Capucho. Que vergonha Arq. Gonçalo Byrne. Meu rico Estoril Sol...

 

Nota- Ler mais aqui nomeadamente a interessante sondagem.


13 comentários

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De Vasco Rosa a 30.05.2010 às 15:13

É um mostrengo tão absurdo que não há quem o entenda.


Naquela abjecção hihg tech mas vazada de humanidade, ninguém há-de poder aproveitar a brisa duma noite de verão numa varanda ou terraço — para mim basta-me isso para recusar aquela macha na paisagem discreta dos Estoris. Vista da marinha de Cascais é incompreensível... 
Arre, que azar!

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