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A nossa liberdade condicional

por João Távora, em 22.05.10

 

 

Passou demasiadamente despercebida na blogosfera a notícia publicada ontem no Jornal i sobre a um projecto escolar no distrito de Aveiro a respeito dos cem anos da república portuguesa em que alguém se atreveu a incluir um quadro sobre o período da 2ª República. Lendo a notícia não se percebe tanta indignação, porquanto professora Joaquina da Conceição, responsável pelo projecto defende que conhecendo o Estado Novo "podemos compreender o 25 de Abril e perceber porque é que o 25 de Abril foi necessário".

O Estado Novo continua ser injustamente o parente pobre da nossa centenária república, apesar de não passar dum subproduto do regime terrorista seu antecessor. De resto, não será por acaso que a indignação de alguns escrupulosos pais e professores tenha sido assumida pelo deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares, que se tomou de calores denunciando obrigar alunos menores de idade a serem actores num acto laudatório e acrítico de uma página negra da história de Portugal. A História instrumental sempre teve os seus mais fanáticos partidários e pior do que apagar ou adicionar factos, só mesmo a sua manipulação: os mais atentos sabem bem que o regime jamais promoverá uma rememoração isenta da república que celebra e publicita pelas escolas do País. Como bem sabemos a estratégia da Comissão para as Comemorações do Centenário da República contornou habilidosamente os engulhos que constituem os factos históricos com um discurso exclusivamente focado nas intenções e princípios abstractos da democracia, aliás emergentes e comuns às monarquias constitucionais modernas. De resto uma abordagem desapaixonada aos factos subsequentes ao golpe de estado do 5 de Outubro, como as perseguições à Igreja, os assaltos e encerramentos de jornais, a restrição aos ancestrais direitos de voto, as prisões políticas, a criação da Formiga Branca, organismo antecessor da PIDE e todo o terrorismo de Estado, seriam assuntos de insubestimável importância para uma compreensão do golpe militar de 1926 e a emergência de Oliveira Salazar e do Estado Novo.

Triste é constatar que afinal os portugueses, através dos seus media e representantes eleitos, mantém a terminante e comprometedora recusa de se olharem cruamente ao espelho da sua história, livres de tabus e preconceitos ideológicos: essa é uma matéria cada vez mais limitada ao meio científico e académico que afinal o regime zela vigilante para que não extravase as bibliotecas e os gabinetes e universidades.

 

Publicado originalmente aqui



8 comentários

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De Ega a 23.05.2010 às 13:53


Caro João Távora:
Levei este seu post ao «ALMANAQUE REPUBLICANO».
Veja só a reacção dos mesmos. Do que percebo, parece que querem a casa fechada e trancas à porta... Não vá alguém roubar-lhe a Ética...

Temos de volta o boticário Ega. Ressurgiu o rapaz, vincando novamente carta patente d'outros. Sem cerimónias invade coisa alheia e traz consigo historietas grotescas e mal-amanhadas. Ok!

Diga lá, escrevinhador Ega, em que é que o seu levantamento jornaleiro (e de outrem) tem a ver com a nossa insuspeita posta. Não se compreende! Aliás, ao que parece a inteligência em si é retardatária.

Que raio de assombro (ou paranóia) é o seu (e do seu redil) para sacar da trombeta doutrinária e bramir o arrocho, muito pouco fidalgo diga-se, para intempestivamente entrar em casa alheia (séria e de boas famílias) afirmando comoções buliçosas, literatura barata e picarescas “estórias” que não conhece, nunca estudou, por delírio, ignorância e fundamentalismo pio?

Acaso o charameleiro Ega – sublimado à figura do Botas de S. Comba e tão lacrimante relativamente ao Estado Novo – tem ideia do terreno fértil onde o monarquismo (do fascista ao liberal) navegou nos tempos do Sidonismo (ou República Nova)? E de como esses curiosos “defensores do trono” apoiaram a ditadura sidonista, assumindo (sempre!) o Dezembrismo como o exercício autoritário do poder, anti-democrático, anti-parlamentar e anti-liberal e que permitiu que conhecidos azuis e brancos abraçassem a ditadura (como antes o pimentismo), como mais tarde o golpe militar de 28 de Maio e o Salazarismo? Não teve notícias, mesmo que em espírito, dos movimentos monárquicos contra a República: o de 29/09/11, seguido da incursão da Galiza de 5 de Outubro, e depois 3/07/12, como a tentativa pífia de Azevedo Coutinho (21/10/13), depois o pronunciamento de Mafra (20/10/14)? Não conhece os trechos rutilantes de Manoel Valente (“A Contra Revolução Monárquica”, 1912), onde a pusilanimidade e a cobardia estão por todo o lado? Desconhece os dizeres de Pereira de Sousa (“No julgamento de Couceiro”)? Ou a copiosa livralhada de manifesto apoio germanófilo, dos caixeiros azuis e brancos?

Acaso o nosso prosista, por ora transfigurado em impiedoso “democrata”, nunca leu o “Dia”, “A Pátria”, “A Monarquia”, o “Diário Nacional”, o “Comércio de Viseu”, “O Liberal”, a “Ideia Nacional”, “A Restauração” ou o diário “Revolução”? Será que inefável Ega (quanto o autopsiador JT) não lê Alfredo Pimenta, Hipólito Raposo, António Cabral, Paiva Couceiro, Rocha Martins, Luís de Magalhães, Cunha e Costa, Homem Christo Filho, Canto e Castro, António Sardinha, Aires de Ornelas, Alberto de Monsaraz, António Teles de Vasconcelos, José Fernando de Sousa (Nemo), Visconde do Banho, o Visconde de Porto da Cruz, João do Amaral, Pequito Rebelo, João do Ameal, Teófilo Duarte, Xavier Cordeiro, Manso Preto, Jorge Camacho, Pereira de Sousa, Rolão Preto, etc., etc? Acaso o trivial Ega não consegue entender a apostasia dessa gente (adesivos uns, outros nem por isso) e de como abraçaram a contra-revolução, o reaccionarismo e (muitos mesmo!) o fascismo?

Evidentemente que não! Se não o seu “talento” seria outro e, assim expurgado, teria entendido que a sua desagradável (quanto leviana) prosa & as suas quimeras são de péssimo gosto, numa casa que, como a nossa, se quer séria e de companhia. Trate, pois, de estudar a “sebenta”, com esforço e com alma, para granjear aprumo e deixe de ser intrometido.

Passe bem!

J.M.M.

Maio 23, 2010 1:36 AM


 


E aqui o «intrometido», todo contente:


Obrigadinho, ó rapaziada!
Isso é que é ética dialogante. Falavamos nós dos 48 anos de República santacombista, portanto.

Levo daqui o v/ recado para o Corta Fitas. à consideração de todos.
Gratissimo, uma vez mais, disponham sempre da minha botica que o remédio cura tudo.

J. da Ega

Maio 23, 2010 1:52 PM

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De Marquesa de Carabás a 23.05.2010 às 15:36


Senhor Ega,

É triste que as coisas sejam assim. Que os debates não sejam abertos e os relacionamentos entre as pessoas , não se processem de forma educada.
Perde o "Almanaque Republicano". Ganham as pessoas educadas, independentemente dos pontos de vista que possam defender.
Mas é bom, que se marquem e se mostrem as diferenças.


Cumprimentos,



Marquesa de Carabás
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De Ega a 23.05.2010 às 16:17


Senhora Marquesa, minha Senhora:

Pois eu acho que estes rapazes do Almananaque Republicano prestam um enorme serviço ao País.
Isto é: esclarecem o País.
Desde logo, porque entram na adjetivação fácil, com a mesma facilidade com que escamariam uma pescada no mercado.
Depois porque não têm argumentos nem ciência. Misturam tudo. Sídónio com Canto e Castro, Canto e Castro com Paiva Couceiro, Paiva Couceiro com Rolão Preto... Uma confusão.
Também porque não têm sentido de humor. Nem capacidade de resposta.
Depois porque vivem a olhar para o umbigo. E indignam-se quando lá entra alguém que não seja do clube deles. Repare com logo tratarm de rotular o J. Távora de «autopsiador».
Depois porque usam aquele lihguagem redonda e grave, qual poeta Alegre junto à tuma do Torga. O que os torna ainda mais hilariantes.
Finalmemte porque está, nestes rapazes, bem viva, toda Ética republicana. A Ética e a aritmética. A tal que diz que 100= 100-48.

Ora, tendo a franqueza e a frontalidade de assim se manifestarem, os rapazes do Almanaque fazem realmente politica às claras e confirma-se que não estão ali para enganar ninguém. Logo merecem que os ajudemos a serem lidos por alguém.

Queira V. Ex.cia, Senhora Marquesa dar também o seu valioso contributo para que esses esforçados republicanos saiam enfim do anonimato.

Sempre com o maior respeito
J. da Ega
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De João Távora a 23.05.2010 às 16:28

Caro João da Ega: hesitei responder tal é o tom insultuoso do senhor, mas lá deixei uma nota.


Forte abraço
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De Ega a 23.05.2010 às 16:37


Caro João Távora:
Insultuoso, confesso que não achei. Enfim, diria antes obtuso e pretensioso.
E, como já referi à Senhora Marquesa, vindo de uma cabeça que não tem nem ideias nem conhecimentos lá dentro.
O que facilita imenso a vida a quem pugna por que a verdade não se afogue nessas traiçoeiras águas ético-republicanas.
Um abraço
J. da Ega
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De Ega a 23.05.2010 às 16:44


P. S. Apanhou aquelas tiradas do «vincando carta patente d'outros» e da invasão de «coisa alheia»? Uma delicia.
E a da «trombeta doutrinária e bramir o arrocho»?
Só hoje assim aprendi que os elefantes brandem. Eu pensava que bramiam...
Sem imagem de perfil

De Marquesa de Carabás a 23.05.2010 às 19:45


Senhor Ega,

Deixo para quem tem mais preparação, como é  seu caso e o do João Távora, o debate Monarquia/Républica. Mas vou lá deixar uma nota.
A monarquia é um regime que tem muitos adeptos em Portugal.
E um regime seguido em variadissimos países da Europa. É pois uma opção a ter em conta e a respeitar.
Eu própria já vivi numa monarquia.
Independentemente de se ter uma opinião a favor de um ou de outro regime, que seja dada educadamente e usando argumentação adequada.




Cumprimentos,



Marquesa de Carabás
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De Ega a 23.05.2010 às 20:25


Cuidado Senhora Marquesa: lembre-se de Maria Antonieta.E d' El-Rei Carlos, a quem Afonso Costa ameaçou com a guilhotina a acabou por o mandar matar a tiro.

No mais, Senhora Marquesa, isto é como ir à pesca. A gente lança-lhes o isco e essa variedade republicana tão comum, o MM qualquer coisa, morde-o sistemáticamente. E ingénuamente. Depois é só rebocá-lo para os blogs democráticos e revelar o veneno das suas vísceras. Por mero dever cívico, claro.
É sempre uma actividade de lazer, com o atractivo do peixão espernear a bramir o arroxo e brandindo como um elefante. Vá lá espreitá-lo, a ver se não é assim.

Grato pela sua atenção, Senhora Marquesa, aceite os cumprimentos do
J. da Ega

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