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O Papa e os ... papões!*

por Pedro Quartin Graça, em 13.05.10

* Impossível não reproduzir, na íntegra, com a devida vénia, o genial texto de Nuno Castelo - Branco no Estado Sentido. Disse tudo o que havia para dizer. E muito bem.

 

"Como afirmou o Papa, «um povo, que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos claramente enunciados.» É como estamos.

(João Gonçalves, in Portugal dos Pequeninos)

Este post diz praticamente tudo o que havia para comentar. No entanto, peca por demasiadamente condescendente. O que ontem se viu, desde a chegada do avião papal até à missa no Terreiro do Paço, foi de bradar aos Céus! Começando logo na indumentária da residente de Belém, ninguém do preclaro - é o termo - protocolo de uma instituição que suga anualmente o dobro do orçamento auferido por qualquer Casa Real europeia, deve sequer sonhar que vestidas de branco só se apresentam diante do Papa, as soberanas católicas! Depois, foi um friso lamentável de gente que não sabia onde se meter, desde militares embaraçados e fazendo cada um a continência segundo a sua maneira, até aos políticos conhecidos por serem fervorosos adeptos de outras "religiões", especialmente aquela que tem andado em voga e que dá pelo nome de uma cadela russa que há meio século foi ao espaço*.

Não se pouparam a nada para tentar agradar e neste ano de funestos pressentimentos, bem precisam de uns arremedos de pompa, ou daquilo que eles pensam ser grandeza. Aviões-caça F-16, helicópteros Merlin, Guarda Nacional em grande uniforme azul e branco, Meninos da Luz, PSP e Forças Armadas por todo o lado, uma boa orquestra numa das mais belas e grandiosas praças do planeta Terra - a "ominosa Monarchia" sabia bem construir e criar cenários de magnificência -, a TV do Estado a todo o vapor e os pivôs a apelarem à lágrima fácil. Tivemos de tudo, não um pouco, mas um sim um pantagruélico banquete de popular vingança pelas afrontas a que o Esquematêm submetido este país quase milenar. Imaginemos a quantidade de gente que ontem deve ter sofrido de todo o tipo de mazelas digestivas, desde os senhores da parasitagem bloqueira, até ao Grande Sacerdote dançarino da pandeireta à volta da Árvore. Guinchos, cançonetas com a ranhosa e entaramelada vozita do Zeca, arranhões nos quistos sebáceos da cabeça, re-leituras exorcistas dos feitos do Fouquier-Tinville, tudo deve ter servido. Para cúmulo, no telejornal da TVI, o dr. Carvalho da Silva estava visivelmente rendido à figura de Bento XVI. Foi uma autêntica noite de Valpúrgis!

No Terreiro do Paço, António Costa ofereceu as chaves da cidade a Bento XVI,  atitude que quisesse ou não quisesse, era obrigado a tomar.  Quando o Papa se lhe referiu e deu um sentido mais amplo a essa Lisboa de outras eras e Impérios, o edil descomunalmente inchou de gozo, num indisfarçável sorriso de uma reconhecida proeminência que não se limita ao imparável ventre. O rebocado Zé sabotador de túneis também esteve presente e ficou entre o aperto e o beija mão. Não se percebeu, mas o que conta foi aparecer em cena. No momento em que a TV mostrou as imagens da comunhão dispensada pelas mãos do Papa, foi sem surpresa que verificámos as trunfas a pleno vento de algumas "esposas" - a de Belém incluída - , enquanto uma ou duas senhoras sabiam que a mantilha é obrigatória (?)  nestas raras ocasiões.

Estiveram lá todos. Aqueles que nos seus jornais patrocinaram durante anos uma intensa campanha contra Bento XVI - ou o sr. Balsemão não é também patrão do "safarista militante" sr. Sousa Tavares ? - e dúzias de participantes da abstrusa "comissão oficial do centenário" que se tem dedicado a tecer loas ao mais mortal inimigo que a Igreja já teve em Portugal. O Eng. Sócrates também se apressou em aparecer na foto e um bocadinho atrapalhado - o que a Fernanda Câncio e a Isabel Moreira lhe irão dizer! - conseguiu chamar "Sua Eminência" ao Papa. Enfim, já estamos bem a ver o que sucederá na próxima visita de qualquer monarca estrangeiro a Portugal. Pela lei das proporções, o Rei de Espanha passará por "Senhor Skipper", a Rainha da Holanda por "Senhora Queijeira" e quem sabe? a Rainha Isabel II poderá muito bem juntar ao títuloDefensora da Fé, o sempre na moda e prestigioso "Senhora Arquitecta".

Já esta manhã, a Dª Canavilhas foi a correr para o CCB, já esquecida do 31 de Janeiro e das alarvidades que com a eterna pepsodentica dentuça arreganhada, costuma emitir a respeito da ribombante alvorada do 5 de Outubro. Outras conhecidas ratazanas regimenteiras também lá deram um salto, embora se duvide de sequer conseguirem distinguir o Pai Nosso, da Avé Maria. Tal como Mário Soares sempre sofreu de deslumbrados delíquios diante de qualquer sotaina cardinalícia ou dos arminhos da realeza, estes arrivistas envolvidos em todo o tipo de torpezas que contrariam aquilo que pregam dia após dia, acorreram em massa. Foi isso que hoje me disse um dos presentes, também chocado por verificar a comparência no CCB, da chusma de papões que conhecemos pelas piores razões possíveis e imagináveis. Os papões, ansiosos por ver o Papa.

Apesar de tudo, houve o tino suficiente para dar relevância a Manoel de Oliveira, que proferiu um discurso que não deve ter agradado a muitos dos presentes que o aplaudiram."



6 comentários

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De O Falso Rei das Pampas a 13.05.2010 às 11:43

E as peúgas, pá, as peúgas!
Um horror.

 
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De Amêijoa fresca a 13.05.2010 às 13:33

Escamotear os mexilhões com...

Tantos discursos portentosos
de psitacismo eleitoral
brotam de motivos ventosos
qual patologia visceral!

A governação declinável
de argumentos coerentes
tem um carácter entranhável
de verborreias referentes.

São distorcidos muitos milhões
em vis políticas amorais
escamoteando os mexilhões
com argumentações viscerais.
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De Anónimo a 13.05.2010 às 13:35

«Este» Nuno Castelo - Branco efectivamente escreve bem, com conteúdo, com ironia certeira, sem gastar balas escusadamente.

Tem um reportório de palavras, expressões e outras combinações chamativas, que não fatigam quem lê e encantam os que estão sempre dispostos para um encontro de «mal - dizer» justo.

O texto diz tudo, deixa antever mais e tem alma; descreve o lodo de quem nos representa: BIMBOS! e BIMBAS! Empinanços emergentes sociais, que não sabem que devem ter outra postura social, política, não porque os torne mais dignos aos «olhos» do outro Lado, mas porque «aqui em baixo» se liga à imagem, que faz o monge, num mundo onde o interesse comanda.

Como sempre o texto está recheado de «expressionismos» incríveis ...

« indumentária da residente de Belém»
 
Pois, não digo que a costureira do bairro não está ao nível da «coisa»,reconhecendo, porém, que o Algarve é um «país» estrangeiro, onde a moda chega mais depressa....
 
«pivôs a apelarem à lágrima fácil»
Não é dífícil chorar, sobretudo se atentarmos no «asnedo» que sai da boca dessas figuras...
 
«cançonetas com a ranhosa e entaramelada vozita do Zeca»
 
Ui......
 
«rebocado Zé sabotador de túneis também esteve presente »
 
É a figura que eu penso? Só muito má para nomes...é o irmão do outro? Ui, ui, ui...a coisa genética....

«trunfas a pleno vento de algumas "esposas" - a de Belém incluída»
 
Meu caro Nuno, «atão»? Quando não se sabe que a toalha de mesa deve descer uns quantos centímetros, e se fala de boca cheia, acha que a trunfa se lembrou que devia ir coberta?!!
Aqui distraíu-se a análise....
 
«eterna pepsodentica dentuça arreganhada»
 
Delirante! Uma espécie de dentuça socretino - chaveziana...aposto, porém que aquilo é só fachada, que por detrás, as infiltrações são graves....
 
«ratazanas regimenteiras também lá deram um salto, embora se duvide de sequer conseguirem distinguir o Pai Nosso, da Avé Maria»
 
Demais! ratazanas regimenteiras....super (leia-se ´súpére»!
 
Agora, diga-me, Nuno,
Essas coisinhas de dianteiras no ar, que se perderam na história e na realidade, acha que se atreveram a ir ao Papa e «como quem não quer a coisa», lhe pediram alguma «indulgência», sabe daquelas em que se pagava pelos pecados cometidos ou que eventualmente se venham a cometer?! Esta «genterda» não deixa coser os bolsos dos outros, para não ter de os arrombar,e pensa que o dinheiro compra tudo...parece, «inté», que há quem tenha inventado o «robalo» ou «roubalo», dependendo de quem pronuncie, como a nova moeda da moda e «pagativa» das atenções das ratazanas.
 
 
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De Je a 13.05.2010 às 13:51

Concordo com o notar do oportunismo, discordo em absoluto do tom - a verrina queirosiana -  tique nacional (ou volúpia irresistível) que só prejudica e amarfanha (penso), sem ganho algum. O João Gonçalves já tinha dito bem, não era premente mais. A falta de generosidade perante os arrivistas ou ingénuos devia fazer a notar apenas duas coisas: incompetência nos serviços do protocolo, e a solicitude porventura ignorante, que será grande pecado. Ainda bem que "Não se pouparam a nada para tentar agradar" . Não somos os ingleses no perfeccionismo ritual. Fosse em purismos extremos ficaria lá meia dúzia dos representantes mais velhas famílias (e destas apenas de antes da Casa de Avis). Não sei quem é Nuno Castelo Branco - mas o seu perfil cita "Tudo aquilo que é excessivo torna-se insignificante (Talleyrand)" - e sobre isto parece-me que fala mui bem um outro Castelo Branco (Miguel) no Combustões (http://combustoes.blogspot.com/) - leia-se sobre o "trombismo" nacional e a nacional soberba da pequenês: um pouco de descontracção generosa não faria nenhum mal.

cobarde anónimo, bem sei
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De Je a 13.05.2010 às 13:55

(correcção, perdão)

Concordo com o notar do oportunismo, discordo em absoluto do tom - a verrina queirosiana -  tique nacional (ou volúpia irresistível) que só prejudica e amarfanha (penso), sem ganho algum. O João Gonçalves já tinha dito bem, não era premente mais. A falta de generosidade perante os arrivistas ou ingénuos devia fazer a notar apenas duas coisas: incompetência nos serviços do protocolo, e a solicitude porventura ignorante, que não será grande pecado. Ainda bem que "Não se pouparam a nada para tentar agradar" . Não somos os ingleses no perfeccionismo ritual. Fosse em purismos extremos ficaria lá meia dúzia dos representantes mais velhas famílias (e destas apenas de antes da Casa de Avis). Não sei quem é Nuno Castelo Branco - mas o seu perfil cita "Tudo aquilo que é excessivo torna-se insignificante (Talleyrand)" - e sobre isto parece-me que fala mui bem um outro Castelo Branco (Miguel) no Combustões (http://combustoes.blogspot.com/) - leia-se sobre o "trombismo" nacional e a nacional soberba da pequenês: um pouco de descontracção generosa não faria nenhum mal.

cobarde anónimo, bem sei
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De Anónimo a 13.05.2010 às 14:42

Num País onde a cegueira, o trombismo nacional, e a nacional – diria – natural – soberba da pequenês, são dados adquiridos, premissas costumeiramente assumidas, o excessivo não atingiu a quantidade suficiente para significar o péssimo, o desconforto, a desistência, o «laissez – faire, laissez –passer» de um povo que, ainda, não conseguiu «tirar as mãos da cabeça».


 


Talleyrand ou um qualquer outro – agora economista – coincidem na lei da utilidade (económica). Há, porém, que aplicá-la e adaptá-la a cada caso. Portugal é um exercício contínuo de estudo, em todos os ramos do seu viver, ao qual não escapa a inadequada postura  de quem o representa.


 


Quando assim é, nada é excessivo; diz-nos a ciência popular – água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Se bem que em Portugal, a pedra é efectivamente dura, e começamos todos a estar cansados de «ter as mãos na cabeça». A generosidade também se cansa. Logo, o «partir da loiça» é algo inevitável..apesar de «eles» assim não o entendeem ou de, fazendo-se moucos, actuarem ao jeito do «convívio político socra - passista», o novo patronato socio - económico do país.


 


 


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