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Perguntas a que uma mulher não sabe responder…

por Luísa Correia, em 29.04.10

As novas regras do subsídio de desemprego tendentes a pressionar os beneficiários a aceitar QUALQUER oferta de emprego aplicam-se à bióloga a quem proponham um lugar de atendimento na banca do peixe de um supermercado? Ou à economista a quem proponham um posto de vendas numa perfumaria? Ou à jurista a quem proponham uma função de contínua numa repartição notarial? Ou à engenheira informática, a quem proponham um trabalho na condução de eléctricos? Note-se que, para mim, não é questão dos parentes que caem à lama. Nestes tempos de crise, aliás, estamos lá todos. O que queria era compreender se há limites à mobilidade profissional. Melhor dizendo, queria ter dados para poder avaliar os riscos e a rentabilidade, no Portugal vindouro, do investimento em «canudos», por comparação com o mais económico, humilde e adequadamente versátil autodidactismo.



3 comentários

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De Luis a 29.04.2010 às 19:14

"aplicam-se à bióloga a quem proponham um lugar de atendimento na banca do peixe de um supermercado?"

Cara Luisa,

Francamente, não vejo grande inconveniente, se for esse o caso. O objectivo é retornar a pessoa à vida activa, mas não necessariamente arranjar-lhe um emprego para a vida. Se a bióloga aceitar o emprego na banca do peixe nem por isso passará a estar impedida de procurar melhor..
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De Luísa Correia a 29.04.2010 às 20:45

O Luís coloca a questão nos termos certos: «SE a bióloga aceitar». Mas é nesses termos que reside a minha dúvida. Será que a bióloga PODE, realmente, aceitar? Ou será que a bióloga TEM de aceitar?

Note, Luís, que estou ciente de que, nesta conjuntura de retracção do mercado de trabalho, nenhum desempregado pode ter a veleidade de reentrar nele pelo patamar por que saiu. É quase inevitável que se passe «de cavalo para burro». Mas, neste caso, estamos ainda em presença da grande família dos «equídeos». O exercício de funções de vendas numa banca de peixe implica, para uma bióloga, uma mudança de «família», que pode ter efeitos negativos a vários níveis, incluindo o que mais interessa ao país, da produtividade. Uma bióloga, em Portugal, adivinha-se uma mulher mal paga, mas, com toda a probabilidade, inserida na «família» do trabalho docente ou de investigação, com uma forte componente teórica ou intelectual. Uma vendedora de peixe, em Portugal, adivinha-se uma mulher também mal paga – muito mal paga! - e, com toda a probabilidade, inserida na «família» do trabalho comercial no segmento alimentar, com uma forte componente prática ou manual. Nenhum ser humano consegue reunir em si mesmo «vocações» tão díspares. :-)

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De Maria da Fonte a 30.04.2010 às 01:39

Cara Luisa

O pior não é a mudança de actividade profissional.
Porque todos nós, acabamos por descobrir na adversidade, capacidades que desconhecíamos, e que nos permitem  reagir, seguir em frente e começar de novo.

Ao ponto a que chegámos, está muito claro, que não só a Bióloga será obrigada a aceitar o lugar na Banca do Peixe, seja ela em que sítio for, que a EU é grande, como a Vendedora do Peixe, de uma Banca onde o peixe  já não existe, será obrigada a limpar esgotos, em Portugal, na França, ou na China, se quiser sobreviver.

Tal como a Médica, será obrigada a trabalhar  dia e noite, na Função Pública em exclusividade, e com o ordenado de Administrativa, congelado como todos os outros, ou em alternativa será obrigada a trabalhar para uma das Clínicas da Banca, exactamente nas mesmas condições.


Mas o pior, aquilo que nos revolta, e que forçosamente irá tornar a nossa vida num Inferno,  é percebermos que nos acorrentaram, e que tudo isto foi programado.
Estudado até ao milímetro.

Debaixo dos nossos olhos.

E nós, não percebemos, ou não quisemos perceber.

Ou pior, muito pior, percebemos!

Mas ninguém nos acreditou, porque o que afirmávamos, era demasiado monstruoso para ser credível.

E ficámos sós!

Vozes dispersas, isoladas, a gritar num deserto de surdos.

Maria da Fonte

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