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Casar não é obrigatório

por João Távora, em 21.04.10

 

 


Na continuação da sua Jihad, o Diário de notícias titula hoje que 60% dos divórcios tem origem em casamentos pela Igreja: este é no meu entender um claro sinal da leviandade e dos equívocos com que muitos casais se abalançam para esse sacramento, muitas vezes por causa da tradição ou por mero apontamento folclórico. Claro que há divórcios e divórcios, a hierarquia deverá saber responder com mais agilidade a muitas situações dramáticas e concretas no seio das suas comunidades. A "anulação" canónica dum casamento é difícil mas possível: sei do que falo.

Sou daqueles que considera que, mesmo sob pena de provocar impopularidade, a Igreja deveria ser mais exigente com os casais a respeito dos pressupostos para este sacramento. Confesso que tenho muita dificuldade em entender o que é um “católico não praticante”. Se não pratica, se não aspira e exercita devotadamente a sua catequese em Cristo, não goza nem se fortalece com as Graças da fé: não é católico, ponto final. De facto, como referiu em tempos o Papa Bento XVI, nestes acirrados tempos de individualismo os católicos têm que se habituar a viver como resistente minoria. De resto parece-me definitivamente que casar não é obrigatório, muito menos pela Igreja.



14 comentários

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De Réspublica a 21.04.2010 às 14:13

Caro amigo, quanto à declaração de nulidade do casamento católico/canónico também não é assim tão difícil, o simples facto de um dos nubentes não professar a fé católica é fundamento suficiente.
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De Joao a 21.04.2010 às 15:08

Também eu não entendo o conceito de católico não praticante. A prática é essência do Catolicismo (ainda que, como sabemos, com acidentes de percurso, porque Santo Santo... é Deus) :)
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De Ega a 21.04.2010 às 15:48


A Igreja tem de repensar séria e rápidamente o casamento católico e as condições em que se verifica a desejável perpetuidade do vínculo. O que tudo passa por saber se e quando houve o sacramento do matrimónio. E aqui há que ser ágil. Tão ágil quanto se é no sacramento da reconciliação: se não há arrependimento, não pode haver perdão; mas ninguém vai attrás de alguém a policiar...
A nulidade canónica é o meio de a Igreja afirmar a sua doutrina sobre o casamento sem tolher a felicidade daqueles que, por muitas razões próprias ou alheias, se vêm no dilema solidão/irregularidade da sua situação canónica. De outro modo, a Igreja poderá estar a pontapear os seus fieis pelas portas fora dos templos. E estes, ao que parece, andam notóriamente cada vez mais vazios. Para quê ajudar os fieis a deixarem de o ser?
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De João Távora a 21.04.2010 às 16:17

Caro Ega:
A Igreja nunca poderá ceder ao relativismo sob pena descrédito. O casamento católico tem que permanecer uma opção de profunda consciência. As mudanças que possivelmente estão "na calha" dentro da Igreja, por não satisfarão a turba do politicamente correcto.  
Abraço
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De Ega a 21.04.2010 às 16:56

Caro João:
Creio que esta minha última resposta não entrou. Dizia eu que não se trata de politicamente correcto e, sem dúvida, o casamento é uma opção de consciência - a dois. Com igual peso de responsabilidades assumidas para os dois. E, entre os dois, com a confiança de que ambos assim o encaram.
Quando tal não se verifica, algo falhou na  expectativa que um dos membros do casal criou no outro. É neste ponto fundamental que a Igreja não pode continuar cega, surda e muda ante a concreticidade de cada caso, remetendo todos para o mesmo rebamho, a quem diz apenas, fatalisticamente: «a vida às vezes é assim»...
Um abraço
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De Réspublica a 21.04.2010 às 17:04

Caro amigo, obviamente que a nulidade do casamento católico é difícil, tem que se desenvolver um processo muroso e que tem como último grau de recurso a Santa Rota Romana.
Contudo existe, e Portugal foi muito criticado por isso, uma certa facilitação dos tribunais de primeira instância na declaração de nulidade, por exemplo basta provar que um dos nubentes não acreditava em Deus ou na Igreja no momento em que disse o sim, é uma ideia de reserva mental que impossibilita a liberdade de declaração, quase como no Civil.
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De Tiago Mouta a 21.04.2010 às 15:54

Caro João
É engraçado mencionar a jihad, que também não contempla a existência de islâmicos "não practicantes"... O que assume como "practicante" João? Ir à missa aos Domingos, ou amar e respeitar o meu semelhante... Pecados todos teremos, uns mais e mais graves que outros, é certo!
O casamento não é mais que uma tradição folclórica que apenas contratualiza um sentimento... Se as pessoas não investem no sentimento, adeus contrato!!!
Misturar negócios e emoções nunca foi boa práctica... De resto a maioria são pessoas com Fé, em si próprios, no Universo, na Humanidade, num Deus supremo, coisas que não passam pela "vulgar" igreja dos homens!!!
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De João Távora a 21.04.2010 às 16:26

Caro Tiago: encontra resposta à sua pergunta no meu texto. O fundamento do Cristão não é a bondade, é a relação com Cristo, o qual com o seu amor e misericórdia nos ajudará no caminho da santidade. 
Com amizade, 
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De Tiago Mouta a 21.04.2010 às 16:51

Caro João
Lamento, mas o caminho da Fé nada tem que ver com o caminho da Santidade, até porque somos apenas humanos falíveis...
Mas assumindo o caminho da Santidade, não implicaria a bondade entre todos que somos irmãos???
Pois é... São danadas as interpretações religiosas!
As minhas dúvidas são tão legitimas como as de Pedro que renegou a Jesus duas vezes... Questionar nunca foi crime e duvidar muito menos, o problema é que poucos Católicos tem resposta (ou paciência!) para as minhas perguntas...
Estarão mais habituados a respostas do estilo "Foi Deus..." e à resignação dos fiéis com o facto...

 
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De Réspublica a 21.04.2010 às 17:29

Foram 3 vezes que Simão renegou a Cristo, e depois o galo cantou.
O Casamento é um contrato pré-cristão, com a actual concepção jurídica (a social é muito anterior) como o casamento mais formal dos romanos, vindo desde os tempos de Romulo, embora com uma ideia de traditio da filha para o marido, que no casamento in manu exercia a potestas sobre essa mulher.
O casamento era na antiguidade, como hoje, um contrato, tal qual a compra de uma casa ou de um carro, e por isso é sujeito a uma forma própria, não tem nada que ver com sentimentos, é um contrato apenas, pelo que se enganam as pessoas que acham que apenas se casa ou se deve casar por amor.
Como contrato o casamento deve ser cumprido excrupolosamente por ambas as partes, pactum sunt seruianda, pelo que a sua extinção apenas deve ocorrer em alguns casos, quer civil, quer canonicamente, o problema é o estado ter criado o divórico unilateral.
Se quiser extinguir o contrato de compra e venda de uma causa, sem vício de vontade, consegue? Muito dificilmente, então porque se pode colocar em causa o contrato de casamento?
Se calhar é defeito de profissão, mas nem sequer considero muito improtante a posição da igreja sobre o assunto, se calhar deveria facilitar um pouco mais a nulidade canónica, mas o Estado deveria dificultar o divórcio.
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De jcd a 22.04.2010 às 17:40

Caro João,


O seu post oportuno é interessante pois contém uma "bomba" em cada frase. Assuntos muito complexos, delicados que tocam a intimidade de cada um e com os quais é difícil generalizar. Concordo com muito do que diz, mas encontro sempre um "mas"  ou uma necessidade de ir mais além. Por exemplo como é que se medo o grau de "prática" de um católico? Pelo número de missas a que vai? É isso que determina ser ou não praticante? Quem é que avalia? E avalia bem? Outro exemplo: pode-se (no sentido deve-se) recusar um baptizado a quem o pede, mesmo assumindo que o faz sobretudo por uma questão de tradição e de cultura, pois sempre acreditou, mas não tem muitas certezas, etc, etc? Será assim tão condenável? Como é que se diz "não" e fecham portas? Já fui mais radical do que hoje sou, mas não tenho respostas fáceis para estas questões.
Como vá nem entro na questão de casamento, divórcio, anulação. Isso é outro mundo de discussão.
Joana
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De João Távora a 22.04.2010 às 18:13

Cara Joana:
Tenho consciência das "bombas" que afirmei e quase que me arrependo.  Acredite que não tenho nada de superficial. As afirmações são em abstracto e não devem ser pessoalizadas e lidas com má fé. Eu partilho das suas dúvidas e tenho outras até que me recuso discutir no meio da bicharada. 
Mas em tempo de guerra não se limpam armas. Acho que é sobrevivência da Igreja na Europa que se joga. 
:-)


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De jcd a 22.04.2010 às 18:23

Percebo-o perfeitamente. Também não elaborei a resposta pois o ruído do meio é muito. Má-fé é coisa que não pratico. Um bom caso de "não praticante".
Mais do que a sobrevivência da Igreja (que sobreviverá sempre, estou certa) é a sobrevivência de um modo de vida alicerçado no cristianismo e valores cristãos que está em jogo, digo eu...
Joana
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De Alexandre Frade Correia a 24.04.2010 às 21:23

Dou-lhe um exemplo de Católico não praticante. No interior de Portugal Beiras Alentejo etc muitas populações não podem ser praticantes em pleno pela simples razão que não existem Padres e pior ainda...quase todas a Igrejas Capelas onde  havia Missas foram saqueades e fechadas impedindo assim os Praticantes !deixar de praticar..).Nem todos por estas bandas têm a sua sorte de ter quatro ou cinco Igrejas á porta de casa...Vc não sai de Lisboa para o interior???Mas aqui o Povo como é bom tem desd já a benção eterna de Deus....

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