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(...) Ratzinger, num mundo desmazelado e incoerente, é uma clara referência de autoridade intelectual e de seriedade consistentes. Não apenas por aquilo que representa para milhões de católicos espalhados por toda a Terra, mas, sobretudo, porque acentuando corajosa e persistentemente três ou quatro temas fundamentais, a sua palavra exprime a preeminência da fé cristã como o único "registo" de futuro verosímil (ou a sua equivalente "esperança", a "esperança por que fomos salvos, spe salvi) face às abstracções da "racionalidade" laica traduzida na "teologia do progresso", na "modernidade" e na "laicidade", a mãe de todos os disparates e de todos os oportunismos que quase sempre escondem o jacobinismo mais feroz e primário. (...) Denuncia a "ditadura de relativismo que não reconhece nada como certo e que tem como objectivo central o próprio ego e os próprios desejos". Exige uma fé "mais madura" e um combate ao "radicalismo individual" que nos faz "ser criança andando ao sabor de ventos das várias correntes e das várias ideologias". É, inequivocamente, um pós-moderno sem complexos retóricos que, desde muito cedo, avisou a Igreja para se preparar a viver em minoria. Habituem-se, pois, todos.
João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos
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