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A mais subtil revolução

por João Távora, em 10.03.10

 

 

Nas suas recentes entrevistas, Caetano Veloso, músico que admiro desde a minha tenra juventude, conhecido pela sua rebeldia de tonalidades esquerdistas do início da carreira, hoje acusa Lula de grosseria e vai deixando escapar um discurso sereno, racional e realista que muitos acusam ser de direita sem que o cantor refute esse crime. 

Joan Baez, que toca logo à noite no Coliseu, é uma das vozes mais importantes da música de intervenção dos anos sessenta. Quando a jornalista do Sol (26 Fev, p.52) a questionou sobre «se escrevesse hoje uma canção que tema abordaria?» a cantora quase a fazer setenta anos, respondeu que «As pessoas deveriam saber que actualmente passo muito tempo com a família». Sem mais.

É universalmente aceite que, regra geral, o passar dos anos refreiam os ímpetos mais subversivos às pessoas, e o avançar da idade tende apurar a racionalidade e bom senso.

É assim que me permito vislumbrar algo de positivo no meu País do ano 2050, em que se prevê que cerca de um terço da população terá mais de 60 anos... sem reforma mas plenos de juízo e sabedoria. Imaginem por exemplo, como será nessa altura a propaganda política e a publicidade em geral, com as quotas de imbecilidade restringidas ao mínimo. De resto, suspeito que o panorama demográfico incluirá umas raras crianças e jovens, maioritariamente provenientes de meios conservadores e católicos, dalguma minoria étnica ou casais excêntricos. Talvez então a nossa proverbial adolescentocracia entre finalmente em regressão, perante uma emergente cultura contra-revolucionária de origem... demográfica. Isto, claro está, se não andarmos todos a aprender árabe como língua obrigatória. 

 

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5 comentários

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De Quando voltam as 4ªs da paridade? a 10.03.2010 às 18:50

Se cá andar em 2050, na melhor das hipóteses estarei num lar, o que não é nada animador.

Mas os problemas que o envelhecimento da população acarreta são trágicos, preferível seria melhorar a educação duma garotada não rara (assunto a respeito do qual sou muito pessimista, a avaliar pelo que por aí vai - bullying, por exemplo).

Enfim, quando havia as quartas-feiras da paridade, sempre a gente se ria ao ver o Sean Connery de fraldão...
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De Herr Flick a 10.03.2010 às 18:59

Concordo. A idade refina (por vezes o "bom" e/ou o" mal").
Lembro-me de um primo meu me relatar que a Baez, numa das vezes que cá veio, fez imensas exigências, nada consentâneas com o que apregoava.
Que o Dylan nos anos oitenta detinha acções na industria de armamento.
Enfim... ele há coisas...
Mas o Caetano é bom mesmo. E o Lula é...é isso...

Ay, ay, ay, ay, ay!
http://www.youtube.com/watch?v=X7-HHvlmJ54
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De Réspublica a 10.03.2010 às 21:20

Caro D. João de Távora, em França os filhos dos "baby bommers" (aqueles que nascidos na década de 50 fizeram o Maio de 68) tornaram-se o exemplo de uma nova França adoptante dos ideais Católicos, muitos dos filhos dos esquerdistas mais empedernidos achem as igrejas de França.
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De Ega a 10.03.2010 às 22:43

http://www.youtube.com/watch?v=YR6SMAJQW8Y


Já não é como no tempo do Woodstock, mas ainda é o «Joe Hill».
Já não vai de «San Diego up to Maine», porque lhe faltam as pernas. Sempre a velha Joan Baez.
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De Velho da floresta a 10.03.2010 às 22:44

O ano 2050 visto desde aqui é uma completa incógnita, inclusive os elementos estatísticos avançados, referentes à geriatria reinante nessa época, não têm em conta os previsíveis avanços da ciência médica em geral, tanto na erradicação de doenças de todos os tipos, como na capacidade de permitir uma frescura física e uma vida activa muito para além daquilo que hoje consideramos possível. Quanto ao efeito multiplicador e acelerador que temos tido no campo da ciência e tecnologia em geral, apenas poderemos com razoável certeza julgar que ele vai continuar, basta que nós pensemos em qualquer período de quarenta anos a partir de 1950 e verifiquemos os gigantescos saltos aí produzidos, por isso previsões sejam elas quais forem a essa distancia, com a velocidade a que a ciência e a tecnologia progridem actualmente são no mínimo muito incertas.

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