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Orquestra-Geração

por Luísa Correia, em 08.03.10

Andei, por estes dias, tão absorvida na leitura de um estudo sobre o Projecto Orquestra-Geração, que acabou por me faltar tempo para mais. O projecto, em curso nalgumas escolas ditas «problemáticas» da Amadora, inspira-se na ideia do músico venezuelano José António Abreu, que, há cerca de trinta anos, a concretizou com o lançamento, no seu país, de um «sistema» de Orquestras Juvenis e Infantis, orientadas para um repertório clássico. Subjacente à ideia estaria, mais do que um objectivo estritamente artístico, a intenção de explorar a aproximação de crianças e jovens à música para desenvolver neles competências e atitudes consideradas essenciais à boa integração numa colectividade, nomeadamente hábitos de trabalho, de responsabilidade e de disciplina, e comportamentos urbanos e solidários, propícios a uma saudável sociabilidade. A ideia, como logo se deduz, tem todo o interesse para Portugal, na actual conjuntura escolar, que os fenómenos conhecidos da desordem, da violência, da exclusão, do «facilitismo» e da desautorização de docentes tornam particularmente sombria. Preconiza uma metodologia motivadora, porque coloca imediatamente nas mãos da miudagem os instrumentos musicais e incentiva-a a tocá-los por imitação (aliviando o peso da aprendizagem da leitura de claves e colcheias). E depois, para além do efeito apaziguador da música, joga com o entusiasmo que incute a busca de uma sincronia de gestos e de uma harmonia de sons. Lembro-me bem da emoção intensa que, nas minhas passadas aulas de dança, era alcançar o ponto em que todos os braços e pernas e corpos se moviam em perfeita simultaneidade e concordância com o ritmo, e em que o trabalho individual se amalgamava e apagava no arranjo colectivo, de grande efeito. Não se tratava, nem trata, naturalmente, do impulso defensivo do rebanho, mas do impulso criativo partilhado, que é, na minha experiência, dos mais excitantes e dos que mais facilmente se vêem recompensados. Este projecto, cuja finalidade última é promover a inclusão social, merecia outra visibilidade e outro apoio por parte das autoridades. É que o que os Magalhães tendem a isolar, pode uma Orquestra-Geração unir.



2 comentários

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De João Távora a 09.03.2010 às 10:42

Um projecto e uma causa verdadeiramente extraordinária , cara Luísa. Assim consiga converter tantas crianças quanto possível, sempre tão volúveis às violentas alienações desta idade consumo. Parabéns por esta abordagem.
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De Luísa Correia a 09.03.2010 às 14:50

Uma amiga minha está muito envolvida nesta iniciativa, João, e, por essa via, tenho acompanhado a sua evolução. O projecto já entrou na fase dos concertos na Gulbenkian e no CCB… Muito promissor! E pode vir a tornar-se ainda mais atraente para as crianças, quando lhe introduzirem – como tencionam – outro repertório, incluindo música tradicional dos países de origem (predominantemente africana), jazz, blues, pop, etc. É pena que as potencialidades da linguagem musical, universal e essencialmente pacífica, sejam tão pouco valorizadas na Educação.

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