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À procura de Leandro

por João Távora, em 08.03.10

 

 

O pequeno Leandro continua desaparecido oculto algures num baixio do Rio Tua como que bradando pela atenção que nunca teve enquanto era humilhado e sovado com a conivência dum sistema de ensino inimputável. Aliás perante a crueldade destes factos, nenhuma alma desta indulgente adolescentocracia que todos ajudámos a edificar jamais deveria ficar tranquila.

Aqui deixo uma sugestão: enquanto se procura o Leandro, todos os estabelecimentos de ensino nacionais deveriam colocar a bandeira a meia-haste, e os seus intervenientes dedicarem uma hora diária de confronto profundo sobre a responsabilidade de cada um para que atrocidades como o bullying possam acontecer à nossa volta apesar de tanta modernidade. 

 

Fotografia Joana Oliveira, Público

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11 comentários

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De Inacreditável a 08.03.2010 às 16:47

Inacreditavelmente, é noticiado que, de parte da escola que ele frequentava, nem sequer contactaram os pais do Leandro.
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De Isis Erzsébeth Báthory a 08.03.2010 às 16:58

Isto é uma merda, desculpa o mau palavreado, sim?
Mas que se foda essa gente toda, eu sofri de bullying toda a minha vida na escola, fiz queixas atrás de queixas e a essas respondiam-me "e o que queres que eu faça?"
Agora que um puto que não aguentou levar com as mesmas respostas que eu levei, se cansou e se mudou desta para uma melhor, é que anda tudo indignado? Affff santa hipócrisia...Abram os olhos...Para o Leandro já vão tarde, indignem-se mas é para os casos que continuam a ocorrer e nem liga...
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De Blondewithaphd a 08.03.2010 às 17:15

Coitados dos Leandros todos... Sim, agora chorem o miúdo. Sim, agora façam-lhe homenagens. Daqui a uns dias volta tudo ao mesmo: os bullies sendo bullies, os profs que ignoram e fingem não ver e, sobretudo, o diabo de uma legislação crassa de impunidade e de inimputabilidade em matéria de assuntos que envolvam os alunos e os seus comportamentos.
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De Maria da Fonte a 08.03.2010 às 18:29

O problema não é só a Escola, que cultiva um ensino demagógico, arcaico, ultrapassado, que inibe a crítica em vez de a estimular, onde não existem limites ao comportamento dos alunos, a quem tudo é permitido, desde a falta de respeito, à agressão.

A culpa é principalmente da Sociedade portuguesa, que particularmente nas últimas décadas, se alicerçou na completa ausência de Princípios.

Sob a bandeira de falsa Liberdade, implantou-se a libertinagem, o oportunismo, a corrupção.

A Educação, começa em casa!

Se a família não tem Valores, não os pode transmitir, e em vez de seres humanos solidários, cria monstros.

Todos somos responsáveis, porque o nosso silêncio e a nossa inércia, é conivente.

A família das crianças que maltratam os colegas, são responsáveis, porque não lhes ensinaram que não são o centro do Mundo, que os outros também são seres humanos, e que têm que ser respeitados.

Neste caso, as famílias das crianças envolvidas, devem ser socialmente responsabilizadas.

A Escola, incompetente, não só incapaz de colmatar nem que seja numa pequena parte, a falta de educação que este tipo de alunos tem em casa, demonstrou ser igualmente incapaz de impedir que este tipo de barbárie se passe dentro das suas portas, e de sancionar exemplarmente este tipo de práticas, para as quais, até já estava alertada pela PSP.

É imperioso que seja judicialmente, responsabilizada.

E a família do Leandro, está agora de luto, porque não teve tempo, ou não teve a capacidade de perceber, que a criança não estava bem, e estender- lhe a mão para a ajudar a viver.

Maria da Fonte
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De Ega a 08.03.2010 às 23:05

Amiga Maria da Fonte:
Nunca sofram os nossos filhos o que o pequeno sofreu.
Nem nós, pais, já agora.

Nós saberemos compreender o nosso sofrimento a tempo. Os nossos filhos poderão já não ter conseguido saber.
Essa a fundamental (e vital) diferença.
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De Maria da Fonte a 09.03.2010 às 04:52

Caro Ega

Não posso deixar de sentir, uma enorme angústia, e revolta ao mesmo tempo, pela morte daquela criança, que eu nunca vi.
Que nem sei se era loura ou morena, se alta ou baixa, ou se tinha os olhos claros ou escuros.
Mas avalio o que sentia.
E é triste, é muito triste, que Portugal, se tenha transformado nesta massa amorfa e insensível, que nada tem para dar a uma crança de 12 anos, a não ser a morte.

Maria da Fonte
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De Anónimo a 09.03.2010 às 09:02

A atrasada mental da Ana Drago e escumalha afim devem ter uma boa tese exculpante para a condescendência com tanta delinquência e criminalidade
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De Marquesa de Carabás a 09.03.2010 às 17:03

O Bullying existe e é reprovável. Mas o suícidio Infanto-juvenil, tem normlamente causas mais graves e mais profundas por detrás.
Não nos podemos esquecer que é precisamente na fase de adolescência, pré adolescência e passagem para a idade adulta que se manifestam muitas patologias do foro Psiquico/emocional
Doenças da personalidade por exemplo, são muitas vezes detectadas no final da adolescência.
Temos ainda que ter em conta uma situação de que pouco se fala mas que existe: a depressão infantil e juvenil.
Não sei, qual é a realidade que está na origem deste infeliz desfecho, mas não se pode assacar as culpas, sem mais, à família, à escola, aos companheiros.
Falar de bullying, não é falar de uma "briga" no recreio. É uma situação mais grave e mais complicada que afecta normalmente crianças e jovens com baixa auto estima e poucas defesas.
As escolas têm que estar preparadas para lidar com todas estas situações, sejam elas de bullying, ou escondam algo mais grave.
A adolescência, pré adolescência e passagem para a idade adulta, são fases da vida que requerem muito acompanhamento e vigilancia. Mas por mais acompanhamento e vigilancia que haja, nunca deixarão de acontecer casos complicados, doenças, desvios. Se assim não fosse, não teriamos que lidar com situações de anorexia,bulimia nervosa, adicções, violência, depressão e, infelizmente, suicídios.
Existem muitos factores de risco para o suicídio infantil: suicidios na família, doenças graves estando elas em tratamento ou mesmo já debeladas, depressão e ainda um factor , já amplamente estudado: a atracção que as crianças e os jovens têm em relação à morte, como desconhecido. A faceta mais visível dessa caracteristica, talvez sejam os riscos ( a chamada adrenalina) a que muitas crianças/jovens se expôem.
Por todos estes motivos e alguns mais, é uma temática complicada e que tem que ser abordada de forma exaustiva, para se perceber, de facto, aquilo que se passou.

Talvez daqui se tire uma lição: vigilancia e atenção aos sinais de alerta das nossas crianças e jovens. Normalmente, um suicídio é precedido desses sinais de alerta, desses "pedidos de socorro" que se podem manifestar de muitas formas: Podem ir desde a rebeldia, irritabilidade, mau humor, inquietação ou isolamento no quarto, afastamento dos pares e de actividades outrora gratificantes, até situações de auto mutilação, tentativas falhadas (nomalmente consciente ou inconscientemete planedas para serem falhadas) de suícidio.
Temática vastissima e complicada.




Cumprimentos,




Marquesa de Carabás


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De João Távora a 09.03.2010 às 17:31

Senhora Marquesa: tenho para mim que o umbigo de cada existência é tão complexo e intangível que temos que nos cingir aos sinais exteriores. Antes de me preocupar com o "porquê", acredito que se deve ACTUAR sobre os comportamentos. Inverter esta lógica é muito perigoso. Com as modas pedagógicas modernas construímos uma sociedade (da família à escola) demasiado "compreensiva" e em consequência permissiva.
Cordeais cumprimentos,
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De Marquesa de Carabás a 09.03.2010 às 19:16

Senhor João Távora,

Concordo em absoluto com o que diz. O meu comentário foi talvez, mais dirigido aos sinais exteriores. Por detrás de um suicídio infantil ou juvenil, está sempre ALGUÉM amargurado e deprimido que é preciso referenciar, perceber e tratar. Seja por causa do bullying ou de outro motivo.
Neste caso isso não foi conseguido a tempo.


Não menosprezo este fenómeno de bullying que me parece gravissimo, nem o papel da sociedade, que concordo em absoluto consigo, tem que ter regras de conduta menos permissivas que não possam dar origem a comportamentos desadequados e violentos.

É uma temática muito ampla e, muito técnica esta do suicidio infanto juvenil. Passa, nisso parece que há algum consenso, sempre pela tríade: Sofrimento moral, inibição psiquica global e estreitamento do campo vivencial. E, é aí que surgem os sintomas que nos podem alertar.



Cumprimentos,




Marquesa de Carabás
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De Dylan a 09.03.2010 às 17:13

O caso de bullying ocorrido em Mirandela vem expor à saciedade a gravidade desta praga. O problema já ultrapassou os portões escolares para entranhar-se de uma forma asquerosa na vida social e no local de trabalho. Porque não estamos a falar apenas de uma obsessão pelo poder, da dominação sobre um indivíduo, mas de um agressor que ameaça tornar-se num potencial criminoso. Esta forma de intimidação pode ter tido origem dentro do ambiente familiar onde a educação infantil não foi devidamente acautelada. A escola de Mirandela foi a primeira a descartar-se, por isso, à semelhança do que aconteceu noutros países com casos semelhantes, deveria ser duramente responsabilizada, começando pelo autismo das chefias e reforçando a vigilância preventiva de todos os intervenientes do sistema educativo.

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