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O pior cego

por José Mendonça da Cruz, em 28.02.10

Ontem na RTPN, hoje na SicN, em directos da Madeira, vimos uma coisa extraordinária e rara, mais que extraordinária e rara, admirável: a Baixa do Funchal desimpedida, e além de desimpedida, impecavelmente limpa, com gente passeando e turistas nas esplanadas.

Mas os reporteres da RTPN e da SicN – o primeiro, contando com a presença e conversa do presidente da Câmara do Funchal, Miguel Albuquerque – não viram, com a sua miopia e as suas modestas cabeças, nada de extraordinário. Pior, a sua curiosidade, no exacto momento em que passeavam pelo próprio acontecimento, esteve sempre limitada pelos discursos e raciocínios mais gastos:
O discurso dos ambientalistas (dos que dão mau nome ao ambiente): «...Mas a ribeira x ainda oferece perigo ...». E o presidente emendava a confusão de nomes de ribeiras e explicava. «... Mas as linhas de água ocupadas...» E o presidente explicava que sem regularização dos cursos a tragédia teria sido multiplicada. E lembrava que chovera em horas o que não chove num ano.
O discurso do tablóide: «E quantos mortos e quantos desaparecidos?» E a entrevista aos «populares»: «Como se sentiu?» «Teve medo?»
Restou-me sofrer com as perguntas que me ocorriam e não foram feitas:
Em que reunião, em que dia e a que hora, foi decidida a recuperação e limpeza do Funchal?
Quem estava presente?
Conte-me o episódio mais marcante dessa reunião.
Em resumo, diga-me as conclusões dessa reunião e quem ficou com que responsabilidades?
Qual foi o primeiro acto saído dessa reunião e qual foi a primeira coisa que fez a seguir a ela?
De onde vieram os 200 camiões e máquinas e as pessoas para esta operação?
Quem as pôs à disposição e qual é o custo?
Quantas pessoas e em que áreas estiveram e estão envolvidas na garantia de que todas as escolas da Madeira reabrem 2.ª feira?
Etc.
Mas talvez as perguntas sejam demasiado perigosas. Talvez as respostas permitissem ver melhor os contornos da competência na Madeira e da nossa própria continental incompetência. O senhor automobilista que amanhã, mais uma vez, está impedido de usar a CREL, talvez possa acrescentar alguma coisa.


4 comentários

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De Réspublica a 28.02.2010 às 19:21

Parece que há um comentador que ganhou a aposta...
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De GONIO a 28.02.2010 às 19:22

É por ser assim que gostava de ver Alberto João Jardim fazer um mandato - apenas um mandato - como primeiro-ministro de Portugal.
"Isto" dava uma grande volta e entrava nos eixos.
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De Isabel a 28.02.2010 às 23:36

Deviamos arranjar uma espécie de count down para contabilizar o tempo que a CREL permanece fechada. Aquilo devem ser trabalhos de alto gabarito.
Mas a culpa é nossa, que ninguem lhes vai perguntar o que se passa.
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De Maria da Fonte a 01.03.2010 às 06:52


A Ilha da Madeira, que foi em tempos de Dom Diogo de Viseu, herdou a Grandeza da Alma dos nossos Antepassados.
E dia após dia está a Renascer das Cinzas, com os seus próprios braços.

A Coragem, a Determinação, o Espírito de Sacrifício e a enorme Solidariedade, dos Portugueses de Quinhentos, não se perdeu.

Está ali, à vista de todos.

NA ILHA DA MADEIRA

Maria da Fonte

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