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Não invocarás o nome de Sena em vão

por José Mendonça da Cruz, em 22.02.10

 

Viva Miguel Sousa Tavares e viva o seu programa Sinais de Fogo que conseguiram, na primeira edição, uma entrevista com o Primeiro-Ministro.

Coitada da enorme vaidade de Miguel Sousa Tavares e coitado do seu programa Sinais de Fogo, entalados entre a sua própria falta de pesquisa e preparação, por um lado, e os incomensuráveis descaramento e argúcia do PM por outro.

E coitado de Jorge de Sena, trazido à colação tão injusta e despropositadamente.

Viva o Primeiro-Ministro José Sócrates, que - segundo ele apenas - não estava em crise antes da «pior crise dos últimos 80 anos», e não tinha - em 2008, antes da crise - um dos piores índices de crescimento da Europa a 27, uma das piores taxas de desemprego da Europa a 27, a 2ª mais ameaçadora dívida da Europa a 27, um dos piores défices públicos da Europa a 27, o maior aumento da carga fiscal da Europa a 27, um dos maiores esforços fiscais da Europa a 27, a pior competitividade da Europa a 27.

Coitados dos Portugueses que não elegeram Sócrates e sofrerão as consequências deste grau novo de negação da realidade.

Viva Keynes e a forma como o investimento público arrancou o mercado interno do país da iniciativa privada e do mercado das garras de uma recessão horrível em 1929.

Coitado do pobre Keynes, invocado como máscara explicativa de investimentos gravosos e perdulários, que animarão os relatórios e contas de empresas estrangeiras e as hipotecas das gerações futuras.

Viva o optimismo responsável, viva a combatividade informada.

Coitados do optimismo e da combatividade como invocados por Sócrates, 

Viva a cegueira. Viva a incompetência. Viva a demagogia. Viva a omissão. Viva a manipulação.

Coitados de nós.

 

De Sinais de Fogo, de Jorge de Sena, que detestava do fundo da alma a mesquinhez portuguesa, e se exilou por isso, mas continua a ser arrastado, em ossadas e em títulos, para aquilo exactamente que detestava: «Fui para a casa de banho, a pensar naquela filosofia: «Não te desgraces, nem a nós», como se desgraçar voluntariamente ou por inadvertência, ou por inesperada consequência, os outros fosse decididamente secundário. Tremi, reconhecendo naquilo o pior dos egoísmos, sem dúvida. O egoísmo da inocência, da ignorância, do conformismo, o egoísmo pavoroso dos que se querem, e querem os outros, inocentes, ignorantes, e conformados, cada um fechado sossegadamente na sua paz(...)»

 



27 comentários

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De Anónimo a 23.02.2010 às 00:15

José,

Pois, então, havia de ouvir a Mécia de Sena, a viúva.

Que eu bem sei o que se pensa lá para os lados onde ela está sobre o que se passava por cá...

Gee, como o mundo é pequeno...essa «malta» fala do Jorge de Sena como se o tivesse conhecido...na verdade se o tivessem conhecido sabiam exactamente o que ele e descendentes pensam da «pulhitica»...e da mentalidade «cepa torta« de alguns portugueses, que não nos deixam crescer...

Muito bem dito José Mendonça, muio bem dito.

Educadinha
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De NunoFCouto a 23.02.2010 às 00:20

Grande Jorge de Sena, descanse em paz.

Está a ser reeditada a sua obra aos poucos pelo facto da sua relativamente recente transladação; um homem que Portugal não mereceu !

Infelizmente ainda hoje é dia de que quem quiser comprar os únicos ensaios políticos que este Homem publicou - Reino da Estupidez I e II, ter de recorrer ao mercado Brasileiro...

País imbecil !
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De Anónimo a 23.02.2010 às 01:17

A Mécia de Sena fez muito para compilar sobre Jorge de Sena.

O Estado Português há muito que nada faz para defender a cultura portuguesa «lá fora»!!! São pessoas como a Mécia de Sena e outras que com ela fizeram amizade que bem de longe nunca esqueceram a costela portuguesa. Porém, a imbecilidade efectivamente acentuou-se por causa dos que nos representam cegamente aqui e se atrevem a apresentar-se como nossos representantes no estrangeiro.
Faz mais uma universidade estado-unidense pela lingua portuguesa que o Estado Português de há uns tempos a esta parte.

O Brasil - a língua brasileira - está a «comer»a nossa língua...como se o português fosse língua do passado.

Na verdade, que se pode dizer, quando o governo brasileiro condecora estado - unidenses por defenderem a língua portuguesa e a história portuguesa?!

Pois é! Até Jorge Amado se chegou a pronunciar sobre isso, não comigo, pois nunca tive o prazer de o conhecer, mas com alguém que me é próximo e guarda a correspondência que o prova...e poderia indicar outros....já falecidos, mas que se distinguiram na literatura e nunca abdicaram da sua veia crítica, política e irónica ao país que sempre primou sobre aquele que realmente devemos a nós a aos nosso antepassados.

Portugal só é pequeno, porque é governado por anões, que se julgam grandes e são-no sim, mas em mediocridade, em mentira e em roubo.

Educadinha
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De APC a 23.02.2010 às 09:39

O que vou dizer não é simpático, mas é verdadeiro. A D. Mécia conseguiu sempre pretextos para dificultar a edição das obras completas de Jorge de Sena em Portugal. Que o diga o prof. Arnaldo Saraiva, grande amigo de Sena e alguns editores que nunca o puderam fazer por falta de condições (julgo que a Guimarães do ex banqueiro do Bcp com o seu muito dinheiro vai finalmente fazê-lo). A D. Mécia pessoa amável, quis após a morte do marido, ela própria, assumir a personalidade e condição de Jorge de Sena.
E embora cheguem a Portugal "uns papeis"do poeta por ela enviados, esta forma de gerir tão importante património não tem sido o melhor, de facto. Lamento.
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De Anónimo a 23.02.2010 às 13:14

Não não é assim! E quem lho diz conhece a situação e a família.

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De APC a 24.02.2010 às 10:46


Os factos dos muitos editores terem tido muitas dificuldades na edição das Obras Completas é assim, seja V. amiga ou não da D. Mécia. E talvez por isso, só conhece esse lado.
Porventura, sabemos partes distintas da mesma situação. Mas, afinal era suposto o comentário ser sobre a entrevista de José Socrates e não sobre Jorge Candido de Sena.
Quanto à politica, os Sinais de Fogo já não são de hoje.
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De Anónimo a 24.02.2010 às 13:29

Muito bem.

Educadinha
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De Maria Teixeira Alves a 23.02.2010 às 02:04

Adorei esta crónica
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De José António Abreu a 23.02.2010 às 09:48

Excelente. E é pena que a ironia da menção a Jorge de Sena passe despercebia a tanta gente. Mas o mesmo parece acontecer com a real situação económica e financeira do país...
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De José António Abreu a 23.02.2010 às 09:49

Obviamente, "despercebida".
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De MST 0, Sócrates 1 a 23.02.2010 às 09:52

Vaidade e impreparação, por preguiça, de MST.

Só foi intervindo e fazendo perguntas ao princípio, a partir de certa altura Sócrates tinha «o jogo controlado» e só aguardava calmamente pelo «apito final».

Por exemplo, se MST tem visto o Plano Inclinado de Sábado passado (que agora até é na estação que o contratou), em matéria de economia (e de contas do TGV) tinha ficado mais habilitado...
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De O DN anda-se a portar mal a 23.02.2010 às 10:21

Qualquer dia, o sr. Marcelino emala a trouxa.


"Na entrevista à SIC, José Sócrates explicou ontem que a ideia de pedir uma declaração de apoio de Luís Figo ao PS só terá surgido após a entrevista concedida pelo jogador ao Diário Económico, a 7 de Agosto, em que o futebolista enaltecia a "energia" e "capacidade empreendedora" do primeiro-ministro. Mas, de acordo com as escutas divulgadas pelo Sol, as conversas entre Marcos Perestrelo e Paulo Penedos sobre o apoio de Figo datam de 10 de Junho - dois meses antes da entrevista".

DN
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De Réspublica a 23.02.2010 às 10:24

"Viva Keynes", mas desde quandos e dão vivas a degenerados, "Pobre Keynes", desde quando o lord esquerdista era pobre, trata-se da personagem mais nefasta para a economia muldial desde karl marx.
Keynes foi um dos degenerados saidos do King's Colege, que essencialmente queria tornar a livre Inglaterra num Estado Socialista, fosse ele tipo Russo ou Nacional-socialista, desde que fosse socialista.
Keynes era anti-semita, racista e defensor da eugenia, para além de se dedicar a práticas sexuais aberrantes.
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De José Manuel Faria a 23.02.2010 às 12:12

Era importante saber quem foi o entrevistador mais incisivo e sem receios de questionar Sócrates como foi MST.
Quem?
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De Ora aí está o problema a 23.02.2010 às 13:02

O problema é esse. Quando chegamos ao ponto de achar o MST de ontem o mais incisivo e o mais preparado e o que lhe fez as perguntas mais incómodas e o que não o largou enquanto não respondeu cabalmente às perguntas está tudo dito.

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