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João Galamba, responda a isto sem me insultar

por Luís Naves, em 17.11.09

A discussão em torno do casamento dos homossexuais caminha para o irracional. Neste texto, João Galamba chama homofóbico a quem levantar o único tema que vale a pena discutir nesta polémica: a adopção de crianças. Assim, torna-se fácil levar a água ao moinho, insultando preventivamente o adversário.

Eu tenho sérias dúvidas sobre a questão da adopção e, por isso, caio na categoria de homofóbico, segundo a definição de João Galamba. Também cai na categoria este texto de Miguel Morgado, em Cachimbo de Magritte, com o qual concordo.

A partir do momento em que os homossexuais se puderem casar, também poderão adoptar crianças. Seria inconstitucional discriminar um casal homossexual em relação a um heterossexual, a partir do momento em que houvesse casamento legal para ambos.

Ou seja, na adopção, os serviços sociais que escolhem os casais terão de os escolher em função de outros parâmetros, por exemplo, a condição financeira do casal.

Como já escrevi aqui, há mais casais que querem adoptar do que crianças disponíveis. Muitos casais portugueses não conseguem adoptar, vão desistindo ou são excluídos. Paradoxalmente, a lei torna difícil a adopção de muitas das crianças abandonadas, pelo que em certos casos a criança não chega ao final do processo, por já ter demasiada idade.

O que ainda não vi ninguém explicar: qual é a vantagem, para a criança, de ter um pai e um pai ou uma mãe e uma mãe, face à situação actual de poder ter um pai e uma mãe?

O meu ponto é o seguinte: será justo que a sociedade portuguesa se ponha a fazer experiências sociais com crianças já de si desfavorecidas?

João Galamba, responda a isto sem me insultar.



10 comentários

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De o puma a 17.11.2009 às 11:27


Uma questão não força necessariamente a outra

O que está na mesa da Assembleia é o casamento

com base nos afectos entre pessoas, em igualdade

com todos. A Constituição não fala em homens e

fala em pessoas.
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De Vasco Rosa a 17.11.2009 às 11:37

A adopção por homossexuais é duma tremenda simplificação dos ppapéis simbólicos e afectivos de pai e de mãe, empurrando as crianças para a beira dum segundo abismo pessoal.

E qual dos dois ou das duas representará o papel adicional, e terá verdadeira preparação para isso — ou as crianças são joguetes dum experimentalismo irresponsável porém modernaço?

Sem sequer no Brasil, muito mais afável na aceitação de casais gays instituídos, isso tudo é pacífico, quanto mais em Portugal. Mas claro, que interessa conhecer e discutir isso?

Basta-lhes que a coisa estava no programa do partido que ganhou as eleições, dizem que foi amplamente discutida, porém a campanha eleitoral foi o que se sabe de mais poluída possível, uma verdadeira miséria democrática e cívica, e portanto uma ampla, profunda, discussão referendária é tudo o que querem recusar.

A mínima legitimação do desastre é-lhes suficiente!
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De Eu não sou o João Galamba a 17.11.2009 às 11:46

É por isso que me parecia preferível que casamento continuasse a ser o que é e que o que ai vem se chamasse união civil registada.
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De João Galamba a 17.11.2009 às 12:05

Já lhe respondi, Luís.
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De Marcelo do Souto Alves a 17.11.2009 às 17:00

Se quisermos questionar a competência para se ser Pai adoptivo por parte de um (casal) homossexual, terá de se questionar com igual pertinência essa mesma competência para um (casal) heterossexual.


Mas se questionarmos essa competência para um (casal) heterossexual, daqui a pouco teremos de questioná-la também relativamente à parentalidade não-adoptiva, tanto para (casais) homossexuais, como para heterossexuais, como para alcoólicos, como para militares, como para diabéticos, como para preguiçosos, como para delinquentes, como para negros, como para muçulmanos, como para vegetarianos, como para agnósticos, como para ateus, como para...


Em suma, pelas regras dos silogismos lógicos, se quisermos questionar a competência parental dos (casais) homossexuais, acabaremos por só poder ter Filhos naturais após um "Atestado de Aptidão Parental" passado pelo Registo Civil, outro pelo Registo Criminal, outro ainda pelas Finanças, mais um pela Junta de Freguesia e, eventualmente, um outro ainda... pelo Estado do Vaticano!
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De Vasco Rosa a 17.11.2009 às 19:40

Não exagere!

O que faz falta é bom senso e não utopismo retórico descabeludo.

E a Igreja sempre a levar pauladas... Realmente, isso é ressentimento!
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De nuno vieira matos a 18.11.2009 às 16:43

"Como já escrevi aqui, há mais casais que querem adoptar do que crianças disponíveis."
Como pode isto ser um argumento contra a adopção por casais homossexuais?

"(...) a lei torna difícil a adopção de muitas das crianças abandonadas, pelo que em certos casos a criança não chega ao final do processo, por já ter demasiada idade."
Parece-me um problema de aplicação da lei (ou mesmo da lei em si) e completamente estranho à temática do casamento homossexual.

"qual é a vantagem, para a criança, de ter um pai e um pai ou uma mãe e uma mãe, face à situação actual de poder ter um pai e uma mãe?"
Trata-se da vantagem de ter mais casais por onde escolher, isto é, aumenta-se a probabilidade de ter mais casais mais capazes (não voi discorrer sobre o que quer dizer mais capaz).

"(...) será justo que a sociedade portuguesa se ponha a fazer experiências sociais com crianças já de si desfavorecidas?"
Esta é a parte que leva João Galamba a 'insulta-lo'. Quando determina que adopção por casais homossexuais é uma experiência social está a determinar a 'estranheza'. Esta estranheza pode ser refutada por dois argumentos. Antropológico: a noção de família tem-se alterado de forma substancial ao longo da história humana e achar que a forma actual de família é a correcta e que as crianças só assim poderão ser felizes é redutor. Sociológico: estudos feitos com crianças criadas por casais homossexuais (vai-me desculpar a falta de referência mas é-me impossível neste momento aceder a essa informação) demonstra que as crianças não apresentam diferentes 'índices de felicidade' nem maior tendência para a homossexualidade.
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De Luís Naves a 18.11.2009 às 18:15

Como é que se tenta refutar uma ideia cortando à fatia os argumentos do raciocínio?
Cada um, isolado, não faz sentido, mas o Nuno não leu a sequência. É isso que deve fazer.
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De nunovieiramatos a 18.11.2009 às 21:59

Caro Luís,

O seu raciocínio foi feito em blocos. Nada mais natural que analise em blocos. Julgo não perceber exactamente o que o apoquenta.

Li a sequência e a minha resposta à sequência não é mais que a súmula das minhas respostas por parágrafo.
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De Nuno Ribeiro Ferreira a 21.11.2009 às 01:32

Caro Luís , é perfeitamente legitimo que tenha dúvidas em relação à adopção de crianças por casais homossexuais. Afinal de contas, os especialistas em crianças, digo psicólogos, psiquiatras, pedopsiquiatras, pediatras e outros, esses sim, já há alguns anos se pronunciaram sobre este tema. Portanto, apesar de ainda estar em discussão, e vai continuar, a evidência médica e ao nível da psicologia que dispomos até agora, diz-nos que a orientação sexual de quem adopta não tem relação, repito, não tem qualquer relação, e nem é um determinante do bom desenvolvimento das crianças. Os estudos de base pedopsiquiátrica e da psicologia e pediatria do desenvolvimento infantil identificaram uma série de determinantes para o bom desenvolvimento da criança e, nesses determinantes, não figuram nem os sexos da díade "educadora" nem muito menos as suas orientações sexuais. Esses factores são variáveis independentes e que não se relacionam com o desfecho do processo educativo e de desenvolvimento, a julgar pela evidencia de que dispomos até ao momento. O correcto e saudável desenvolvimento infantil está mais relacionado com a natureza das relações estabelecidas entre as crianças e quem as educa, do que o sexo ou orientação dos mesmos. Não há evidência médica, epidemiológica nem de outros ramos da ciência que afirme claramente que a orientação sexual dos educadores tem interferências nefastas no desenvolvimento infantil. Como tal, o Luís é obviamente livre de pensar e achar o que quiser, mas quando argumentar em relação a este assunto, lembre-se que quem sabe de desenvolvimento biopsicossocial infantil já o fez e que as posições adoptadas pelo Luís são só e unicamente suas, do ponto de vista individual e não reflectem (aliás, contradizem) aquilo que se produz nas modernas ciências médicas e da psicologia infantil. Tenho os artigos científicos se tiver curiosidade em ler (não sei se é médico, mas se for, tenho acesso mais facil aos artigos científicos). O que aqui se defende, em minha opinião, é que os mesmos critérios, de forma extremamente rigorosa e sensata, sejam aplicados aos casais homo e heterossexuais, sem que os primeiros fiquem, desde logo, excluídos do processo de adopção conjunta (a adopção individual já é possível) por serem um casal do mesmo sexo. Pergunta qual é a vantagem para as crianças em terem um pai e um pai, ou uma mãe e uma mãe, em vez de um pai e uma mãe, ou só 1 deles? Bem, as vantagens não sei quais são, sinceramente. O que sei é que, de todas as opções disponíveis, quem deve adoptar a criança é o casal MAIS QUALIFICADO para tal, tendo em conta o rigoroso e criterioso processo de adopção . E o mais qualificado pode ser o pedro e o zé ou a maria e a joana , ou só a maria , ou só a joana ou até o josé e a teresa . De entre todos que se escolha o melhor...e ser o melhor em nada está relacionado com a orientação sexual de quem adopta.

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