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No excelente Clube das Repúblicas Mortas, Henrique Raposo lembra Aliens, de que gosto imenso, embora apenas do primeiro. Partilho o entusiasmo do Henrique pela qualidade deste filme, mas o post faz uma comparação com Rio Bravo (na foto em cima). Gostos não se discutem, mas esta comparação não faz justiça à obra-prima de Howard Hawks.
Entre os filmes que vi, Rio Bravo é talvez o que tem maior sentido do ritmo e da tensão dramática (a banda sonora é espantosa). A ameaça é humana: dois grupos lutam entre si; o poder da justiça contra a injustiça do poder; há um polícia cercado (como escreve o Henrique) cuja única ajuda é um pistoleiro que perdeu a coragem e um velho deficiente. Junta-se a complicação feminina e outro pistoleiro, que pode ou não ajudar. Os adversários defendem os seus interesses, se necessário à traição. Com este banal fio de história, Hawks constrói um filme quase perfeito, onde não há imagens a mais.
Aliens também consegue um efeito de colar os espectadores à cadeira, mas através do horror das imagens. Nunca percebemos a natureza do inimigo (uma espécie alienígena a lembrar dragões). Também existe uma luta pela sobrevivência sem tréguas, mas não há jogo de poder, apenas de extermínio.
A lógica dos dois filmes é diferente, parece-me. Um sci-fi horrorístico contra um western com metáfora políitica. Aliens é pessimista, visão do mundo (neste caso, do espaço exterior) como zona de ameaça sem redenção. A espécie humana é a mais forte. Rio Bravo pertence a outra época: não acho que o seu tema seja o triunfo do xerife bom ou as peripécias do combate, mas sim a nobreza da luta necessária, a força do dever e da honra.
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