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Uma comparação

por Luís Naves, em 13.11.09

 

 

No excelente Clube das Repúblicas Mortas, Henrique Raposo lembra Aliens, de que gosto imenso, embora apenas do primeiro. Partilho o entusiasmo do Henrique pela qualidade deste filme, mas o post faz uma comparação com Rio Bravo (na foto em cima). Gostos não se discutem, mas esta comparação não faz justiça à obra-prima de Howard Hawks. 

Entre os filmes que vi, Rio Bravo é talvez o que tem maior sentido do ritmo e da tensão dramática (a banda sonora é espantosa). A ameaça é humana: dois grupos lutam entre si; o poder da justiça contra a injustiça do poder; há um polícia cercado (como escreve o Henrique) cuja única ajuda é um pistoleiro que perdeu a coragem e um velho deficiente. Junta-se a complicação feminina e outro pistoleiro, que pode ou não ajudar. Os adversários defendem os seus interesses, se necessário à traição. Com este banal fio de história, Hawks constrói um filme quase perfeito, onde não há imagens a mais.

Aliens também consegue um efeito de colar os espectadores à cadeira, mas através do horror das imagens. Nunca percebemos a natureza do inimigo (uma espécie alienígena a lembrar dragões). Também existe uma luta pela sobrevivência sem tréguas, mas não há jogo de poder, apenas de extermínio.

A lógica dos dois filmes é diferente, parece-me. Um sci-fi horrorístico contra um western com metáfora políitica. Aliens é pessimista, visão do mundo (neste caso, do espaço exterior) como zona de ameaça sem redenção. A espécie humana é a mais forte. Rio Bravo pertence a outra época: não acho que o seu tema seja o triunfo do xerife bom ou as peripécias do combate, mas sim a nobreza da luta necessária, a força do dever e da honra. 

 

 


6 comentários

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De john a 16.11.2009 às 12:36

A série Alien vale muito a pena ver, apesar de o quarto filme não ser grande coisa (nem o terceiro, aliás, apesar de a versão director's cut ser mais interessante que a versão cinematográfica). O segundo filme - Aliens, de James Cameron - afasta-se do terror do original Alien - de Ridley Scott - para se centrar na acção. É um excelente filme, com deixas inesquecíveis e uma Sigourney Weaver excepcional. Mas o primeiro, o de Scott, é uma obra-prima do cinema, um dos filmes incontornáveis da ficção científica - como 2001: A Space Odyssey, Star Wars, Blade Runner. Não deixa de ser interessante notar que em dois anos Ridley Scott realizou dois filmes "fundamentais", Alien e Blade Runner. E fez mais do que isso, até: numa época em que a ficção científica era sobretudo "masculina", colocou a tenente Helen Ripley como protagonista. Tal como também fez, dois anos mais tarde, Joan Vinge, escritora de ficção científica infelizmente desconhecida por cá, pois é uma autora extraordinária (leia-se The Snow Queen ou Psion).

Enfim, divago, mas Alien, o filme com a melhor tagline de sempre ("In space, no one can hear you scream"), é filme do meu top5. Já agora, não sei se sabe, mas Ridley Scott está a preparar uma prequela.
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De Luís Naves a 16.11.2009 às 14:48

Obrigado pelo excelente comentário, bem melhor do que o post. Sou da sua opinião, o primeiro Alien, o de Ridley Scott, é um filme magnífico. Mas se eu só pudesse escolher um, não hesitaria em escolher Blade Runner, esse na minha opinião (já o escrevi aqui) o último grande filme clássico.
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De john a 16.11.2009 às 16:12

O Blade Runner é de facto um filme extraordinário. E mais do que isso, a meu ver: é um verdadeiro manual de como adaptar um livro para filme.

Será o último grande filme clássico? É possível. Eu apenas o vi quando a última edição estreou no cinema, e nem queria acreditar que o filme era tão bom - e que, já com tantos anos, continuava tão actual e tão belo (o que não acontece, por exemplo, com Dune, de David Lynch). Mais: gostei de compreender, ao ver Blade Runner "de onde vinham" alguns dos meus filmes preferidos - nomeadamente o Ghost in the Shell. Por isso, sim, tenderia a concordar consigo: ainda que não tenha sido o último grande clássico no geral, tê-lo-à sido para a ficção científica, sem dúvida. Como disse acima, Dune falhou, e o recente Serenity, apesar de ser muito bom, não é suficientemente bom para ser um "clássico". Dos grandes nomes, sobra o Matrix... mas isso daria material para um debate muito, muito longo.

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