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Tirem as batinas

por Tiago Moreira Ramalho, em 30.10.09

Como de costume, fui mal interpretado. Mesmo depois de ter escrito um texto a explicar pontas soltas sobre a questão da intervenção da Igreja em matérias políticas. Tentarei explicar de forma mais clara ao João Luís Pinto o meu ponto.
Em primeiro lugar, que é para não haver confusões, que eu levo estas coisas muito a sério, eu não defendo que a ICAR seja censurada ou proibida de emitir opinião. Isso não está escrito em parte nenhuma do meu texto.
Continuando, a Igreja não é uma «associação» qualquer. A Igreja é muito mais que isso. A Igreja é a representação na Terra de Deus. Significa isso que, por definição, o que diz a Igreja é o que diria Deus se fosse ele a falar. Não fui eu que criei esta definição, pelo que creio que ela é pacífica.
Ora, ao utilizarem a Igreja como forma de intervenção política, os membros do clero português estão a abusar de uma relação espiritual entre a população portuguesa e um Deus que dizem representar. Estão a revestir-se da sua posição enquanto mensageiros do Senhor, fazendo passar as suas mensagens como se estas fossem Dele. Isto é pouco ético. Francamente condenável, na minha opinião.
Se os membros do clero português quiserem intervir activamente na política nacional, eu não tenho nada contra. Acho que são bem-vindos. Mas primeiro devem tirar as batinas e deixar claro que aquelas são as posições deles. Porque se não o fizerem, estão a abusar da posição que ocupam.

 

P.S.:

Isto foi o melhor que consegui para explicar o que penso. Se, ainda assim, continuarem a ler neste texto que sou anti-religioso, que defendo um silenciamento forçado dos padres e tal e tal e tal, podem ficar a falar para as paredes.

 

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14 comentários

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De l. rodrigues a 30.10.2009 às 10:10

A questão está em concordarmos todos, crentes e não crentes, naquilo que a própria igreja professa: A Deus o que é de Deus, a César o que é de César. Se todos estivermos de acordo sobre onde traçar a linha, não há conflitos.
O que falta aqui é delimitar jurisdições.

Só que a Igreja confunde-se com César desde Constantino I.
E os velhos hábitos são difíceis de largar.
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De M.Coelho a 30.10.2009 às 11:20

Perfeito.
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De Miguel Noronha a 30.10.2009 às 11:43

Acho que pretendes uma completa separação entre matérias políticas e espirituais que não existe em qualquer lugar nem na alegoria do "dar a césar o que é de césar".
Quando os legisladores entram em questões que são matéria doutrinária na Igreja acho perfeitamente natural que esta tome posição.
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De l. rodrigues a 30.10.2009 às 12:24

Duas questões:

1- O casamento civil é matéria doutrinária da igreja?
2- O que é que os não crentes têm que ver com a matéria doutrinária da igreja?
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De Miguel Noronha a 30.10.2009 às 14:20

1. A concordata diz que não. Por mim também se pode anular a concordata.
2. Os crentes também só a seguem se quiserem.

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De Tiago Moreira Ramalho a 30.10.2009 às 13:25

Eu pretendo uma separação tão grande quanto possível.
E não me parece que os legisladores entrem em questões que são matéria doutrinária na Igreja. No máximo, parece-me que a Igreja deveria pedir aos seus fiéis homossexuais para não casarem. O que já de si é curioso, que à partida os homossexuais não são muito bem-vindos. Quanto aos outros, a Igreja nada tem que ver com o assunto. Se um infiel quiser casar-se com outro infiel do mesmo sexo, a Igreja não tem o direito de se intrometer.
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De Miguel Noronha a 30.10.2009 às 14:22

Pode perfeitamente emitir a sua opinião que só é seguida por quem quiser.

Eu ainda não percebi foi porque razão o Tiago quer que a Igreja abdique de tomar posições públicas.

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De Tiago Moreira Ramalho a 30.10.2009 às 14:31

Eu apenas defendo algo que me parece óbvio: quando os membros do clero emitirem opiniões políticas pessoais, deixem claro que se tratam de opiniões políticas pessoais e não matérias religiosas. Porque se não o fizerem, estarão a ser desonestos. O Miguel não acha isso? O Miguel não acha que se eu digo que os gays não se podem casar, insinuando que estou a expressar a vontade de Deus, estarei a ser desonesto?
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De l. rodrigues a 30.10.2009 às 14:54

Nesse caso não creio que se possa falar em desonestidade, Tiago. Se um homem da igreja acredita no que diz, está a ser honesto. Se a Igreja defende um modelo de sociedade concreto, quem lhe dá voz está a ser coerente.

A sociedade no seu todo é que não tem que se reger pelas regras da igreja, nem ficar apegada a tradições ou manifestações culturais que, com o tempo, se foram esvaziando de humanidade.
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De João Cardiga a 30.10.2009 às 19:27

"Se a Igreja defende um modelo de sociedade concreto, quem lhe dá voz está a ser coerente."

Mas se assim o faz, então é um movimento politico, se é um movimento politico então tem de se reger pelas mesmas regras que os outros movimentos politicos.

Esta constante ambiguidade é que para mim não é, nem salutar, nem ético.

Pior, faz com que seja muito dificil separar as águas.

Obviamente para um "jacobino" como eu é bastante simples eliminar esta confusão:

- rescinde-se a concordata;
- não é entregue um unico euro a organizações de cariz religioso;
- não existe qualquer isenção de impostos para as igrejas;
- elimina-se os feriados religiosos;
- acaba-se com a religião e moral nas escolas e qualquer serviço religioso era financiado pelos cidadãos em si e não pelo estado (ou dito de outra forma, fim dos capelões e afins...);
- etc...
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De Nuno Castelo-Branco a 30.10.2009 às 22:32

Ora, tente lá entender o porquê... É um terror que vem de longe, porque mexe no relativismo do politicamente correcto dos decisores supremos da ordem e da moral. Exactamente os mesmos que depois peroram sobre a forçada electividade de tudo e de todos. Coisas...
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De António de Almeida a 30.10.2009 às 12:53

A Igreja é a representação na Terra de Deus

Não quereria escrever a Igreja é a representação de Deus na Terra? Tecnicamente até será mais a representação de Cristo com a missão de espalhar a palavra de Deus. Vejo muitos críticos da intervenção pública por parte das entidades eclesiásticas, preocupados com o peso que ainda lhes reconhecem existir na sociedade, temendo a influência contrária à sua agenda ganhe força, mas não hesitam em lançar farpas à primeira oportunidade. Não é possível retirar a política da Igreja Católica, afinal desde a sua génese que ela pisa esse terreno, começou no Império Romano, continuou na Idade Média, Renascimento, atravessou os mais conturbados períodos históricos, chegou a ser odiada e decretada inimigo principal por vários políticos e movimentos, a tudo sobreviveu. Mesmo quando sofreu pesadas derrotas, adaptou-se e sobreviveu.
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De Nuno Castelo-Branco a 30.10.2009 às 22:29

Então, se a politicagem se quer meter nos assuntos da Igreja, que passem a trocar o colarinho branco e o livro de cheques, pela batina e o crucifixo. Era só o que faltava, não haver reciprocidade. Embora não seja religioso, creio bem ser a Igreja um dos derradeiros esteios da independência nacional. Aliás, vê-se o que tem feito no plano social. Nem sequer te digo o que ainda dela espero para "liquidar" um certo assunto pendente há 100 anos!

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