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Emoções básicas (64)

por Luís Naves, em 04.10.09

Tarefa complicada

É complicado ter de explicar um post, (o erro é meu) mas os comentários que recebi de leitores e Gabriel Silva, em Blasfémias, a isso me obrigam. A minha intenção não era a de valorizar o que aconteceu, nem sequer ali está a minha opinião sobre a UE (concordo com o brilhante texto de Alexandra Carreira, aqui no Corta-Fitas). Quando se tornou óbvio que o "sim" ia ganhar, limitei-me a explicar simplificadamente as implicações da aprovação do tratado, segundo aquilo que eu julgo que irá acontecer. Lembrei o que consta no documento e tentei dizer o que lá está sem usar jargão comunitário.

Não me congratulei pelo facto dos países grandes ganharem poder, mas parece-me evidente que isso permitirá avançar políticas de integração que estão no congelador. A UE será mais ambiciosa, mas não escrevi que estava entusiasmado com esse facto, embora isso me agrade.

Na Europa passará a aplicar-se o princípio de quem paga, decide. A Alemanha paga, pois bem, terá mais voz na matéria. Os comentadores parecem achar isso horrível. A mim, parece-me apenas lógico.

 

Expulso

Tal como Gabriel Silva assinala, não fui claro na questão das expulsões: passa a existir uma cláusula de saída voluntária, não de expulsão. Mas, a meu ver (posso estar enganado), isto tem uma implicação política importante, embora difícil de explicar: a cláusula passará a servir como forma de pressão sobre países que, por uma razão ou outra, não cumprem os critérios do bom comportamento europeu. Gabriel Silva pensa que me enganei , mas insisto: acho que esta será, eventualmente, uma cláusula de expulsão e servirá para pressionar países "mal comportados". Eu não estava a pensar em Portugal, mas sim naqueles que usam, por exemplo, chantagem para travar alargamentos ou para pressionar politicamente um vizinho que esteja fora da união. Estava a pensar nos direitos das minorias, que alguns se esquecem de respeitar, ou ainda para aqueles que votarem na extrema-direita. Bastará o conselho fazer uma sugestão: "estamos a ver que os senhores desejam sair do clube, passem bem", para o país em causa mudar de política. "Infantilização dos Estados", como escreve Gabriel Silva? Eu vejo padrões elevados.

Simplifiquei em excesso e não fui claro no post, peço desculpa. Se voltei a não ser claro, paciência, teremos outras ocasiões para falar no assunto.

 

Aversão

Um comentário sobre os comentários. Em Portugal existe uma curiosa aversão à UE. Não deixa de me surpreender. Este soberanismo militante parece ignorar que o pouco desenvolvimento que o País conseguiu nos últimos 30 anos se deve aos subsídios europeus e à estabilidade política a que a Europa nos obrigou, isto apesar dos nossos maravilhosos governantes (muito cá de casa) só terem feito disparates.

É uma questão de identidade: um país com identidade forte, como é o caso português, integra-se facilmente numa UE forte. Só a nossa elite intelectual não parece perceber isso, talvez para não se comparar com as outras elites.

Está na moda atacar impiedosamente os que defendem a UE (o que até nem era o caso deste texto). Falam em pensamento único e outras coisas assim, mas o pensamento único por acaso até se manifesta ao contrário.

Se me permitem ser opinativo (já sei que alguns não vão permitir), sou favorável a uma UE forte. Acho que quando a União Europeia se permite avanços, isso é vantajoso para Portugal. Foi assim com o mercado único, com o euro e com o alargamento. Oportunidades nem sempre bem aproveitadas, mas mesmo assim oportunidades.

 

Confederações

Gabriel Silva desvaloriza um pormenor opinativo do meu texto, sobre a eventualidade de um referendo europeu, lá para as calendas gregas. A Europa inspira-se na Suíça, que é uma confederação onde há referendos. Acho que não seria o fim do mundo se os europeus votassem o próximo tratado, se houver próximo tratado. Evita-se a palhaçada irlandesa, esse simulacro de democracia que para uns era bom se tivessem votado "não" e para outros só é bom porque votaram "sim", e era mau para uns quando votaram "não" e passou a ser mau para os outros porque agora votaram "sim". Do que nós escapámos, francamente...

O autor de Blasfémias também desvaloriza outra frase do meu texto (o tom displicente é de quem lava o rabinho a meninos, mas eu estava a precisar de um banho de humildade), sobre as implicações do não-tratado. No caso de se repetir o "não", acho que alguns países avançavam com um projecto de núcleo duro onde Portugal teria grandes dificuldades em entrar, mas onde a Espanha não dispensaria um assento. Não me ocorreu que este é talvez o sonho das elites portuguesas, sempre muito british.

 

 

 

 

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