Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Navegações

por Luís Naves, em 30.09.09

Li na blogosfera um mínimo de 150 banalidades apressadas sobre a crise política, dignas de conversas de barbearia. Poucos autores se debruçam sobre o essencial, ou seja, sobre as consequências. Na minha opinião, o Presidente Cavaco Silva sofreu um duro golpe no seu capital mais importante, a credibilidade, que lhe permitia pairar acima das intrigalhadas. Isto não é apenas o fim do cavaquismo, mas tem necessariamente implicações muito sérias para todos nós.

O primeiro-ministro José Sócrates, para já o vencedor da crise, não possui rival no seu partido ou na oposição; ele controla o poder mediático e tem enorme influência sobre os negócios do país, a magistratura, as polícias, os serviços de informação, por aí fora. Diria que nunca houve, neste regime, um primeiro-ministro tão poderoso. Há, apesar de tudo, uma coisa que ele não controla tão bem, a realidade: dez anos de estagnação económica, um país em profunda crise de valores, défice crescente, endividamento, desemprego. Enfim, apesar das sombras se continuarem a acumular, agora parecem garantidos alguns meses de alívio na pressão política (de Belém vinha a mais ameaçadora).

O que fica do caso das escutas? O PS reclama-se alvo de outra cabala (os socialistas são sempre as vítimas, o que os dispensa de justificar a governação). Mas acima de tudo foi removido ou substancialmente reduzido um poder mais à direita que refreava o primeiro-ministro.

Espero estar muito enganado quando vejo algo de preocupante nesta crise, mas espanta-me a velocidade com que tantos tiraram tantas conclusões mais ou menos ligeiras, como se isto fosse uma mera goleada num Benfica-Sporting.

Quero destacar alguns dos textos que mais me fizeram reflectir sobre os perigos daquilo que se está a passar:

Luís Rocha, em Blasfémias, e Henrique Raposo, em Clube das Repúblicas Mortas, escrevem sobre o futuro do regime, que na opinião dos dois autores deve ser repensado.

Medeiros Ferreira, em Bichos Carpinteiros, faz uma observação muito inteligente, que nos deixa uma sensação de incómodo.

Pedro Correia, em Delito de Opinião, e Francisco Almeida Leite, aqui mesmo no Corta-Fitas, já estão a ponderar os cenários a médio prazo.

Registo ainda para um texto mais interpretativo, que me parece arguto, de Jorge Costa, em Cachimbo de Magritte. E concordo com o que escreve Paulo Pinto Mascarenhas, em ABC do PPM.

 

 

 



5 comentários

Sem imagem de perfil

De Pantanações a 30.09.2009 às 19:06

Como já noutro post comentei, impressionou-me que o PR se lembrasse da segurança informática de que ele próprio dispõe depois de ter visto um email interno do Público escarrapachado no DN.

É como um sujeito se lembrar de colocar uma fechadura de segurança por terem roubado as galinhas à vizinha.

E qualquer leigo leu sobre intrusões em sistemas informáticos tidos por seguríssimos, o nosso PR não faz ideia disso?

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Vasco M. Barreto

    Caríssimo, Tendo em conta que passa a vida a escre...

  • Vasco M. Barreto

    As minhas desculpas: o post em causa é de um outro...

  • Vasco M. Barreto

    A propósito de verdade, apagou nas últimas horas u...

  • Anónimo

    https://observador.pt/opiniao/o-povo-merece-a-arro...

  • Anónimo

    Acho que está enganado: os portugueses são uns pap...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2006
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D