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«Os nossos pobres monárquicos»

por Tiago Moreira Ramalho, em 23.08.09

Era assim que, segundo se diz, que pessoalmente nunca ouvi, Salazar se referia aos apoiantes da causa monárquica portugueses. Eu não iria tão longe, mas que o nosso putativo herdeiro do trono é um pobre de espírito, lá isso é.

Vejamos esta entrevista que deu ao jornal i. O Paulo Pinto Mascarenhas consegue escrever – nem sei se se riu – que o personagem é «sensato». Pois eu não podia discordar mais. O sr. Duarte Pio, que aqui os dons ficam à porta, teve o descaramento de dizer publicamente que as escutas não interessam porque ele não teria nada a esconder. Isto assim nem sabe a nada. Vou mesmo citar: «Não me importo nada que me escutem. Nada tenho a esconder. E também deve ser esse o caso do Presidente da República». E o personagem vai mais longe. Quando lhe perguntam se acha normal que o Palácio de Belém esteja a ser escutado, este senhor que ainda alimenta o sonho de se sentar num trono sem coroa – que já nem isso podem usar – responde com um confrangedor «Depende de quem faça as escutas», porque se for um «serviço de segurança bom e eficiente», não faz mal. Mas o senhor não se fica por aqui: defende o simples nacionalismo numa tirada digna de registo: «Não faz sentido estarmos a pagar impostos para sustentar indústrias noutros países». Por fim, diz que vota nas eleições autárquicas, mas que nas legislativas já não. A diferença, para o senhor, é que nas primeiras não faz mal ser parcial, mas nas segundas já faz. Ele lá saberá.
Definitivamente, um aluado que bem podia poupar-se ao ridículo.



17 comentários

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De João Távora a 23.08.2009 às 18:38

Apesar de este post me parecer uma provocação baixa, no fundo, no fundo, eu aprecio este sinal de temor que a sua linguagem hostil revela.
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De Tiago Moreira Ramalho a 23.08.2009 às 19:12

João,

A menos que o sr. Duarte Pio leia o CF, acho estranho que isto possa ser lido como uma provocação. Ainda por cima «baixa». Quanto ao «temor» que diz encontrar nestas linhas, não podia estar mais enganado. Eu simplesmente tento discutir as coisas que me parecem importantes sem «brincar», como alguns. E tomo a questão do regime - como o João sabe perfeitamente - como uma coisa muito importante.

Acho apenas um pouco triste que o João e o Duarte tenham tido estas reacções a um texto que, em hostilidade, fica a anos-luz daquilo que alguns monárquicos escrevem sobre a República e os republicanos. Fica aqui a promessa que não volto a escrever sobre esta questão aqui no CF que eu gosto pouco de criar maus ambientes.
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De João Távora a 23.08.2009 às 19:23

Releia atentamente o que escreveu, caro Tiago: as suas palavras, não são modos de discutir absolutamente nada. Por aqui me fico.
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De J. Pais Almada a 23.08.2009 às 20:42

É a ignorância, João Távora.
Ora, como se sabe, não raro à ignorância se alia o atrevimento.
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De Nuno Castelo-Branco a 25.08.2009 às 10:37

Mais importante do que os monárquicos escrevem acerca da república e dos seus apaniguados, é aquilo que os ditos apaniguados escreveram sobre o seu regime e sobre eles próprios. Daí vêm as nossas fontes.
Tomo nota com agrado, o teu ressabiamento por uma entrevista que por todo o lado foi julgada como sensata. Excelente!
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De Anónimo Veneziano a 24.08.2009 às 00:15

TMR,
Não perco nenhum post seu e quase sempre até concordo com os respectivos pontos de vista. Mas permita-me que desta vez lhe manifeste a minha decepção com um pequeno pormenor. Explico: em condições normais trataria o Duarte Pio de Bragança assim mesmo (creio que é o nome que tem no BI), como posso tratar o Dr. Mário Soares por Soares ou o PR por Cavaco. No caso das escutas eu também diria, em termos práticos, que não me importo de ser escutado (pelas vias legais) pois nada tenho a esconder. Mas numa crítica a declarações públicas controversas - no caso das escutas, o DPB não separou a questão de princípio do aspecto prático - estou antes de mais a comentar uma ideia e não uma pessoa. Em condições normais dar ou não o tratamento de "dom" seria indiferente (hoje, em Itália, até se tornou pejorativo pois associa à Máfia) embora DPB seja usualmente melhor identificado com esse apêndice nobiliárquico. Mas no seu post, TMR, aliás muito pertinente, a "pressa" em retirar o Dom ao dito parece trair uma intenção de apoucar o personagem. Se, de facto, o quiser diminuir, claro que o pode (e deve) fazer no contexto próprio. E até poderíamos discutir em que medida é legal ou legítimo usar em Portugal títulos da nobreza. Mas creio que não lhe fica bem aproveitar uma discussão sobre um tema político sério para apanhar essa "boleia".

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De Tiago Moreira Ramalho a 24.08.2009 às 01:00

Eu não o tratei por dom porque não trato ninguém por dom. Ele é um cidadão como eu ou como o Anónimo Veneziano, pelo que me recuso a referir-me a ele como SAR ou dom, como alguns fazem. E o personagem perdeu todo o respeito que eventualmente poderia ter da minha parte ao aproveitar-se de uma situação tão grave como esta para chamar a atenção para si próprio. Eu imagino se por acaso ele fosse Rei e estivesse a ser escutado como é que o galo cantaria. O que ele fez foi uma declaração demagógica e apenas ilustrativa do tipo de pessoa que é. Se não temos nada a esconder, deveriamos viabilizar a colocação de câmaras de vigilância nas nossas casas, microfones nas nossas roupas, etc., etc.

Alonguei-me na resposta - o comentário que me fez não pedia tanto - mas começo a achar que fui mal interpretado no meu texto.

Obrigado pelo elogio inicial :)
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De padre frederico a 24.08.2009 às 18:43

O que você disse é horrivel,ó Ramalho!E sabe que vai dar imenso abalo ao pífaro do Senhor D.Duarte?Outra coisa ó Ramalho,você já reparou que o seu nome dá uma magnífica rima para o mandar dar uma volta?
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De rui sá a 24.08.2009 às 18:52

Os seus escritos apenas mostram que você é um pobre complexado a viver ressabiamentos que o devem fazer sofrer muito.Tenho pena de si.
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De Anónimo a 24.08.2009 às 14:28

lamentável o tom insultuoso do texto: vamos ter de novo uma cisão no Corta-fitas para breve?
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De Nuno a 24.08.2009 às 14:44

Um dos posts mais lamentáveis que tenho lido aqui ou em qualquer lado.
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De fcl a 24.08.2009 às 17:55

Tiago Moreira Ramalho,

Nunca estive tão de acordo consigo como neste seu post . Exprimiu a sua opinião relativamente ao Sr. Duarte Bragança, com a qual me identifico, e de modo algum fê-lo de forma baixa ou ofensiva. Foi o dito senhor quem, com as suas inconcebíveis declarações, se colocou à mercê desta sua mais do que justa crítica.

Cumprimentos
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De Miss Kin a 24.08.2009 às 19:26

O pior não é o sr dizer estas coisas da boca para fora, porque a maioria de nós, já não o tem em grande conta, pior pior é mesmo haver quem realmente pense que devíamos voltar a ter monarquia e que aquele sr podia governar um país!
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De bmptavares a 25.08.2009 às 02:52

Talvez não saiba mas, nas monarquias modernas, o Rei não governa. Quem governa é o Governo emanado do Parlamento. O rei, neste caso, é "apenas" o Chefe de Estado...
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De Miss Kin a 25.08.2009 às 17:12

Sim, nem tinha pensado nesse pormenor técnico, de qualquer forma, um rei faria o mesmo que o nosso PR, que pode pouca coisa e decide outra tanta.
Ao menos que tenhamos um PR que não faça má figura.

Agora um perguntinha, porque deve estar mais dentro do assunto do que eu, qual é o fundamento para que haja quem queira que volte a monarquia? Se quem governa continua a ser o Parlamento?
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De Nuno Castelo-Branco a 25.08.2009 às 10:40

O que é incrível, Miss Kin, é a ignorância fazer de conta que não percebe que o rei não governa. Isso é que se torna ridículo!
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De Sérgio de Almeida Correia a 28.08.2009 às 02:06

O que um texto oportuno, simples e certeiro pode fazer na "intelligentsia monárquica". Os comentários dizem tudo sobre a justeza do texto.

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