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Mediocridade

por Alexandra Carreira, em 30.07.09

Já várias pessoas falaram da mediocridade da entrevista ao presidente do Instituto Português de Sangue hoje publicada no I. Além de assinar por baixo de alguns comentários, quero dizer que fiquei particularmente chocada com algumas tiradas deste senhor ao longo de uma entrevista em que mostra um discurso vulgar, inconsequente e incongruente. Não me quero deter em todas as respostas - e quase todas têm pérolas...

Logo no arranque, Gabriel Olim diz que vai "evitar usar a palavra homossexual". "Porque parece que não é politicamente correcto. Por causa do politicamente correcto, quase nos falta palavras para usar". Caro senhor, politicamente incorrecto é colocar a questão nestes termos e não perceber que a crítica lhe chega precisamente porque nem alcança o que verdadeiramente está aqui em causa. A dada altura, mais adiante, Olim prossegue na mesma argumentação que me leva a acreditar ainda mais que o presidente do IPS ainda não captou o porquê de esta ser uma questão polémica e de muitos se levantarem contra uma discriminação que existe e que o IPS pratica (e da qual se orgulha). À interpelação da jornalista "Em 2006, o IPS mudou as regras.", Olim responde que o que o IPS fez " foi retirar a palavra homossexual e substituir por comportamento de risco. Politicamente correcto. Na prática, manteve-se o mesmo." Ora aqui é que fiquei mesmo de boca aberta. Não só não entende e pede (várias vezes durante a entrevista) que a sociedade aceite o que estipulam os especialistas, como nos toma a todos por parvos. Há várias teorias que dizem que é também pela repetição que se aprende - vou tentar, pode ser que ajude: a homossexualidade não é um comportamento de risco. É que ele há coisas que enervam, e ainda bem que somos muitos a ficar de cabelos em pé com demonstrações abjectas. Infelizmente, só consigo concordar com uma colega que dizia há tempos que esta é uma luta para cem anos.

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7 comentários

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De Daniel João Santos a 30.07.2009 às 21:24

A Alexandra consegui ler aquilo tudo até ao fim? Eu tive de para a meio...
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De Alexandra Carreira a 30.07.2009 às 21:34

Li e confesso que à primeira até tive de reler algumas passagens...
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De cristina a 31.07.2009 às 00:03

tenho pena mas, acho que nem que leia a entrevista 50 vezes a percebe.....tinha que entender alguma coisa da parte técnica, o que não tem nada a ver com o seu comentario.

talvez o post da Sofia Loureiro dos santos ajude:
http://defenderoquadrado.blogs.sapo.pt/505731.html
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De Alexandra Carreira a 31.07.2009 às 08:30

Cristina,

Obrigada pelo comentário. Não li a entrevista 50 vezes, mas entendi-a. Os médicos e os especialistas podem e devem definir que critérios de aceitação e exclusão que presidem à doação de sangue, quanto a isso não há dúvidas. Daí a aceitar que o responsável do IPS confunda comportamentos de risco ou promiscuidade sexual com homossexualidade ja é outra conversa. Só essa confusão justifica que Gabriel Olim pense que o problema se resume à palavra "homossexual". Nada oponho, como é natural, a que os especialistas excluam quem teve um comportamento de risco há seis meses, semanas ou dias - eles lá sabem qual o tempo adequado. Mas é falso que a questão da esclusão dos homossexuais seja uma questão puramente técnica. E ainda que fosse poderia em toda a liberdade ser discutida em sociedade.

Volte sempre
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De Alexandra Carreira a 31.07.2009 às 08:36

exclusão, obviamente. gralha
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De Fernando Gomes Costa a 31.07.2009 às 11:57

Vamos a factos:
Percentagem de infectados por HIV em Portugal:
Heterossexuais: 36% dos casos
Homossexuais (todos masculinos): 12% dos casos
Toxicodependentes: 46%

Percentagem de homossexuais masculinos na população geral: 5% (se aceitarmos os dados dos movimentos gay, uma vez que os dados das organizações de saúde são muito inferiores - cerca de metade)

Ou seja: 12% dos casos de HIV concentram-se em 5% da população -homossexuais, enquanto 36% em 94,5% da população - heterossexuais (e 46% em apenas 0,5% -toxicodependentes).
Isto que dizer que a taxa de homossexuais infectados com HIV é 6,5 vezes (650%) MAIOR que nos heterossexuais.
Não é grupo de risco? É comportamento? Então isso quer dizer que os homossexuais são 6,5 vezes mais irresponsáveis que os hetero??
E quando aparecer a vacina? Se não há grupos de risco os homossexuais e toxicodependentes não devem ser privilegiados???
É o que dá colocar convicções à frente dos factos.
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De Fernando Gomes da Costa a 31.07.2009 às 15:05

Mais uma achega, ou por que de facto é grupo de risco e não comportamento

Há um mal entendido que vem da massificação do conceito de que o preservativo é 100% seguro. Havia os que acreditavam na infalibilidade do papa, agora há também os beatos do látex, que acreditam na infalibilidade das camisinhas...
Ora todos os estudos mostram que o sexo anal aumenta em muito o risco de rompimento do preservativo e, mesmo com preservativo, a possibilidade de causar lesões sangrantes (logo mais risco de transmissão) e de passagem de infecções como herpes ou HPV. Por outro lado, havendo uma incidência de mais de 6 x de infectados com HIV na população homossexual, a probabilidade de haver um encontro com um infectado é muito maior. Isto quer dizer que MESMO USANDO PROTECÇÃO, o risco é acrescido, o que configura a situação de grupo de risco e não de comportamento de risco. Não me interessa o que dizem as comissões politicamente correctas, mas sim o que é a realidade.
Dirão que os heterossexuais também fazem sexo anal. Mas acontece que segundo as estatísticas recentes (ver Visão de há 4 semanas) apenas cerca de 20% o praticam e desses apenas uma minoria o fazem assiduamente, enquanto que nos homossexuais é a prática sexual corrente e mais frequente.
Portanto, mais uma vez se mostra que é sempre bom eleborar as ideias em função dos factos e não distorcer factos para encaixarem em ideias, por muito bem intencionadas que sejam. É que a verdade e a Natureza não têm moral.

FGCosta (médico)

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