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Galdéria que envelhece

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.07.09

O debate de ontem, mais que um duelo titânico de dois eternos sempre-em-pé, mostrou, ou melhor, voltou a mostrar algo de extraordinário. Se Lisboa espirra, Portugal estremece.

É extraordinário como é que uma câmara, mesmo tomando em atenção o facto de ser a maior e a capital, consegue receber tanta, mas tanta atenção por parte da população. Um indivíduo analfabeto que viva junto das ovelhas de Idanha-a-Nova sente-se capaz e, pior, no direito de emitir juízos profundíssimos, na sua perspectiva, claro está, sobre o estado da cidade. É homem para dizer que o Santana é um malandro que quer é copos e que o António Costa é um pão sem sal que não faz nada de jeito.
Para além de interessante para quem observa, como eu, que sou alfacinha apenas e só de nascimento, este fenómeno é extremamente prejudicial para a cidade. Ao longo dos últimos anos Lisboa não foi mais que uma galdéria na mão dos engatatões da política nacional. Funciona constantemente, mandato após mandato, como uma espécie de curso, de sítio de aprendizagem para mais altas paragens. Com isto, a cidade que, não sendo minha, me pertence também, tem vindo a envelhecer, como as galdérias envelhecem, a aparecer esburacada, sem brilho no olhar, com o cabelo estragado das pinturas baratas e com aquelas roupas muito estranhas. Provavelmente, daqui a uns anos, estará tão estragada que já nem os mais aventureiros lhe pegarão. Aparecerão outras galdérias, mas os que dependem desta ficaram com o indignado braço no ar a pedir explicações ao passado. Ou isto, ou então sou eu que estou a dizer disparates.

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4 comentários

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De João Gante a 30.07.2009 às 02:03

Tem razão quando diz que a governação de Lisboa deve ser feita por alguém que lhe seja próximo. Já quanto a considerar que é pior alguém achar ter direito do que achar ser capaz de opinar seja sobre o que for...não quero crer que seja bairrismo, não faz o que julgo ser o estilo do Tiago. Admito que possa ser irritante tanta opinião. Mas já reparou que o conhecimento sobre uma terra não se faz apenas da vivência nela?
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De Tiago Moreira Ramalho a 30.07.2009 às 09:53

Eu faço aqui um paralelismo tolo entre duas câmaras distintas e dois países distintos.
Não acharia absurdo que um espanhol lhe viesse dizer para votar no Paulo Portas? Ele certamente tem liberdade para o fazer. Mas é uma parvoíce. Do mesmo modo acho sempre tolo que uma pessoa que não seja de uma cidade se pronuncie sobre essa cidade. Se já os que nela vivem às vezes a conhecem tão mal, quanto mais os que nunca a pisaram...
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De Daniel João Santos a 30.07.2009 às 10:01

Então estou bem arranjado, nasci num cidade, vivo noutra, passo muito tempo noutra, trabalho noutra e adoro outra ainda.

Estou confuso, não sei de qual falar.
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De João Gante a 30.07.2009 às 10:37

Não vou pegar no paralelismo que o Tiago fez enquanto recurso porque para quem anda neste "ramo", embora nunca sejam exactamente adequados ao caso, os paralelismos são sal das discussões.

Tem razão nele e de facto, se alguém de Cabeçais de Alvaiázere (queira deus que não exista), que nunca se desloca a Lisboa, der em dissertar sobre a gestão do trânsito em Lisboa ou outro assunto mais específico, tolice é uma palavra adequada a isso.

Mas não pode esquecer que Lisboa é o centro financeiro e económico do país. Há milhares a milhares a deslocarem-se a ela todos os dias e, portanto, a serem afectados por decisões do município. Questões como a frente ribeirinha, os contentores de Alcântara, a manutenção ou não da Portela e o que fazer com ela, são de pertinente discussão por qualquer pessoa que tenha algum contacto com Lisboa.

E até de qualquer pagador regular de impostos. Custa-me usar este argumento porque, no seu extremo, serve para nos imiscuirmos em todo e qualquer papel no passeio da Av. da Liberdade. Mas o que me parece é que a maioria dos assuntos ditos lisboetas que se discutem por todo o país extravasam as "muralhas" de Lisboa.

Tomara que pudesse ser como o Tiago diz. Mas o seu ponto de vista seria mais válido numa situação de normalidade. Não estamos - quem vive em Lisboa - de todo, nela.

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