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Potências ou wannabes

por Tiago Moreira Ramalho, em 10.07.09

Por estes dias está a decorrer a reunião do fórum do G8 em L'Aquila, Itália. Como era expectável, as potências emergentes, outro chavão da política internacional, acharam que tinham de participar porque, afinal, eram importantes de mais para ficar fora do clube. Com isto, convidou-se também o Egipto e mais uns amigos europeus. Tivemos assim um fórum com EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Itália, França, Japão, Rússia, até aqui o G8, mais o Brasil, a Índia, a China, a África do Sul e o México, grupo a que se vai chamando G5, mais o Egipto, Espanha, Holanda e a Turquia.

É muito país e se calhar até é bom, para que o diálogo se alargue e não fique impregnado com o odor do Atlântico.

No entanto, parece-me interessante o papel a que se prestam líderes poderosíssimos como Lula da Silva, não se riam, ou Hu Jintao. Actualmente, as potências emergentes não o são mais: são potências, ponto. Os países do G5 ultrapassam hoje muitos dos países do G8. A China já é a segunda potência económica a nível mundial e a Índia é a quarta. Mesmo o Brasil já ultrapassou a Itália e o Canadá. Para além disso, em termos militares, não há exército maior que o chinês. É por isto francamente perturbador ver os países do G5 tratarem-se a si próprios como potências de segunda categoria, burgueses a querer entrar nas festas da alta nobreza. Não são. E enquanto se portarem como tal, enquanto não funcionarem independentemente dos caprichos de Washington e não se assumirem como actores importantes, serão sempre vistos pelo mundo como atletas de segunda linha, nações cujo contributo é perfeitamente dispensável. O primeiro passo, provavelmente, seria impor a entrada permanente no grupo.



6 comentários

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De l.rodrigues a 10.07.2009 às 15:58

Outra solução é criar outro grupo, com regras diferentes, onde os outros acabem por querer entrar.
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De Tiago Moreira Ramalho a 10.07.2009 às 16:00

Penso que essa poderá ser uma boa manobra, apesar de achar que não pode ser uma posição de princípio. Temo que a existência de dois grandes grupos, tão diferentes, poderá levar a um clima instável...
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De l.rodrigues a 10.07.2009 às 16:32

É verdade. Mas ameaça dessa instabilidade pode ser o que é necessário para repensar as relações de poder internacionais.
A ponto de o tal segundo grupo acabar por não chegar a ser necessário.
Nestas coisas lembro-me de Roma, do Senado, e dos tribunos da plebe.
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De Manuel Leão a 10.07.2009 às 18:12

Tiago Moreira Ramalho:

Clima instável? Mas que estabilidade é essa que você vê e eu não vejo? Estabilidade económica, estabilidade no trabalho, estabilidade social, controlo das epidemias ao nível global, paz mundial? Diga-me por favor. Com humildade lhe peço que me mostre essa estabilidade.
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De Tiago Moreira Ramalho a 10.07.2009 às 18:19

Não estamos em guerra fria, pois não?

Não é para mim um cenário absurdo o de haver uma guerra fria entre os dois grupos.
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De Manuel Leão a 10.07.2009 às 19:04

Tiago Moreira Ramalho:

Guerras frias não sei se temos ou não. Mas guerras quentes temos algumas. A mim, parece-me que as quentes já são suficientemente más. Mas se o seu critério é não haver guerras frias, então deve estar satisfeito, presumo.
Mas mais uma vez faço esta ressalva: não sei se estamos em guerra fria ou se não estamos. Assim, como também não sei quem seria o contendor dessa eventual guerra fria que poderia eventualmente existir, mas que para si, pelos vistos, não existe.

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