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Fresco e airoso

por Tiago Moreira Ramalho, em 30.06.09

Qualquer pessoa interessada por política se questiona, sem necessariamente emitir juízo, sobre o crescimento do Bloco. Um partido que nasceu de uma série de partidos do mais radical que pode haver e que em escassos dez anos construiu aquilo que nem o PCP consegue ter.

A verdade é que o Bloco ganha muitos votos com as questões fracturantes, que, infelizmente, são exclusivas do partido de Louçã. No entanto isso não chega. É estranho que haja em Portugal tanta gente a votar num partido apenas e só porque faz três ou quatro marchas de vez em quando. Aquilo que acho, e o termo é mesmo acho, que não tenho propriamente estudos sociológicos na mão, é que tudo isto se deve a uma estratégia muito acertada e que só por burrice não é aproveitada por outros partidos: o Bloco está ao lado. Se imaginarmos os partidos num campo de batalha, vemos o PS e o PSD todos misturados à batatada, tão necessária, que só com batatada pode haver política, e vemos o Bloco a passar ao lado disto. Sorrateiramente, sem que ninguém dê por isso, o Bloco vai aqui e acolá falando com este e aquele, convertendo ou não, mas sem grandes sobressaltos. Tirando a crítica estúpida feita pelo PS no último congresso, que apenas deu força e permitiu aquele riso vitorioso de Francisco Louçã, ninguém contesta publicamente uma proposta do Bloco. O PSD esquece-se da sua existência, o PCP não pode, apesar de ter muita vontade, e o CDS passa tanto tempo a fazer-se notar e a defender-se dos outros que nem consegue. Resta o PS que crítica, mas quando o faz é de forma ridícula: ataca o carácter não democrático (que existe, mas é tão subtil que não pode ser denunciado de forma tão simplista) e pouco mais.

O Bloco parece intocável e o problema é que, ao não se envolver em guerrilhas partidárias na maioria das vezes inúteis, o Bloco não fica tão desgastado como os grandes, podendo semear por todo esse Portugal as suas promessas vãs e demagogia barata. O problema é que a brincadeira já está a ficar séria e o Bloco já começa a ter demasiados apoiantes - a maioria dos quais deposita neles o voto por puro protesto e sem saber realmente aquilo que estão a comprar. É uma obrigação dos grandes partidos, de todos, que se olhe de outra forma para o Bloco e se denuncie as bizarrices que propõem. A bem da democracia e de todos nós.

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38 comentários

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De cutelo a 30.06.2009 às 20:19

Como dissemos no post "eleições e ilusões" o BE é um cocktail de equívocos. Basta conhecer alguns membros para sentirmos a confusão que por ali anda. Mas dada esta alienação das pessoas, o protesto e a forte imprensa que o BE tem, não admira.
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De Daniel João Santos a 30.06.2009 às 20:32

O Bloco é um perigo para a democracia... ?
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De Tiago Moreira Ramalho a 30.06.2009 às 20:39

Lê o programa deles e diz-me tu.
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De Micas a 30.06.2009 às 21:23

Durante três anos ou mais o Bloco foi a única oposição digna desse nome, consistente e perseverante . Fez bem o trabalho de casa, escolheu a estratégia correcta, como diz o post , e não se deixou intimidar nunca pelos ataques do PS e pela demagogia do Governo. É claro que uma imprensa, senão favorável, seguramente tolerante, também ajudou. As causas fracturantes são-no muitas vezes apenas virtualmente (e.g. aborto). Acresce que o Bloco não é percepcionado por muito do seu eleitorado como uma força de extrema esquerda. Pelo contrário, o estilo soft spoken dos seus líderes transmite uma imagem bem diferente dos da CDU e cativa muito do eleitorado moderado que, numa conjuntura marcada pela crise e desiludido pelos partidos do bloco central, se refugia naqueles que sente mais próximos das causas sociais. Não nos esqueçamos que o cidadão médio não tem por hábito ler os programas dos partidos - nem os partidos, convenhamos, fazem um grande esforço para os divulgar...
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De ruy a 30.06.2009 às 21:44

Será penosamente que Sócrates e o PS se arrastarão até às próximas eleições legislativas. Dobrados, curvados, ao peso das mentiras e golpadas que o tempo e as circunstâncias se encarregaram de desmascarar. Não se trata portanto das “trapalhadas” por inabilidade política como aconteceu com o governo de Santana Lopes, mas das manobras, das golpadas, calculadas e estudadas nos gabinetes ministeriais, agora clara e totalmente visíveis.
Por outro lado se Louçã, como as suas últimas intervenções parecem fazer crer, erguer como primeiro adversário o PSD, não será de estranhar o esvaziamento do “balão eleitoral” alcançado nas eleições europeias pelo Bloco de Esquerda. Igual cuidado deverá ter o PCP. Uma tal estratégia não será do agrado do eleitorado que manifestamente optou por uma nova alternativa. A ser seguida por estes partidos uma tal opção, só colocará o PSD muito próximo ou mesmo em maioria absoluta. Situação impensável há pouco tempo atrás.
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De Pedro Almeida a 30.06.2009 às 21:45

Já comprou o seu bilhete de avião para o Brasil?
Olhe que em Setembro pode já ser tarde demais......

Wuawuawuawua (isto é suposto ser um riso sinistro)
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De Tiago Moreira Ramalho a 30.06.2009 às 21:54

Wawawawa parece que está a bocejar. Um bom riso sinistro é: Muahahahahah.

E sim, já tenho o bilhete para dia 27 as 18 - hora em que se saberão os resultados quase certos.
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De Levy a 30.06.2009 às 23:22

Parte do sucesso do BE deve-se ao facto de surgir como um partido moralizador. Eu diria antes "moralista", mas adiante... o BE em termos de corrupção é completamente virgem, não é um partido do sistema e recorre à demagogia barata e ao populismo. São 4 ingredientes fatais para começar a ter expressão.
Em muitos países da Europa, há na direita o equivalente ao BE : a extrema direita. Cá como a mentalidade é socialista e estatísta (porque os portugueses adoram que o estado trate deles e são incapazes de fazer algo sozinhos) apareceu este fenómeno perigosíssimo que é o BE .
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De Anónimo Veneziano a 01.07.2009 às 05:34

"Este fenómeno perigosíssimo que é o BE " ? Não me faça rir. O BE não consegue libertar-se de uma inspiração aristocrática (ou iluminista) que não lhe abrirá mais chances nenhumas. É um pouco como o princípio de Peter.
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De Levy a 01.07.2009 às 14:59

Caro Veneziano,

Estamos no domínio puro das opiniões, e é assim que eu vejo o BE .
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De Anónimo Veneziano a 01.07.2009 às 15:14

Caro Levy,
Entendo e respeito o seu ponto. Mas não resisto á tentação de fazer uma comparaçãozinha: o BE, no fundo, é como um blogue tipo "Blasfémias" (poderia dar outros exemplos) que tem a função social de servir de válvula de escape a muitos frustrados, recalcados, paranóicos, revanchistas, ressentidos etc. que por aí circulam e que não encontram facilmente escapes catárticos. Por isso o BE é essencial ao equilíbrio do sistema. E, por isso mesmo, tem limites naturais que nunca poderá ultrapassar. A não ser que ele mude de estilo, mas isso já é outra conversa.
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De Levy a 01.07.2009 às 15:47

Veneziano,

Mais razão me dá: o Blasfémias é o blogue com mais visitas em Portugal. Já ultrapassaram as 5 milhões.
Nós não sabemos até onde poderá ir o fenómeno do BE , ainda para mais com o historial que há em Portugal: em tempos de crise, os partidos do Bloco Central afundam-se, foi isso que permitiu aparecer um PRD com 18% ao mesmo tempo que o PCP tinha 15%.
Mas há pouco talvez não me tenha feito entender completamente: o BE é um fenómeno perigoso, também porque a sua influência é maior que o seu eleitorado. O seu discurso demagogo está em todo o lado, e ameaça contaminar as discussões, passando a ser uma ideologia instituída. O motivo é simples: é um discurso moralista, e no qual se dá tudo a todos.
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De Nuno Castelo-Branco a 01.07.2009 às 19:01

Exacto, Levy. A meu ver, não passa de uma outra forma de "lepenismo", com o mais "satisfatório" rótulo de esquerda. Sem responsabilidades e onde as têm - na tal única Câmara Municipal -, a coisa nem sempre corre pelo melhor.
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De Levy a 02.07.2009 às 02:25

Nuno Castelo-Branco
Mas se viessem a ter responsabilidades, também teriam a cartilha pronta. Diriam o mesmo que nos países comunistas se dizia dos fracassos: são obra de sabotadores, de neoliberais infiltrados, do imperialismo da CIA, etc. Eles nunca, mas nunca, são responsáveis por nada.
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De João André a 01.07.2009 às 09:43

Desvalorizar o BE é o mesmo que considerar que o sistema eleitoral deveria efectivamente favorecer o bipartidarismo, onde os restantes partidos caíssem nas franjas e nao tivessem representatividade eleitoral.

Muitas das propostas do BE são demagogia e irresponsáveis? Pois são, mas também muitas dos PS, PSD, PP, PCP, etc e tal o são. E quando algum desses partidos chega ao poder acaba por não as cumprir (basta ver o rol de promessas não cumpridas por todo e qualquer governo). Isto entra facilmente nas contas de quem vota BE. Reparem que os eleitores não são estúpidos apenas porque não votam no mesmo que nós. Por vezes votam em certos partidos porque querem aquele tipo de vozes a ser representadas nos órgãos de soberania. Não creio que haja eleitores BE a crer que eles ganham eleições, independentemente da retórica de Louçã. Eles querem é que um conjunto de propostas cheguem ao Parlamento.

Obviamente que há quem pretenda realmente nacionalizações e coisas que tal, mas esses são os que vinham da junção do PSR com alguns outros partidos pré-BE. O crescimento é devido em boa parte àqueles que acreditam numa economia de mercado mas menos selvagem e mais controlada. Que acreditam que as tais questões fracturantes devem entrar na agenda política e que acham que os partidos que estão no Parlamento não cumprem tais funções. Neste aspecto, eu vejo o BE como o equivalente a'Os Verdes na Alemanha.
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De Nuno Castelo-Branco a 01.07.2009 às 11:00

Embora possa ser acusado de simplismo, há toda uma série de questões que jamais foram colocadas ao senhor Louçã, sempre muito respeitosa e subservientemente tratado nas entrevistas:

1. Qual o figurino constitucional que o BE aplicaria a Portugal, se um dia obtivesse uma maioria absoluta parlamentar? Qual o papel reservado ao Estado na conformação do esquema partidário?

2. Que tipo de garantias daria quanto à legalidade dos chamados partidos burgueses - PSD e CDS -, conhecendo-se a matriz (es) ideológica (s) do BE?

3. Qual o tipo de modelo, ou melhor, de política económica e financeira a aplicar ao país? Até onde iria o processo de estatização, vulgo nacionalizações? Qual a autonomia a conceder às empresas? O que pensam acerca do "modelo chinês" ou venezuelano? É que num país de pequenos proprietários convém deixar isto bem claro.

4. A liberdade de imprensa será extensiva a qualquer sector ideológico, ou mais especificamente, aos que actualmente - os grupos empresariais - controlam a imprensa portuguesa? Esta resposta depende de todas as anteriores.

5. Qual o posicionamento que Portugal deverá assumir no concerto internacional. Deverá abandonar a OTAN? O que pensa o BE acerca do tipo de sistema vigente em Cuba, na Venezuela, Coreia N., ou China? Considera serem estes Estados uma outra forma de democracia ou ditaduras (não existe meio termo).

6. Qual teria sido a posição do sr. Louçã durante o verão de 1975 e se perfilhava os resultados decorrentes do 25 de Novembro?

7. A pergunta mais simples de colocar e de mais difícil resposta: o sr. Louçã é ou não é comunista? Como avalia o papel desempenhado por Lenine, Estaline ou Trotsky?


Sinceramente, gostava que alguém lhe colocasse uma ou duas questões: a última seria suficiente para de imediato termos a resposta para as anteriores.
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De José Manuel Faria a 01.07.2009 às 14:27

TMR,

"É uma obrigação dos grandes partidos, de todos, que se olhe de outra forma para o Bloco e se denuncie as bizarrices que propõem. A bem da democracia e de todos nós."

Deve querer dizer PSD e PSD ( todos).
O BE propõe bizarrices! Diga uma.

A maior bizarrice do BE, é não aceitar pelouros caso o Vereador(S) ou membros das assembleias de freguesia de executivos de direita, CDS, PSD. E só aceitar com o PS, se outra forças de esquerda entenderem-se. Se não existir outra esquerda, o BE aceita discutir com o PS e depois logo se verá, 90% de probabilidade de não
aceitar.

Não se preocupem tanto. O BE não procura o poder a todo o custo.

O BE pode chegar nas Legislativas aos 500 000 votos. Impossível, existir meio milhão de revolucionários num Portugal tão democrata.

Deixem-se de tretas e de assustar as ovelhas perdidas. Afinal k Democracia Política pretendem?
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De Tiago Moreira Ramalho a 01.07.2009 às 14:50

Sair da NATO, levantamento TOTAL do sigílo bancário, inversão do ónus da prova no caso de enriquecimento injustificado, controlo público da política de crédito, anulando a propriedade privada de bancos, proibição dos despedimentos em empresas com lucros, etc., etc., etc.
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De José Manuel Faria a 01.07.2009 às 19:19

"Anulando a propriedade privada de bancos"!! Desconheço.

Sair da Nato, é um perigo! E a Suiça?

Lucros das empresas, é temporário.

O etc, etc, leva-nos para o abismo.


Viu o debate de hoje

Ouvir o João Semedo, até mete medo!

É curioso, o PCP, insiste no desvio social-democrata do BE.

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De APC a 01.07.2009 às 15:15

Tiago - Felicito-o pelos seus comentários desassombrados sobre o BE e partilho-os quase na totalidade. Gosto que responda aos posts dos seus leitores. É bom e diz bem de si.

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