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Misturas

por Tiago Moreira Ramalho, em 28.06.09

O Eduardo Pitta faz aqui umas misturas muito giras, que são excelentes para convencer quem está já convencido. No entanto, são de uma falta de rigor que não esperava.

Em primeiro lugar, o negócio da PT não preocupa apenas liberais. Pelo menos, e ao que sei, o próprio Primeiro Ministro quando ainda era um deputado de oposição gritava, já naquele tempo ele gritava, contra uma participação directa ou indirecta do Estado na comunicação social para além do grupo que já possui. Não é, portanto, uma bandeira liberal, caro Eduardo. Em segundo lugar, a única preocupação com a compra da TVI por parte da PT era precisamente o facto de o Estado ter a golden share, o que permitiria uma influência muito grande. Como a PT já não está a comprar, já não interessa, obviamente. A possível compra de acções da Media Capital pela Cofina é, essa sim, uma questão de privados na qual o Estado não tem de se intrometer. Ou o Estado tem uma golden share secreta na Cofina?

Depois o Eduardo, demonstrando franca flexibilidade na escolha dos temas, inclui sem mais nem menos o BPN e os prémios do BCP na questão. Bom, Eduardo, novamente os prémios pagos pelo BCP aos seus empregados são uma questão da empresa, na qual o Estado não se intromete - tanto que não se intrometeu. O BPN é caso de polícia e de comissão parlamentar de inquérito - e julgo que tudo se está a desenvolver, apesar de devagar.

Por fim, quanto às extraordinárias coisas que indica, nada me parece mais simples. O facto de o Presidente da República ter vetado a lei invocando esse argumento - que me parece descabido, mas isso será para outra discussão - não implica que o Presidente da República seja a favor de toda e qualquer intervenção do Estado na Comunicação Social, isto é, não implica que o Presidente da República defenda um monopólio estatal, mais ou menos disfarçado, sobre os media. Por fim, Manuela Ferreira Leite tem razão. Quando anunciou que se iria opor ao negócio, José Sócrates não invocou argumentos sólidos, mais não fossem os argumentos que o fizeram defender a lei do pluralismo e da não concentração. José Sócrates disse apenas que não queria que desconfiassem dele e do governo. Isto, por si só, diz tudo.

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6 comentários

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De António P. Castro a 28.06.2009 às 17:18

Tem o meu aplauso, caro Tiago, porque está cheio de razão e a explicita com lucidez.
A propósito, não resisto a dizer-lhe que Pitta não justifica o link e o tempo que perde com ele.
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De Tiago Moreira Ramalho a 28.06.2009 às 17:32

Obrigado pelo elogio. Mas não diga isso do Eduardo Pitta, que não é verdade...

Cumprimentos
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De Cristina Ribeiro a 28.06.2009 às 19:46

Como já nos vem habituando, Tiago...: clarinho como água.
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De cr a 29.06.2009 às 09:50

1-0 Eduardo Pitta versus TM Ramalho.
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De Tiago Moreira Ramalho a 29.06.2009 às 10:05

Está bem cr. O clube do TMR está a perder então. Isto é mesmo isso... clubes e clubismos.
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De Gonçalo a 01.07.2009 às 14:11

E porque raio não há-de ser uma questão de clubismo? Tentar justificar e explicar acções de terceiros, da qual nada - ou pouco - sabemos, a não ser umas quantas desconfianças de intenções, não será reflectir as nossas espectativas em determinada pessoa?

Acredita realmente que no PSD vivem anjinhos altruistas? Ou que o PS não passa de um coio de renegados cleptómanos?

Diga-me, por favor, se acha mesmo que:

a) A PT (e demais accionistas que não o Estado) iam mesmo na conversa de comprar a Mediacapital só porque ao Sócrates irrita a Manuela Moura Guedes e lá o outro chouriço. A sério. Pensa lá um bocado e diga-me lá se sim ou não.

b) Mesmo que o Governo soubesse desde Janeiro (como alguns circulos dizem) por que razão iria o Sócrates insurgir-se de tal forma contra a linha editorial (que é asquerosa, já agora, se bem que, de repente, se tenha tornado no arauto do glorioso jornalismo descomprometido em Portugal)? Acha que além de mentiroso e ladrão, o Eng.(?) será estúpido? É que, se assim fosse, já os tinha na mão... nem tinha de se chatear.

c) O Zeinal Bava parece-lhe um aldrabãozeco capaz de tudo para proteger o seu padrinho?

d) Acha que, estando as coisas como estão, com o PS na calha para ir de vela, alguém no mundo ia assumir uma decisão política como essa?

e) Volto a perguntar... acha mesmo que a PT ia na cantiga?

Claro, podiamos fazer aqui um pequeno parêntesis e conjecturar sobre eventuais contrapartidas relativas a negócios passados - como a venda de uma determinada rede fixa por uma pequena percentagem de um determinado valor, aceite e celebrada por uma determinada senhora - mas isso seria de mau tom.

Naturalmente, um tipo da seriedade e probidade moral do Cavaco ter tido o timing perfeito para arrotar mais uma posta daquele calibre também não nos deve preocupar. Independentemente das razões subjacentes (que até as terá, bem entendido) não pode - sob o risco de parecer o que pareceu - fazê-lo na sequência em que o fez. Porque, a ter moral para se insurgir e mostrar preocupação acerca de um negócio como este, teria de o fazer acerca de todos que envolvem o Estado e/ou interesses dos seus agentes, presentes, passados e futuros.

Por fim, pequena nota, pensa este seu humilde leitor que, sendo o mercado livre e tal, que o estado tem todo o direito de se intrometer quando as rambóias das empresas privadas afectam, directa e indirectamente, o dinheiro do contibuinte. Os bancos não podem andar a chafurdar na sua propria imundice quando, ainda há pouco, vimos que teve de ser o dinheiro aqui dos zés a garantir a solvência dos mesmos. Se o estado não se intrometeu, se calhar devia te-lo feito. Mas isso, se calhar é uma questão de perspectiva.

Aliás, pelos vistos, tudo o que disse é, realmente, uma questão de perspectiva. De dogmática, de axiomas e, claro, de credo, puro e simples, na(s) figura(s) de uns quantos.

Como duvido que qualquer coisa que lhe possa dizer o demova da sua opinião, e como aposto que já está, neste momento, a desmontar o meu raciocínio para esgrimir com mais umas opiniões / factos que apontem para a inatacabilidade do seu ponto de vista (sabendo, no entanto, que não me vai fazer mudar de ideias), deixo-o apenas com esta reflexão...

Se isto, meu caro, não é uma questão de clubite, não sei o que será.

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