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Habemus Provedor

por José Aguiar, em 26.06.09

O impasse que durou um ano em torno da sucessão do Provedor de Justiça foi responsabilidade directa de dois intervenientes: José Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Ambos achavam que tinham direito a escolher o próximo Provedor, que possuíam o direito àquela fatia específica do espólio institucional do Estado que, para mais, trazia um brinde acoplado: uma inerência no órgão consultivo do Presidente da República.

Durante este último ano, Nascimento Rodrigues, com enorme sacrifício pessoal e com uma raríssima noção de serviço público foi-se aguentando no cargo até que, saturado, bateu com a porta, forçando um entendimento, devolvendo o futuro da Provedoria às mãos do Parlamento. O processo não dignificou a classe política e, sobretudo, os dois partidos que sempre comandam os destinos da governação. Sócrates achou que ia vergar a determinação de MFL lançando a candidatura de Jorge Miranda, contando com a adesão e os votos do PSD no Parlamento. Mas MFL não transigiu e optou por apoiar uma candidatura própria, adivinhando-se logo o chumbo de ambas, porque nestas coisas ou bem que o Bloco Central se entende, ou então nada se faz nem anda para a frente.

As insistências de Cavaco Silva parece que surtiram efeito e, soube-se hoje, Alfredo José de Sousa é o nome que ambos os partidos vão submeter a votação parlamentar. Embora tenha demorado um ano, o PSD acaba por ganhar esta guerra.

A ideia que fica na espuma das notícias é a de que o PSD sempre procurou o consenso, mas que Sócrates e o PS da maioria absoluta optaram por impor uma solução unilateral. A somar à recente questão dos grandes investimentos, esta é mais uma que, para a opinião pública, resulta muito bem a favor do PSD.

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7 comentários

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De Clara França Martins a 26.06.2009 às 16:11

Desculpe, mas não percebo onde é que o PSD sai bem disto.
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De Sam a 26.06.2009 às 20:42

Partilho da opinião que não ficou bem a ninguém… foi uma posição de força do PSD, o PS não levou a melhor, mas o “asfixiar” da decisão até ao último momento sugere que os jogos políticos, de bastidores são momentos de trocas que pouco, ou nada, dignificam a classe política.


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De Manuel Leão a 26.06.2009 às 23:45

Habemos provedor, mas, mais uma vez, não vemos vergonha alguma. Tudo como dantes, quartel general em Abrantes. É só a somar...
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De Ricardo S a 27.06.2009 às 00:19

Boa noite.
Sinceramente, não compreendo como é que o PSD sai bem visto, ou melhor visto que o PS. É que ficam ambos mal - muito mal - na figura...
Quanto à escolha, considero boa, mas considerava Jorge Miranda a melhor. Foi teimosia, do PSD, recusar um nome credível e de peso e que, por acaso, até está mais ligado ao PSD do que o novo Provedor. Vá-se lá entender a Dra. Manuela. Será que tem alguma coisa contra Jorge Miranda?...
Gostaria ainda de escrever que a escolha deveria ser feita ou em eleições (como defendido por Medeiros Ferreira e com a qual concordo mais) ou pela oposição. A Dra. Manuela defendeu isto, mas duvido que defenda mesmo ja que quando lá esteve nao aplicava este principio (outra das razões de o PSD sair mal visto neste processo).
Abraço e bom fds.
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De Chocoholic a 27.06.2009 às 00:23

Desta vez deixo aqui um apelo importante para todos:

http://rosa_xhoque.blogs.sapo.pt/20104.html
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De José Aguiar a 27.06.2009 às 00:37

Sublinho, para a opinião pública. A minha (sobre a questão concreta) terá ficado bem patente no texto, mas para não haver dúvidas, repito-a: "o processo não dignificou a classe política e, sobretudo, os dois partidos que sempre comandam os destinos da governação". A verdade é que, no fim do dia, aquilo que passa é a solução de consenso, e não a solução unilateral. Explicito: a posição do PSD que prevaleceu sobre a do PS. Exactamente como nos grandes investimentos que é como quem diz "isto não é só como tu queres, eu aqui também mando qualquer coisinha".
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De Manuel Leão a 29.06.2009 às 11:40

jccaguiar referiu: "(...) eu aqui também mando qualquer coisinha".

Mas penso que, apesar de tudo, ficou curto. Poderia ter acrescentado: eu aqui também quero qualquer coisinha(*).

(*) qualquer coisinha: expressão idiomática portuguesa que significa "um cargo de gestor de empresas onde se recebem proventos equivalentes aos de um bom jackpot do Euromilhões e que costumam ser desribuídos por um núcleo restrito de pessoas garantidamente competentes". Excêntricos, portanto. Eles e os proventos...

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