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Insularidades (4)

por Lopes de Araújo, em 31.05.09

Woah Canadá!

 
“Os meus pais são portugueses, nasceram nos Açores, em S. Miguel, e eu desde pequena que passo lá férias, com a minha avó. Em minha casa fala-se em inglês mas, curiosamente, comecei por cantar em português. A minha mãe sempre fez questão de que eu e os meus irmãos aprendessemos português”
Nelly Furtado
 
Hoje domingo dia 31 de Maio os Açores comemoram o seu dia oficial.
Este ano as comemorações decorrem em Toronto Canadá para onde Carlos César levou uma extensa delegação integrando diversos sectores da sociedade Açoriana.
 
A ideia é louvável já que a maioria dos Açorianos vive fora dos Açores (estima-se que na América do Norte possam estar perto de um milhão de Açorianos). No Canadá sem números muito seguros são também perto de quatrocentos mil já com a segunda geração, espalhados por aquele imenso teritório de Montreal a Vancouver.
 

Apesar da presença Portuguesa ser muito antiga (há quem atribua o nome da Península do Labrador a João Fernandes ”o lavrador” que saiu da ilha Terceira em navegação para Oeste a mando do Rei Português) a verdade é que só em 1953 começou o grande fluxo migratório para aquele país e em 1957 a Canadian National Railway contratou perto de um milhar de homens para trabalharem na construção do caminho de ferro. Em condições de grande dificuldade, dormindo nos próprios vagões, com dificuldade de adaptação a um clima rigoroso, sem conseguirem comer a alimentação que lhes era dada, esses pioneiros de então, logo que terminavam o contrato ficavam pelo país na região onde o próprio caminho de ferro se encontrava. Talvez isto ajude a explicar essas comunidades tão dispersas como Vancouver, Winnipeg, Edmonton Toronto ou Montreal. Há mesmo uma longínqua comunidade Açoriana em Kitimat já perto do Alasca .

 
 Conheci Carlos Almeida que trabalhou para a  Canadian National Railway no recrutamento desses Açorianos pioneiros da emigração para o Canadá.
Carlos Almeida é uma personalidade de grande interesse, tem diversos livros publicados sobre a História da presença Açoriana na América do Norte e vive em San Leandro onde goza merecida reforma depois de na última fase da sua vida profissional ter presidido à UPEC-União Portuguesa do estado da Califórnia. Carlos Almeida contou-me como em 1957 no rés do chão da Câmara Municipal de Ponta Delgada faziam o recrutamento em que ele participou. A Companhia pretendia homens habituados a trabalho pesado.
Nos anos cinquenta a miséria grassava nas ilhas ditas adjacentes que a ditadura deixava ao completo abandono. A emigração era uma porta para fugir à pobreza e à falta de futuro. Nas filas para o exame, eram inúmeros os Açorianos que não sendo gente habituada a trabalho duro tentavam no entanto também a sua sorte.O funcionário Canadiano inspeccionava-lhes os dentes para estar seguro de que eram saudáveis e olhava-lhes as palmas da mão à procura dos calos que revelassem a experiência de segurar o sacho ou o malho.
A humilhação valia uma autorização de entrada no Canadá e um ano de inferno com frio, feijão e um mundo onde nada percebiam, longe da família que ficava atrás.
Depois por lá foram ficando…A CN Tower ex-libris de Toronto teve centenas de Açorianos na sua construção e os arranha-céus do centro foram construídos com muita força das ilhas.
Hoje a comunidade Açoriana do Canadá impôs-se naquele país. Professores Universitários, médicos, advogados, políticos e até músicos (Nelly Furtado) filhos de Açorianos, estão plenamente integrados naquele extraordinário país.
Na minha terra a liberdade trouxe a autonomia, o progresso e o desenvolvimento e não há mais emigrantes a partirem para o Canadá.
Hoje 31 de Maio em Toronto Canadá no dia dos Açores, as lágrimas e as mãos abertas dos humilhados de há cinquenta anos estão no coração de todos os Açorianos.
No meu também. A eles a minha homenagem. 


2 comentários

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De Anonimo a 31.05.2009 às 14:05

Parabens, Excelente Post.

Infelizmente o vosso Nilton ainda tem muita Papa Mayzena pela frente..

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