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Prevaricar com pena e papel

por Tiago Moreira Ramalho, em 22.05.09

Ao que parece, um enfermeiro, achando estar a ser alvo de perseguições por parte das chefias, decidiu queixar-se ao chefe máximo: o Presidente da República. Enviou, portanto, uma carta expondo o seu problema. O resultado foi um processo disciplinar por parte do hospital onde o enfermeiro trabalha que levará ao despedimento e poderá ainda levar à pena de prisão por seis meses.

Isto é absolutamente inaceitável e facilmente se percebe porquê. Imaginemos uma empresa privada. Existia o dono da empresa, ou melhor, o Presidente da empresa, depois havia o gerente e depois o empregado. Imaginemos que numa determinada situação, o empregado sente que está a ser injustiçado e decide queixar-se ao presidente. Nesta situação, há um verdadeiro conflito entre duas partes e caberá ao Presidente resolvê-lo. No entanto, o gerente, maldito, decide cortar o mal pela raiz e despedir o funcionário. Obviamente, numa empresa decente, o Presidente não daria este poder ao gerente, no entanto, na nossa empresa, a verdadeira empresa pública, esse poder existe. E numa situação de conflito entre duas partes, que deve ser gerida por um terceiro, há uma das partes que usa o seu poder para afastar a outra. É inadmissível que isto assim aconteça e se acaso este enfermeiro, cujo nome não sei, nem me interessa que aqui a pessoa é o que menos importa, for realmente despedido por aqueles contra quem se queixa sem que o Ministério diga o que quer que seja, o sistema morreu.


12 comentários

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De Maria João Marques a 22.05.2009 às 14:18

Este post lembrou-me das aulas de Comportamento Organizacional na Católica (que acho que foi a única optativa de Gestão que eu fiz). Diziam-me, é importante assegurar a ideia de Justiça dentro de uma organização; e uma das formas de tal suceder era a possibilidade de alguém se queixar de algo ou alguém acima da sua chefia directa, sem por tal ser penalizado. É uma coisa que eu tento sempre fazer na minha PME (o que requer equilíbrio, para não desautorizar as chefias intermédias): fazer sentir a todos que podem vir directamente falar comigo se o assunto for grave - e se já disse algumas vezes 'não me mace com disparates desses' também já houve casos em que se descobriram situações muito pouco claras e justas e fui eu que ganhei com as queixas.
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De Carlos Dias Ferreira a 22.05.2009 às 14:46

Caro Tiago Moreira Ramalho:

O comentário a fazer a este tema é simples:
O regime "socrático" que temos no seu melhor estilo pidesco.
Voltámos, ao antigamente, ou seja "tudo pela nação, nada contra a nação".
Esperemos em Outubro de uma vez por todas mandar estes srs ir dar uma volta, merecemos melhor.
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De Paulo Santos a 22.05.2009 às 17:41

Pronto, lá foi o Socrates que " borrou " a pintura...ele pode reparar uma situação anti democrática que surja, mas esta pode aparecer com desconhecimento dele, ou não? Você é responsável se um filho seu de 15 anos mata o amigo que lhe roubou a consola dos jogos, mas não é justo ser julgado por isso, ou é? bom, talvez seja, não lhe deu a educação certa para ele agir correctamente.
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De Anónimo a 22.05.2009 às 18:09

Autoridade moral, expressão desconhecida...
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De Anónimo a 22.05.2009 às 14:50

Proponho uma nova mudança no Corta-Fitas: é passar a chamar-se "O Blogue do Naves e do Ramalho" (ordem alfabética).
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De PALAVROSSAVRVS REX a 22.05.2009 às 15:05

Evidentemente que o sistema morreu. Sem ses.
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De Anónimo a 22.05.2009 às 15:53

Isto chegou a um ponto que me admira que os zelosos burocratas do hospital não proponham também o despedimento do Presidente da República.
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De Nuno M. Albuquerque a 22.05.2009 às 16:45

Tal como a questão é colocada, as conclusões estão todas muito correctas.

Mas convinha conhecer o teor da carta...e os motivos do processo disciplinar. Se este tem como fundamento o facto, em singelo, de o enfermeiro se ter queixado ao PR, obviamente que a Administração do Hospital deve ser pura e simplesmente corrida. Se, por outro lado, no exercício do inalienável direito de queixa o enfermeiro aproveitou, p.ex., para injuriar, caluniar e difamar os seus responsáveis hierárquicos e tal facto chegou ao conhecimento destes, não há nenhuma razão para que não seja instaurado o respectivo procedimento disciplinar.
Como não conheço o teor da carta, são tudo meras hipóteses.
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De Anónimo Veneziano a 23.05.2009 às 04:33

Concordo com o Albuquerque. A forma como o TMR apresenta a questão não permute tirar conclusões. Era preciso ler a tal carta dirigida ao PR. Apoio incondicionalmente o direito de protestar, mas que isso não seja usado como uma capa para o insulto e a calúnia.
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De toix a 22.05.2009 às 18:24

Este Preisidente é aquele que quando era primeiro ministro mandou despedir um funcionário do hospital de Faro que lhe pediu o BI à porta, lembram-se?
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De Antifarsista a 22.05.2009 às 22:11

Isso é uma infâmia. Não tem nada a ver com a realidade. Que elementos tem para dizer o que diz? Porventura estava no local da ocorrência, em Faro, e sabe o que se passou depois?
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De Anónimo a 22.05.2009 às 19:01

Deixem a justiça funcionar ...

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