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O reformista

por Luís Naves, em 22.05.09

Discordo deste texto de João Galamba, em Jugular. O autor defende a tese de que Obama está limitado pela anterior administração: “acção condicionada por políticas passadas”. Diz João Galamba que “a única influência bushiana nas políticas actuais é o seu legado (negro) e não qualquer tipo de visão ideológica”, frase que se aceita em parte, mas que dava pano para mangas.

Claro que o autor fala sobretudo da questão de Guantánamo, não se percebendo nesta tese a razão da Casa Branca ter uma posição diferente da do Congresso democrata. Ao contrário do que sugere João Galamba, acho que se pode dizer que Obama “recuperou” um tipo de solução para lidar com o problema dos prisioneiros de Guantánamo, portanto, não se “limita a ter de lidar com uma situação táctica que lhe foi deixada”. Podíamos dizer o mesmo sobre a guerra do Afeganistão, onde aliás a táctica certa ainda não está bem definida. Diria que a própria estratégia parece algo incerta.

A meu ver, este artigo revela o crescente incómodo dos observadores de esquerda que não compreenderam um aspecto das últimas eleições presidenciais americanas: Barack Obama não era um candidato revolucionário que iria trazer rupturas ao sistema, mas sim um reformista que se propunha fazer coisas bem pragmáticas. Apesar da retórica, na América não há cortes abruptos, mas melhoramentos. A mudança não tem a ver com a alteração do modelo e inclui sempre o elemento da continuidade. Obviamente, Obama não é sequer parecido com Bush ou Cheney (talvez a pior dupla da história americana), mas muitas das suas políticas serão idênticas porque o que está ali em causa é o interesse prático dos Estados Unidos.  

 



2 comentários

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De João Galamba a 22.05.2009 às 11:56

Luís,

O que escrevi dirige-se somente àqueles que tentam reabilitar Bush dizendo "estão a ver, o Obama está a reabilitar grande parte das medidas da administração anterior". Neste campo -war on terror - acho que Obama está mesmo nos antipodas de Bush. Por isso considero importante reforçar a ideia de que ideologia e a liberdade de acção de Obama se encontra muito condicionada pela situação herdada. É tudo.
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De Luís Naves a 22.05.2009 às 13:18

João, este parece um resumo muito redutor do seu próprio texto. Mas concordamos na ideia de que as medidas de Obama possam de alguma forma servir para reabilitar as políticas de Bush na guerra contra o terror. Pelo contrário, os dois pensam de forma bem diferente: Obama proibiu as torturas, por exemplo.

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