Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

A extinção

Um leitor atento descobriu uma frase mal escrita num texto meu. Tem toda a razão, mas a culpa é do senhor Naves, que transcreveu mal as notas que eu lhe enviei (ele posta por mim, porque não sei postar). O Naves é que é o analfabeto. No entanto, o incidente revela um aspecto interessante: foi um dos poucos comentários que tive; é o mesmo que escrever para uma parede ou escrever na parede de um beco onde ninguém passa.

As pessoa não sabem distinguir a realidade da ficção: personagens bipolares com a quarta classe podiam escrever desta forma, porque também falam desta forma. Aceita-se o maneirismo de linguagem em literatura e há toneladas de teorias sobre o assunto, mas aqui não pode ser, porque supostamente é blogosfera, ou seja merda. Ficção em blogues? Crónicas mais sofisticadas? Isso é utopia. Eu tenho de escrever à doutor, por pouco conteúdo que esteja disponível. Falar de flores, passarinhos e passarinhas, primavera e tal. A culpa é minha, certamente, que não apanhei bem o registo da minha própria escrita, ou seja, sou uma personagem mal concebida por mim próprio. Bobeou, dançou.

Uma coisa é certa: no que me diz respeito, a fasquia está mais alta; afinal, perco o meu tempo, apesar de ter tempo a dar com um pau; o país anda de tal maneira tontinho que perdeu a graça, já não percebe a ironia (coisa que nunca percebeu), gosta do sarcasmo alarve, porque não distingue o que é brincadeira ou que é a sério, só percebe o gozo que arrasa adversários. Só percebe o insulto. De resto, o país leva tudo a mal ou mergulha num silêncio desconfiado e ofendido.

Eu diria que os leitores querem a bloga desinfectada e politicamente correcta. No que me diz respeito, é melhor que a tenham desinfectada e politicamente correcta, bem dividida em preto e branco, esquerda e direita, tribos partidárias optimamente definidas, tudo separadinho para não contaminar, uns inteligentes a escreverem de cátedra, os estúpidos como eu a papaguearem o que os inteligentes escrevem. Nada de criticar disparates, isso é que está mal. Nada de criatividade na bloga, isso é de evitar. Enfim, prometo portar-me bem a partir de agora. O que escrevi foi lido à lupa, mas parece que ninguém entendeu, nem quis. Mais vale estar calado ou emigrar para o twitter. Fica o cinzento do Naves a tratar da casota.

Adolfo Ernesto  

 



5 comentários

Sem imagem de perfil

De cjt a 21.05.2009 às 14:44

p.s. (de post scriptum que, sabemos, é das coisas mais estúpidas que se pode fazer num ambiente electrónico de processamento de texto, mas este é ao meu comentário anterior)
não te vás, a não ser que vás para outro lado. necessário seja, posto eu por ti, evitando as asneiradas desse iletrado Naves, desgraçado violador semântico, estuprador semiótico, para não falar de outros insectos bêbedos, livres e independentes.
abaixo o pacto de varsóvia. abaixo a nato. bebedeira independente. já.

(escrito depois do almoço, foi francesinha no estrelícia...)
Imagem de perfil

De Luís Naves a 21.05.2009 às 14:51

Havendo vaga de fundo, farei como Alegre, fico. Mas tem de haver vaga de fundo
Adolfo Ernesto
Imagem de perfil

De João Villalobos a 21.05.2009 às 15:06

Claro que há, pá. O povo está contigo, pá. A Clotilde está aqui deitada ao meu lado e também diz que te apoia se ainda lhe restarem forças..Abraço grande deste amigo que muito te estima (Não posso ainda pagar o que te devo. Pode ser lá para o fim do mês? Obrigado)
Imagem de perfil

De Luís Naves a 21.05.2009 às 15:16

Sendo assim, admito ponderar, mas não excluo uma ruptura, o que acabará talvez por me levar a aceitar o statu quo (isto, vi no dicionário e estou a usar para empanturrar o burguês); enfim, se alguém me agarrar, fico; se ninguém me agarrar, talvez também fique...
Adolfo Ernesto
Sem imagem de perfil

De cjt a 21.05.2009 às 15:25

ó pá, desde que não te vás a eles, fica garantida a paz e não me obrigas a tomar partes (isto soa um bocado mal) ou a ganhá-las (agora numa óbvia alusão aos tomates a que não consegui resistir).
ah! bohemia 75 cl em edição limitada...
irá acabar?

adolfo, o povo, seja lá isso o que for - tenho que perguntar ao pacheco pereira, que ele é que percebe de povo na bloga - dizia eu, mandando agora perdigotos para o monitor, o povo está contigo. e eu também.

p.s. (conceito explicado acima) podemos chamar a laurinda alves? ela percebe muito daquilo de a música acalmar as feras e assim...

Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    "...fazer das instituições do Estado entidades con...

  • Anónimo

    Não sei quantos anos tens, eu nos meus 63, já por ...

  • Luís Lavoura

    Sobre o título deste post, questiono-me de que for...

  • AP

    Este caso foi muito mal conduzido pelo agente... é...

  • AP

    Também está a tentar justificar o espancamento com...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2006
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D

    subscrever feeds