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A extinção

Um leitor atento descobriu uma frase mal escrita num texto meu. Tem toda a razão, mas a culpa é do senhor Naves, que transcreveu mal as notas que eu lhe enviei (ele posta por mim, porque não sei postar). O Naves é que é o analfabeto. No entanto, o incidente revela um aspecto interessante: foi um dos poucos comentários que tive; é o mesmo que escrever para uma parede ou escrever na parede de um beco onde ninguém passa.

As pessoa não sabem distinguir a realidade da ficção: personagens bipolares com a quarta classe podiam escrever desta forma, porque também falam desta forma. Aceita-se o maneirismo de linguagem em literatura e há toneladas de teorias sobre o assunto, mas aqui não pode ser, porque supostamente é blogosfera, ou seja merda. Ficção em blogues? Crónicas mais sofisticadas? Isso é utopia. Eu tenho de escrever à doutor, por pouco conteúdo que esteja disponível. Falar de flores, passarinhos e passarinhas, primavera e tal. A culpa é minha, certamente, que não apanhei bem o registo da minha própria escrita, ou seja, sou uma personagem mal concebida por mim próprio. Bobeou, dançou.

Uma coisa é certa: no que me diz respeito, a fasquia está mais alta; afinal, perco o meu tempo, apesar de ter tempo a dar com um pau; o país anda de tal maneira tontinho que perdeu a graça, já não percebe a ironia (coisa que nunca percebeu), gosta do sarcasmo alarve, porque não distingue o que é brincadeira ou que é a sério, só percebe o gozo que arrasa adversários. Só percebe o insulto. De resto, o país leva tudo a mal ou mergulha num silêncio desconfiado e ofendido.

Eu diria que os leitores querem a bloga desinfectada e politicamente correcta. No que me diz respeito, é melhor que a tenham desinfectada e politicamente correcta, bem dividida em preto e branco, esquerda e direita, tribos partidárias optimamente definidas, tudo separadinho para não contaminar, uns inteligentes a escreverem de cátedra, os estúpidos como eu a papaguearem o que os inteligentes escrevem. Nada de criticar disparates, isso é que está mal. Nada de criatividade na bloga, isso é de evitar. Enfim, prometo portar-me bem a partir de agora. O que escrevi foi lido à lupa, mas parece que ninguém entendeu, nem quis. Mais vale estar calado ou emigrar para o twitter. Fica o cinzento do Naves a tratar da casota.

Adolfo Ernesto  

 



1 comentário

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De cjt a 21.05.2009 às 14:44

p.s. (de post scriptum que, sabemos, é das coisas mais estúpidas que se pode fazer num ambiente electrónico de processamento de texto, mas este é ao meu comentário anterior)
não te vás, a não ser que vás para outro lado. necessário seja, posto eu por ti, evitando as asneiradas desse iletrado Naves, desgraçado violador semântico, estuprador semiótico, para não falar de outros insectos bêbedos, livres e independentes.
abaixo o pacto de varsóvia. abaixo a nato. bebedeira independente. já.

(escrito depois do almoço, foi francesinha no estrelícia...)

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