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Os «bufos»

por Tiago Moreira Ramalho, em 18.05.09

Não estou agora preocupado com José Sócrates, com Dias Loureiro ou com Lopes da Mota. O que me preocupa é uma mentalidade mesquinha que está profundamente enraizada na sociedade portuguesa: a ideia de que qualquer pessoa que denuncie uma possível infracção da lei é um «bufo». A utilização do termo é despropositada, mas não é inocente. Quem o utiliza sabe muito bem o que está a fazer: está a apelar à memória de um passado negro do nosso país para levar a sua avante. Denunciar uma má prática por parte de um político, de um dirigente público, não é «bufar», não é negativo. É do mais saudável que pode haver para que não haja o sentimento de que fica tudo no segredo dos deuses, tudo «encoberto». Uma democracia é tanto melhor quanto mais escrutinados forem os seus políticos. Não defendo a demissão de indivíduos a exercer cargos públicos apenas por estarem envolvidos em processos judiciais. A presunção de inocência não pode funcionar apenas quando nos convém. No entanto, não abro mão da denúncia de casos de corrupção e não acho admissível que se venha com o discurso dos bufos, como faz a Ana Gomes e subscreve o Carlos Barbosa Oliveira, apenas porque não nos convém a denúncia em questão.

 

Na imagem: um Bufo Real.


4 comentários

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De Anónimo a 18.05.2009 às 18:09

Quem começou com essa inconcebível história da delação foi o chamado pai do SNS. Só posso atribuir a coisa a senilidade.

E tudo o que se vem sabendo sobre o que o sr. da Mota praticou só mostra que encobrir aquilo é que seria grave. Gravíssimo.
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De Carlos S. de Matos a 18.05.2009 às 18:54

Um dia se há-de saber por que motivo essa gente se obstina em tentar branquear certas situações envolvendo o alegado engenheiro.
Os dois casos apontados são paradigmáticos - e se, quanto à primeira, a coisa não tem qualquer mistério, já quanto ao segundo, veremos, como diria o cego...
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De Daniel João Santos a 18.05.2009 às 21:42

Belíssima ave, que foi nacionalizado por Portugal.
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De C. Medina Ribeiro a 18.05.2009 às 21:48

1 - A ideia de que é censurável denunciar um crime (porque a palavra 'denúncia' tem uma carga pejorativa que muitos ainda associam aos informadores da PIDE) teve o seu máximo expoente quando uma conhecida personagem escreveu, numa coluna que mantinha no «Público», que - e cito de memória - «querer que se denunciem os abusadores de crianças é apelar ao instinto de bufaria dos portugueses».

Se não tivesse lido, não teria acreditado.
De qualquer forma, e por aquilo de que me apercebi, essas foram as últimas palavras que o referido indivíduo escreveu para esse jornal - pelo menos como colunista.


2- Uma outra abordagem (a de António Arnault , no caso de Lopes da Mota), leva-me a concluir o seguinte:

Se um dia eu vir alguém a ser assaltado na rua, não deverei testemunhar contra o assaltante se, porventura, vier a descobrir que ele andou na escola comigo "porque é muito feio denunciar colegas".

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