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Emoções básicas (56)

por Luís Naves, em 14.05.09

Goodbye Spain

A instabilidade da Espanha sempre foi má notícia para Portugal e este episódio tem os ingredientes de uma preocupante desestabilização. A economia está péssima e a política regional de Zapatero fracassou. No que respeita à descentralização do Estado, talvez os espanhóis não tenham meditado bem no exemplo belga, país que parece estar em fase mais avançada de dissolução: mal é iniciado, o movimento autonómico tem poucas razões para parar; as regiões mais ricas apercebem-se de que estão a abrir os cordões à bolsa, ganham aversão à ideia, e a certo ponto recusam-se a transferências adicionais de riqueza a favor das pobres. Os que em Portugal defendem a regionalização deviam pensar nisto.

Duvido que houvesse muitos verdadeiros independentistas entre a multidão que ontem assobiou o hino, mas será difícil no futuro travar as tendências centrífugas das autonomias espanholas, mesmo que a TVE esconda a cabeça na areia. Esta história também nos ensina algo sobre a Europa, até porque alguns invocaram a “Europa das Nações” (em inglês, para ser mais humilhante). Há quem se iluda em relação à solidariedade dos europeus, os quais teriam a obrigação moral de financiar generosamente os Estados membros mais pobres. Na realidade, será difícil expandir substancialmente o orçamento comunitário. Esta é a limitação da UE: o orçamento equivale a pouco mais de 1% do PIB e não deverá crescer muito, pois quem defenda a sua expansão terá sempre a oposição dos eleitores. E com crise económica em cima é o mesmo que lutar contra moinhos de vento.  

 

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4 comentários

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De Anónimo a 14.05.2009 às 12:35

É uma história absolutamente deprimente. Por todas as razões. Ninguém fica bem na fotografia, expressão tão querida dos jornalistas.
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De Dr. Mento a 14.05.2009 às 14:22

A ideia de que os países são realidades estáticas do ponto de vista territorial é algo contrariado pela própria História. Muitos países são, na verdade, uma manta de nações debaixo de uma mesma bandeira, que só significa alguma coisa para uns quantos. Espanha é um desses casos, tal como a Bélgica.

Contudo, urge perguntar: será possível imaginarmos uma desintegração da Espanha, tal como a conhecemos hoje? Bem, este país, nascido no início do Século XVI, tem já um longo historial de guerras pela independência (uma delas, na Catalunha, teve lugar na mesma altura em que Portugal desfez a União Ibérica de 1580).

Por outro lado, em toda a Europa, o que não falta são exemplos de reconfigurações territoriais nas últimas décadas. A Checoslováquia, inventada no pós-I Guerra Mundial, já se desfez. A Jugoslávia foi devidida numa vasta série de países, que tentam assim dar expressão territorial a várias nações. Até mesmo Portugal viu todo o seu império dar origem a vários novos países em 1975.
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De Anónimo a 14.05.2009 às 16:21

Pois foi, até o Portugalito Europeu deu origem a uma quantidade de nações. Açores, Madeira, Berlengas, Ilha do Pessegueiro...
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De António P. Castro a 14.05.2009 às 18:52

Os espanhóis têm o que merecem: repetiram a dose Zapatero quando estava mais que visto tratar-se de uma nulidade, eleita sob o medo de Atocha...
Os portugueses, se não acordarem a tempo (isto é, antes de Outubro), irão pelo mesmo caminho - e, nesse caso, terão também o que merecem. Acresce que o "nosso" Zapatero consegue ser pior que o espanhol...

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