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Quem é que quer ser livre?

por Isabel Teixeira da Mota, em 11.05.09

 

Deixem-me que regresse ao eterno dilema da liberdade. Vem ele a propósito da publicação recente do quarto grande inquérito aos valores dos franceses conduzido pelos sociólogos Pierre Bréchon e Jean-François Tchernia. Pela primeira vez em trinta anos (os anteriores inquéritos são de 1981, 1990 e 1999) os franceses exigem mais igualdade que liberdade. Ou seja, os franceses de 2009 valorizam mais viver num mundo igualitário do que num mundo livre. Os dados mostram que em 2009 os franceses dão muito valor à ordem pública – por exemplo não toleram falcatruas nos impostos, roubos de carros ou excessos de velocidade na estrada. Acreditam no Estado e querem uma autoridade mais forte, sobretudo os jovens (!?). Os mesmos franceses que querem mais igualdade e ordem pública valorizam, por outro lado, a desvinculação da vida pessoal de quaisquer valores. Na esfera privada tolera-se tudo, desde que ninguém meta o nariz onde não é chamado. Quer isto dizer que os franceses trocaram o valor da liberdade pelo da individualização e, se bem percebo, o fenómeno acabará no estranho cenário pós-social da “desmoralização” e desresponsabilização individual acompanhada da estrita “moralização” e igualização da vida pública. Nós, por cá, não estamos longe disso.

 

 

 



6 comentários

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De Anónimo a 11.05.2009 às 15:12

Nós cá não estamos longe de acreditar no Estado? Por mim, se há coisa em que não acredito é justamente o estado (minúscula, já agora), esse monstro de cunhas e compadrios.
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De l.rodrigues a 11.05.2009 às 15:41

Tem um link para o estudo?
Obrigado.
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De Isabel Teixeira da Mota a 11.05.2009 às 19:24

Infelizmente não. Tenho o estudo em livro editado pela Armand Colin (Abril de 2009). Creio que não está online. Sei que o Le Monde deu grande destaque ao inquérito, mas para o ver é preciso ser assinante.
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De Luis Melo a 11.05.2009 às 16:37

Portugal visto de fora (http://mudaportugal.blogspot.com/2009/05/portugal-visto-de-fora.html)

Visto através do www.economist.com (http://www.economist.com/)

The Portuguese are among the glummest people in Europe [...] Within the European Union, only easterners from Hungary and Bulgaria are similarly morose [...] This year GDP is expected to contract by 3.5%, lifting unemployment to about 8.5% [...] The Portuguese borrowed heavily to buy houses, cars and airline tickets [...] Productivity failed to keep up [...] As the IMF states in a recent report, the country’s fundamental problems are domestic, not global, in nature. But political leaders find reforms hard to push through (http://www.economist.com/world/europe/displaystory.cfm?story_id=13578952)
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De l.rodrigues a 11.05.2009 às 19:59

"But political leaders find reforms hard to push through"
Ah, claro, as famosas reformas que a velha europa é tão reticente em aceitar. Mas alguém ainda acredita nisso?

Há coisas para mudar, claro, muitas, mas aposto que as mudanças de que precisamos teriam dificuldade em recolher o apoio do Economist.
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De José António Abreu a 12.05.2009 às 15:36

Obrigado pela informação acerca do estudo. Comecei a escrever um comentário mas estava a ficar tão longo que acabei por transformá-lo num post que coloquei no meu blogue...

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