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A crise da República

por Luís Naves, em 04.05.09

 

Os últimos números de sondagens foram acompanhados de comentários de políticos veteranos (Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio) sobre as vantagens de um possível Bloco Central, com eventual governo de coligação, acordo parlamentar ou até governo minoritário com acordo limitado ao orçamento. Creio que os dados apontam mesmo para um Bloco Central incapaz de resolver a profunda crise dos partidos e desta república.

O facto é que o eleitorado não confia nem no governo nem na oposição. O país está em dificuldades económicas, não haverá maioria absoluta e não se vislumbra outra coligação viável: com a pequenez do CDS, a única que somava número suficiente de deputados seria PS-BE, mas isso implicaria uma insustentável alteração de políticas.

Em Margens de Erro, ao analisar as últimas sondagens da Universidade Católica, Pedro Magalhães faz uma interessante observação que contraria a ideia do voto de punição nas europeias. O comentário deste perito é excelente e recomendo a sua leitura aqui.

Ao ler os números, fiquei perplexo com a quantidade de pessoas que dizem não votar, não saber ou que recusam responder à pergunta sobre em quem votariam. Ao todo, 46% do eleitorado, quase metade, o que me parece representar um elevadíssimo número de indecisos, embora não se vislumbre a quantidade exacta. A soma PS-PSD está enorme (75%). Pedro Magalhães esclarece a questão, mas não é demasiado convincente, pois em eleições legislativas esta soma tem descido, à excepção da maioria absoluta, que desta vez não se confirma. Será que houve uma mudança, por causa da crise?

A confirmarem-se os valores, a política nacional estaria bem diferente da tendência. O PSD ocupou a direita, Bloco e PC somam 19%, o que mostra fortes perdas do PS à esquerda. Os socialistas ocuparam o centro e perdem muito pouco para o PSD nessa luta pelos votos centristas. A prazo, isto parece ser péssimo para o PS, pois perder os votos do meio será muito mais fácil do que recuperar os da esquerda.

 


6 comentários

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De Anónimo a 04.05.2009 às 11:25

Pelo contrário, eu fico é perplexo com a quantidade de pessoas que vão votar. Para quê? Só as moscas é que mudam...
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De Luís Naves a 04.05.2009 às 13:05

a abstenção será maior do que nas anteriores legislativas, parece-me óbvio, mas haverá certamente mais de 5 milhões de votos.
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De Anónimo a 04.05.2009 às 13:32

Vamos a ver qual o record batido nas Europeias...
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De Luis Melo a 04.05.2009 às 16:04

A validade desta sondagem vê-se pela percentagem atribuída ao BE. Esse partido não terá tal votação. Só poderá pensar isso quem se rege pelo que vê nos fracos meios de comunicação "dita" social.
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De Nuno Castelo-Branco a 04.05.2009 às 19:08

Confirmando aquilo que disséramos há alguns dias, os grandes interesses vão mesmo insistir num governo do Bloco Central e assim, testa solução parece irreversível. Desta vez foi Sampaio quem saiu a terreiro defender em "nome da estabilidade" - da qual pouco caso fez quando ainda belenzava -, a necessidade de uma coligação PS-PSD. Uma ideia tão luminosamente inédita, decerto terá faiscado durante uma partida de golfe, onde por "mero acaso", - claro - talvez tivesse visto de longe - claro, nada de confusões... - os habituais convivas de todos os "Chefes de Estado": gente dos media, da finança, off-shoreiros, bolseiros, e outros benfeitores da pátria. Está tudo bem apertado e armadilhado.

Adivinhando-se uma profunda reforma nas instituições e principalmente no sistema de escrutínio e na divisão dos círculos eleitorais, o argumento da grave crise financeira vem muito a propósito. O "princípio de Tordesilhas", escrupulosamente aplicado ao minguante pasto nacional, poderá ser uma vez mais aplicado com o pleno contentamento dos dois convivas. Prevemos desde já tempos difíceis para os "pequenos partidos", isto é, todos os outros que não os rotativos. Pelo que parece, lá do quinto dos infernos, o senhor Afonso Costa continua a governar Portugal aplicando os princípios, chapeladas e exclusivismos que tão bons resultados deram. Como dizia o outro, habituem-se!
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De JMG a 04.05.2009 às 23:43

Posso sonhar com um cenário diferente? Imagino um governo de coligação PS/BE, que ajudaria a acelerar o processo em curso de albanização do país. Ao fim de dois ou três anos, a UE, entretanto saída da crise, teria, por causa do Euro e do endividamento insustentável, de cá vir fazer um bail-out dos cacos. No meio de imensa convulsão, o eleitorado bascularia à direita, enterrando a deriva esquerdista de que o País sofre há 30 anos. Não seria preciso comprometer a Democracia no processo. Bem, sonhar não custa.

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