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Se perder, perdi

por Tiago Moreira Ramalho, em 29.04.09

Acredito que porei os teóricos do passoscoelhismo-corta-fiteiro com a cabeça à roda, mas achei a entrevista de Manuela Ferreira Leite excelente. Discordo, portanto, do Bernardo Pires de Lima e subscrevo totalmente o texto do André Abrantes Amaral. No entanto, vou mais longe. Manuela Ferreira Leite é constantemente apontada como uma má comunicadora. É verdade. Não faz parte da sua natureza a política espectáculo e isto não é novidade para absolutamente ninguém. Por outro lado, José Sócrates é tido como o mestre do marketing político. Pessoalmente pensava assim até há uns meses atrás.

A entrevista que José Sócrates deu à RTP mostrou um Sócrates igual, mas entediante. O registo de herói, salvador, pai do povo (não dos povos, que não o tenho assim em tão má conta), de quem sabe de tudo e vai à televisão explicar-nos, a nós e aos jumentos dos jornalistas, que aquilo que defende é o que está certo, aquele tom de professor primário a falar para os jovens pupilos, a mim, e julgo que a muitos mais, já não convence. Passou. Foi novidade durante uns tempos, mas tudo o que é demais enjoa.

Por seu turno, a entrevista de Manuela Ferreira Leite mostrou alguém que, pelo menos, não pareceu estar a pensar na resposta mais polida - se perder, perdi - e deu uma reconfortante sensação de genuinidade, coisa rara na política. Para além deste lado humano, que muitos se calhar não apreciarão, mostrou um discurso sólido e ideias concretas. A diminuição da taxa social única, que me parece ser uma proposta excelente, a recuperação da rede ferroviária nacional, total ou parcialmente, em vez do TGV, a proposta de um verdadeiro corte na despesa pública, já para não falar do desmascarar dos sucessivos pacotes de apoio às famílias que acabam por resultar em nada; tudo envolto numa aura de autoridade na matéria - ela sabe do que fala, pensei quando a ouvi, nomeadamente na parte em que afirmou considerar possível a entrada numa situação irreversível daqui a alguns anos.

Eu sei que José Sócrates tem o carisma, a imagem, o vigor e o facto de ser Primeiro Ministro do seu lado. Eu sei que muitos portugueses ainda vêem o investimento público como uma forma de criação de emprego, a única, ou pelo menos a melhor, e, portanto, defendem essa via, mesmo sem saber as restantes consequências. Mas seria interessante prestar um bocadinho de atenção ao que Manuela Ferreira Leite propõe como alternativa. É verdade que as diferenças não são muitas, não nos enganemos, nem nos deixemos enganar, mas são, quanto a mim, mais que suficientes para se perceber quem deve e quem não deve governar nos próximos quatro anos.

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11 comentários

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De Anónimo a 29.04.2009 às 20:16

A mim parece-me que se ela perder nas próximas eleições europeias, a coisa não é tão simples quanto o «se perder, perdi». Se ela perder, perde logo qualquer embalagem para as legislativas e no partido dela acentuar-se-ão as jogadas tendo em vista o pós-Manuela.

Mas o Vitalino Vital pode ser que lhe dê uma ajuda, tão jeitoso se tem revelado...
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De clara a 30.04.2009 às 11:27

É claro que vai perder. Por mais que a direita furiosa tente descredibiliza Vital, o povo não é parvo. Vital é o melhor candidato, o que melhor domina os assuntos europeus. Mas eu diria que isso até é irrelevante, porque as pessoas votam em partidos e não em cabeças de lista. O PS vai ganhar.
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De Escuro a 01.05.2009 às 11:44

Já que adivinha o futuro, diga-me quem vai ser o próximo presidente da CE.
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De nuno granja a 29.04.2009 às 21:09

Concordo com o post, gostei da escolhe do Rangel, mas a escolha do Santana para Lx é uam espinha cravada na minha garganta.

No entanto pior do que o Socrates deve ser dificil.

*Anonimo...

Gostei do; " Mas o Vitalino Vital pode ser que lhe dê uma ajuda, tão jeitoso se tem revelado..."
Assino por baixo

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De Q. a 30.04.2009 às 02:20

Carisma????????????
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De l.rodrigues a 30.04.2009 às 09:43

"Eu sei que muitos portugueses ainda vêem o investimento público como uma forma de criação de emprego"

Não sei o que os portugueses vêem, mas o que eu vejo é que em tempo de crise, com os problemas de crédito e confiança dos investidores privados, que não têm capacidade ou vocação para investir a longo prazo, o investimento público é a forma mais pragmática para criar emprego, e fazer de uma crise uma oportunidade revitalizando infraestruturas, etc. Podemos questionar é a qualidade e a eficácia dos investimentos públicos.

Por exemplo, é capaz de fazer mais sentido investir na renovação habitacional dos centros históricos de Lisboa e Porto do que fazer mais uma auto-estrada, para não falar de um TGV entre as duas cidades, para ganhar 20 minutos ao Alfa Pendular.
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De Tiago Moreira Ramalho a 30.04.2009 às 14:36

Sabe que eu sou liberal, mas não sou, como já referi, anarquista e não defendo a não existência de Estado. Acho é que o Estado deve ficar no seu lugar. Tal como escrevi, acho que a reconstrução da rede ferroviária seria um bom investimento, mesmo.

Uma vez li o Samuel de Paiva Pires do Estado Sentido escrever uma coisa interessante: «Sendo um liberal por definição, embora doseie o liberalismo com o pragmatismo utilitário» (até fui lá, para não lhe meter palavras na boca). Algum investimento público em determinadas áreas é aceitável. O que não concordo é com uma generalização e tal. Mas julgo que já dei a perceber o que achava...
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De Carla Santiago a 30.04.2009 às 12:59

Cada vez mais este blogue está a ficar incestuoso e a perder isenção...

com estas novas " contratações " que ganham fama á conta do " lixo " que publicam, fica difícil e interessante " voltar " cá...

é pena! (especialmente para alguns bons e honestos escribas desta casa)
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De Tiago Moreira Ramalho a 30.04.2009 às 14:38

Incestuoso não sei, que nas práticas sexuais do CF não me meto. Isento é coisa que nunca foi, porque é um blogue de opinião. E a opinião é por definição muito pouco isenta...

Sinceramente não entendo este tipo de comentários. Eu não ganhei fama com o lixo, sim, porque é lixo certamente, que escrevo. A Carla Santiago certamente ainda não leu o meu nome fora deste blogue ou sem ser em referências de outros blogues a algum texto meu.

Se o problema é o facto de não concordar comigo, cara Carla, isso já não é problema meu...
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De Carla Santiago a 30.04.2009 às 16:53

e o que tem o seu nome, fora do blogue? ou que influência podem ter as referências de outros blogues?anda mal visto?

Não concordo quando diz que nenhuma opinião é isenta, pode ser sim, livre, e isenta de influências, ou não?
a moda agora é uma vitimização e perseguição aos jornalistas que me irrita sinceramente...
Posso dizer-lhe que estou perfeitamente desobrigada ou isenta de o bajular pelos seus textos, por isso sou livre...
enfim, mas talvez tenha razão a minha observação está restrita a uma análise muito limitada de conhecimento, por isso não devo " esticar-me " nos comentários.
Relativamente a concordar comigo, pois fico sabendo que não gosto das pessoas que só concordam comigo, interesso-me muito mais pela discordância...
desprezo o " caõzinho " que abana sempre a cabecinha, muito dócil...
Vamos lá dar uma oportunidade ao Sr.Ramalho ...
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De Tiago Moreira Ramalho a 30.04.2009 às 17:31

O meu nome fora daqui não tem nenhum. Até porque não o encontra. O que eu quis dizer foi que não pretendo obter, nem obtive até agora, qualquer tipo de 'fama' com a minha presença aqui.

Não tenho influências nem interesses. Não sou militante nem apoiante fanático de nenhum partido. Apenas escrevi o que realmente pensava, como costumo fazer, aliás.

Dê-se então uma oportunidade ao Tiago (sr. Ramalho é coisa para velho).

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